ANO SACERDOTAL- Testemunho do Bispo da Prelazia do Xingu Dom Erwin Krautler



As nossas irmãs monjas da Associação São José no boletim nº 39 nos brindaram com o testemunho de vida do bispo da Prelazia do Xingu. É um testemunho da mão amorosa de Deus que sempre envia pessoas para socorrer os menos favorecidos do seu povo. Não podemos deixar de mencionar a experiência que este missionário de Deus tem com nossa irmã Teresinha do Menino Jesus, padroeira da missões. A riqueza deste testemunho fortalece aqueles que estão e os que desejam entrar nesta aventura que servir a Deus.
Segue o texto publicado no boletim:

Queremos neste boletim abrir um espaço cm homenagem aos Sacerdotes, neste Ano Santo dedicado a eles, com o testemunho de D. Erwin Krautkr, Bispo Prelado de Xingu, no Pará. Segue alguns trechos do relato de seu livro Servo de Cristo Jesus,memórias de luta e esperança que muito nos interpela na nossa missão junto aos sacerdotes, principalmente os missionários. Também nos surpreende o amor e a presença de nossa Irmã, Santa Teresinha, se fazendo valer do seu "título" e dever de padroeira das Missões. D, Erwín e Thérèse são dois grandes amigos!

Dou este testemunho com o coração repleto de gratidão. Depois de mais de quarenta anos de vida missionária no Xingu, na Amazônia brasileira, e 28 anos de bispo, confesso que muito devo a Thérèse, nossa Santa Teresinha. Dela não ouvi apenas falar ou li uma biografia. Eu a conheço, como se conhece uma pessoa que se ama imensamente. Há décadas ela caminha comigo nas horas alegres, muito mais ainda nas horas de dor e sofrimento. Sinto sua presença!
Deus se dirige a nós por múltiplas vias. Ele se revela através de suas palavras na Escritura Sagrada. Ele está presente como Deus-conosco na Eucaristia. Às vezes, Deus nos orienta e acompanha através de pessoas queridas que encontramos em nosso dia a dia, mas também por alguém que já está junto de Deus na mansão eterna, especialmente quanto se trata de alguém que antes de morrer garantiu: "Eu quero passar meu céu fazendo o bem sobre a terra". Foi Deus que me enviou Thérèse como um anjo da guarda, como irmã querida que me protege e tantas vezes também me consola
Digo de novo: Conheço Thérèse! Li várias vezes seus escritos, mas também nas entrelinhas. Entendi-a sempre melhor e descobri a mensagem evangélica que transmite ao mundo. Thérèse anunciou o Evangelho através de seu magnífico testemunho. Quando viveu em Lisieux, só as pessoas de sua família e de seu convento a conheceram. Hoje ela é conhecida e venerada pelo mundo afora. Viver e anunciar Evangelho através de nosso testemunho é missão dos cristãos de todos os tempos. Thérèse é missionária, apóstola e mártir do amor.
Meu primeiro contato com Thérèse eu o tive quando ainda era menino em Koblanch, minha aldeia natal na Áustria. Havia uma estátua dela na Igreja Matriz, aquela estátua de gesso que todos nós conhecemos, produzida em série. Thérèse segura a cruz, coberta de rosas. Graças a Deus existia no Carmelo de Lisieux do final do século XIX a máquina fotográfica de Celine para que pudéssemos conhecer o verdadeiro rosto de Thérèse!
Não sei o que aconteceu com a estátua. Desapareceu! Na época da restauração da Igreja Matriz, Thérèse foi pintada, junto com outros santos, num grande afresco no teto da igreja. Alguns meses antes da minha ordenação sacerdotal e primeira Missa que celebraria na igreja em que também fui balizado. Pedi ao artista-pintor que não esquecesse Thérèse. Dei-lhe um santinho para que tivesse uma idéia de como poderia pintá-la- O artista produziu uma linda imagem de Thérèse.

Em 1958, entrei no noviciado dos Missionários do Sangue de Cristo em Schellenberg, no Principado de Líechtensteín. Queria ser padre, missionário. Minha vontade de jovem entusiasta era transformar, converter o mundo, mas não entendia bem o que significava isso. Mesmo sendo estudante, fui membro da Juventude Operária Católica (JOC) da minha paróquia. Queria um mundo justo, fraterno, cristão. Fui um jovem muito ativo. Tocava violão, cantava, fiz teatro, promovi encontros e festas ou fui convidado a cantar em festas ou animar esses encontros de jovens. Quantas noites passei nesses eventos sendo um dos últimos a ir embora! Às vezes fui da festa diretamente à escola, escondendo meu violão em algum lugar para os professores não se darem conta de que chegava de uma festa e não de casa. Uma vez o professor de grego me interpelou: Erwín, quando vais mudar de vida? Respondi: "no próximo outono!" O professor - Deus o tenha! - balançou a cabeça como se quisesse dizer: esse rapaz não tem mais jeito! Está perdido! Entretanto, não havia entendido a minha resposta "no próximo outono". O que falei era verdade. Foi meu último ano de ginásio! Pensei em várias profissões. Um dia queria ser médico, especialmente depois de assistir ao filme "Sauerbruch: esta foi minha vida!", que contava a vida de um famoso cirurgião. Impressionava-me como esse médico ajudava tanta gente. Queria fazer algo assim. Depois pensei em tornar-me professor, pois achava que assim poderia estar mais próximos dos jovens e ajudá-los com mais eficiência, Doía-me no coração ver tantos rapazes e moças, amigas e amigos meus, abandonarem as práticas religiosas e resvalarem para um tremendo indiferentismo ou até perderam a sua fé em Deus. Mas a experiência no JOC finalmente me convenceu de que como padre poderia fazer muito mais. Digo "fazer" porque até então entendia a missão de padre como a de grande artista, animador, coordenador de atividades, encontros, festas e celebrações.
Entrei no noviciado e tive a sorte de ter um excelente mestre de noviços. Só havia um detalhe no noviciado, jamais imaginado por mim: Nada de encontros com jovens ou com quem quer que fosse! Nada de noites de festa, nem sequer de passeios animados! Agora, um rígido horário previa as atividades de cada dia e de toda a semana. Oração, meditação, celebração da Eucaristia, estudo, trabalho manual, silencio e recolhimento! Às vezes, um passeio pêlos bosques ou pelas montanhas. Mas não para passar uma noite em algum albergue cantando, e sim para encher os pulmões com ar puro e não com a fumaça das festas de outrora. Cantamos, sim, mas os salmos. Voltando para a casa de noviciado a ordem foi de dormir cedo, levantar cedo, bem cedo! Essa vida me era tão estranha como se tivesse mudado para outro planeta que se situava numa galáxia a milhões de anos-luz de distância da Terra. E o mestre de noviços percebeu que eu não estava bem. Notou que estava sentindo-me no noviciado como um peixe fora d'água, com saudades do mundo que antes era meu mundo. Um dia ele me chamou e, sem rodeios, disse que estava preocupado comigo e duvidando seriamente da minha vocação para a vida religiosa, para padre. Dizia-me: "há vários caminhos para chegar a Deus e cumprir uma missão. A vida de padre é uma vocação que alguém tem ou não tem, e o noviciado existe para discernir se é este realmente o caminho que Deus escolheu ou não". Baixei a cabeça e não respondi nada. Minha crise se tomou aguda, pois no fundo acreditava que Deus me havia chamado. Afinal, porque cheguei até aqui? Por que nunca, mesmo em meio às turbulências da adolescência e as crises de todo tipo quer qualquer jovem atravessa, nunca abandonei a fé, nunca faltei a uma única Santa Missa aos domingos? Até nas excursões, quando todo mundo se esqueceu do dever dominical, eu consegui achar uma Igreja a para cumprir meu dever de cristão. Por que, na cidade onde estudei, sempre entrei, antes das salas de aulas, numa igreja? Às vezes chegava na hora da comunhão e aí recebia o Corpo de Cristo. Quando o trem atrasava por alguns minutos, chegava na bênção final, mas mesmo assim permanecia por alguns minutos diante do altar de Nossa Senhora. Por que com 16 ou 17 anos as palavras de Santa Teresa d'Ávila me empolgaram tanto? "Nada te turbe, nada te espante. Todo se pasa! Díos no se muda... Solo Dios basta!". Muitas vezes as escrevi num livro "poesia", quando uma amiga ou um amigo me pediu uns versos. Por que Santo Agostinho me impressionou tanto, ainda jovem, com seu "inquietum". Conhecia toda a inquietude, toda a insegurança juvenil, a superficialidade do modo de pensar e agir, e esta palavra me questionou.
Por que Deus me conduziu pela mão e me segurou para não cair na sarjeta, em que tantos jovens caem? Por quê? Por quê? Será que agora este Deus amigo me largou e a vocação que julgava ter não passou de um efêmero romantismo, de um tremendo engano?
Não respondi nada ao mestre de noviços. Senti-me completamente só. Perdido! O que iria responder mesmo? Fiquei calado!
Depois de alguns momentos, o padre retomou a palavra e disse apenas: "Bem, vamos fazer mais uma tentativa! Vou lhe dar um livrinho que talvez o ajude a dar uma guinada em sua vida e, quem sabe, descobrir se tem vocação para a vida religiosa!". Recordo-me vivamente, como se o fato tivesse ocorrido ontem! O padre me entregou um livrinho que na capa tinha a foto de uma atriz que fez o papel de carmelita num filme que, tempos atrás, assistira em Feldkirck, onde estudava. Algumas cenas ficaram bem vivas na minha memória. O sorriso cativante da carmelita! Como amava sua família e, depois de entrar para o convento, as suas irmãs, mesmo as antipáticas! A pobrezinha escarrou sangue na noite da Quinta-feira Santa e não falou nada a ninguém. Morreu prematura, escondida num claustro da França. Chorei convulsivamente no fim daquele filme e procurei esconder-me ao sair do cinema. Não quis mostrar a ninguém que havia chorado. E agora o padre me dá um livrinho com o título 'História de uma alma'. Este também foi o título do filme! Em pouco tempo cheguei à última página, que contou a morte de Thérèse. Recomecei várias vezes a leitura de História de uma alma, pelo menos de algumas passagens. Depois descobri outros escritos dela, tudo de repente me interessava! Descobri o grande amor da minha vida: Thérèse!
Não sei o que aconteceu, mas o mestre de noviços nunca mais voltou a me questionar em relação à minha vocação. Repetiu apenas: "você jamais se arrependerá! Sua vida será linda!".
Passei do noviciado para a universidade cm Salzburg, na Áustria, onde escudei filosofia. Depois cursei Teologia para me preparar ao sacerdócio. Lembro-me de que nos primeiros anos de meus estudos em Salzburg escrevi uma carta ao Carmelo de Lisieux pedindo os “manuscríts autobriographiques”. Não sabia francês, mas fiz uma carta em francês, traduzindo palavra por palavra do jeito que o dicionário indicava. As carmelitas de Lisieux certamente se divertiram com essa carta-pedido redigida num francês tão rude. Mas, para minha surpresa, enviaram-me um exemplar que até hoje guardo comigo. Eu queria os escritos de Thérèse na língua que ela falava! O conteúdo, eu já o conhecia.
Não sei mais a data exata, mas algum tempo antes da minha ordenação sacerdotal descobri uma palavra de Thérèse que nunca mais esqueci. É da poesia '"porque te amo, ó Maria", "amar significa dar tudo dar-se a sim mesmo". Esse verso deu origem ao meu lema de sacerdote, que mandei imprimir na lembrancinha da ordenação. Eis a vida que tento viver até hoje.
Fui ordenado padre em 3 de julho de 1965 na linda catedral de Salzburg, na Áustria.
Em 18 de julho rezei minha primeira missa com o povo da minha aldeia natal. No dia 25 de novembro do mesmo ano já estava em Belém do Pará, no Brasil- Embarquei em Hamburgo, num velho Lloyd alemão de nome 'emsstein'. Quando passamos pela costa da Normandia, lembrei-me de que, a certa distância para lá da praia que avistamos, existia uma cidadezinha chamada Lisieux. Lá viveu e morreu Thérèse. Um dia iria conhecer Lisieux, visitar a terra de Thérèse. Iria celebrar a Santa Missa na capela onde morava antes de entrar no convento, Lês Buíssonnets, iria ficar diante da porta do Carmelo, onde se despediu do pai e pela qual entrou para nunca mais sair.
Pouco depois de chegar a Belém, fui convidado para assistir à tomada de hábito de uma jovem que veio das Filipinas, na Igreja de Santa Teresinha.
Comecei a viver a minha vida de padre na Prelazia do Xingu, a maior circunscrição eclesiástica do Brasil. Fui encarregado de muitos ofícios. Lecionei no único colégio em que se formaram todos os professores primários da região. Visitei comunidades próximas de Altamira, sede da Prelazia, mas também, por semanas, comunidades mais distantes. Descobri que a primeira capela que os Missionários do Sangue de Cristo construíram foi dedicada a Santa Teresinha. Fui encarregado da pastoral do Porto de Vitória (hoje cidade) e da paróquia São Francisco Xavier, distante três horas de barco de Vitória do Xingu. Precisava de um barquinho. Dei-lhe o nome de "Teresinha"! Hoje a paróquia dispõe de um barco maior, mas o nome continua o mesmo. Fiz tantas viagens no "Teresinha"!
Os anos passaram. Em 31 de outubro de 1980, fui chamado pelo Núncio Apostólico. Pediu-me que fosse a Nunciatura quanto antes possível. Embarquei para Brasília sem saber o motivo da viagem. O Núncio D. Carmine Rocco me recebeu no dia 3 de novembro, pouco antes do meio-dia. Foi logo ao assunto e entregou-me uma carta. Insistiu que a lesse imediatamente. Era a nomeação para bispo. Sofri um choque violento! Tremi nas bases! Eu? Por que não outro? O Núncio me explicou que o Santo Padre confiava no meu 'sensus ecciesiae' e que eu deveria aceitar, já que na consulta que havia feito como clero, com religiosas e leigos do Xingu, a indicação caía sobre mim.
Thérèse mais uma vez estava, agora "oficialmente", no meu caminho! Assumi como lema de meu episcopado "Servo de Cristo? Jesus". O povo do Xingu se preparou para o grande dia da minha ordenação episcopal, dia 25 de janeiro de 1981. Fizeram um enorme palco diante da Catedral do Xingu, pois o povo esperado de todas as paróquias jamais iria caber na catedral. O dia 25 amanheceu com chuva. Choveu fortemente a noite inteira, sem interrupção. Os bispos e responsáveis pela liturgia tomaram a decisão de transferir as cerimônias para dentro da catedral. Ainda bem que queriam ouvir também a minha opinião. Respondi: "Será ao ar livre! Já fiz um acordo com Santa Teresinha". Riram de mim, mas aceitaram! Ás sete e meia a chuva parou. Formou-se a procissão até o palco. A cerimônia começou as oito e durou até as dez horas. Mas eu ainda queria algo mais, não, apenas que parasse de chover! Lembrei-me da neve no dia da tomada de hábito de Thérèse. Também eu queria a "delicadeza" de algum sinal. Confiava na palavra de Thérèse de acompanhar minha missão de bispo com seu amor e sua intercessão, mas queria que ela se manifestasse. Pensei simplesmente que as nuvens, mesmo carregadas, poderiam, pelo menos por um minuto, deixar passar alguns raios de sol. Tempo de chuva, nuvens escuras, céu fechado' Como esperar raio de sol? Mas vieram! De repente, pelo espaço de talvez três minutos, alguns raios rasgaram as nuvens e nos saudaram. Sabia que era ela! Thérèse! Logo o céu se fechou de novo. A cerimônia chegou ao fim. A primeira bênção do bispo ordenado! Mal havia terminado de abençoar o povo, o cerimoniário gritou pelo microfone: "lá vem chuva! Procurem abrigo!". Chuvas torrenciais voltaram a cair e não pararam mais até a noite daquele dia da minha ordenação de bispo. Thérèse "cumpriu sua parte" Ela será a padroeira da minha missão episcopal.
Comecei a visitar as comunidades em todas as partes da imensa prelazia. Posso exclamar como São Paulo; "não temos mais morada certa!" (ICor 4,11). Viajo de barco, de jipe, de avião, mas vou também a pé, onde não há estrada nem rio. Aprendi muito e descobri o sofrimento do povo simples.
Numa dessas viagens para as aldeias indígenas, voltando de Tucumã para Altamira, aconteceu um fato que nunca mais esquecerei. Antes de embarcarmos em Tucumã, o bispo-irmão, que também é piloto, me dizia que havia pouco tempo tinha feito em Goiânia uma revisão completa do monomotor. Decolamos rumo a Altamira, à distância de aproximadamente duas horas de vôo. Quando o altímetro indicou uns cinco mil pés, começamos a sobrevoar mata cerrada na região das cabeceiras do rio Bacajá. Olhei para baixo admirando a mata virgem, os ipês em flor. a floresta ainda do mesmo jeito como Deus a plantou. De repente, o motor começou a falhar, a hélice girava cada vez mais devagar, até parar por completo. Olhei para o piloto e notei que ficou assustado, nervoso, pálido. Não falou nada! Estávamos a beira da morte! Mesmo se escapássemos com vida da queda, naquele lugar é inóspito de mata fechada nunca ninguém nos teria achado. Mas essa análise eu só fiz depois. Na hora da morte iminente gritei para Thérèse: "Tu és a padroeira dos missionários! Por favor, mostra-nos agora o que sabes fazer!" Por incrível que pareça, após três minutos, que durou uma eternidade, o motor voltou a funcionar. Do fundo do meu coração, falei: "obrigado, Thérèse! Vou contar este milagre por onde eu andar. Jamais te esquecerei. Subimos a oito mil pés e, bem distante no horizonte, apareceu o majestoso Xingu, com suas cachoeiras, seus lagos e ilhas. Depois de mais meia hora aterrissamos sãos e salvos em Altamira. Contamos o que nos aconteceu em pleno vôo. O mecânico de aviação do Aeroporto de Altamira abriu, então o capo do aviãozinho, e colocando as mãos por cima da cabeça disse; "Meu Deus, vocês estão vivos? O motor está com um tremendo defeito!”. Primeiro gelei, mas logo fiquei com o meu coração em chamas, pois ouvi da boca do mecânico a confirmação de que Thérèse havia operado um milagre!
O Cardeal Aloísio Lorscheider veio até o Xingu para pregar um retiro espiritual, e como eu sabia que meu nome estava sendo cogitado para presidente do Conselho Indigenista Missionário, organismo anexo à CNBB que coordena a nossa atividade pastoral junto aos quase cento e oitenta povos indígenas que ainda existem no Brasil. Perguntei a D. Aloísio o que ele pensava disso e o que eu devia fazer. Ele imediatamente reagiu e disse que deveria aceitar a bem da Igreja no Brasil. Fui eleito e durante oito anos, de 1983 a Í991, exerci o cargo. (...) Não tive mais sossego. Nosso empenho em favor desses povos não agradou a todos, especialmente não recebeu aplausos dos que queriam ocupar as terras indígenas e explorar as riquezas de nossa terra. (...) Em agosto de 1987, um jornal de grande circulação no Brasil iniciou uma virulenta campanha de difamação. Fomos caluniados do modo tão torpe, que nem sequer vale a pena citar as acusações levianas. Imediatamente, foi constituída uma Comissão Parlamentar Interministerial de Inquérito para apurar a veracidade das acusações gravíssimas. A trama foi descoberta, mas nem por isso cessaram as hostilidades. Quando esperava ser chamado a Brasília para me defender diante da Comissão, em nome do Conselho Indigenista Missionário da CNBB, repudiar todas as acusações, aconteceu um acidente na Estrada Transamazônica, Dirigia-me a Brasil Novo, para celebrar a Santa Missa, no Copo da ladeira, meu carro foi propositadamente abalroado por um caminhão. O Pé. Salvador, missionário xaveriano, nascido na Sardenha, de 31 anos, estava sentado ao meu lado e Ceve morre instantânea. Eu quebrei os ossos do nariz e da face, perdi os dentes e fraturei varias costelas, mas escapei com vida. Por seis semanas fiquei hospitalizado. Durante 33 dias só pude alimentar-me através de um canudinho. Minha vida, de repente, entrou numa fase de intenso sofrimento. Passei muitas noites sem dormir e com dor. (...) “no acidente vi a morte diante de mim. Ma s não foi uma pálida caveira. Eu vi a face ensanguentada de Nosso Senhor. A experiência do dia 16 de outubro de 1987 fez-me meditar horas e horas sobre nossa missão e nossas atividades pastorais. Lembrei-me de que o núcleo dos Evangelhos não foram os sermões e os milagres de Nosso Senhor, mas sim a sua Paixão, seu sofrimento, sua morte na cruz, e depois, a alvissareira notícia da manhã da Páscoa; Verdadeiramente o Senhor ressuscitou!
Naqueles dias intermináveis no Hospital Guadalupe, em Belém, Thérèse velava a meu lado! Falei com ela, e ela me ouviu! Meu estado não permitia que rezasse o breviário. Rezei tantos rosários! Quando as dores pareciam insuportáveis, lembrei dos últimos meses de sofrimento de Thérèse, de sua imensa coragem e de sua entrega. Descobri a dimensão do sofrimento. Sofrendo dores atrozes, comecei a compreender Thérèse muito mais do que antes!
Depois de dois meses em Belém, voltei ao Xingu. Aos poucos recuperei as forças e, mesmo com alguma dificuldade no início, voltei a visitar as comunidades ao logo dos rios e igarapés.
Em 1995, na Assembléia Geral da CNBB fui eleito responsável pela Dimensão Missionária da Igreja no Brasil. Esta função exerci também por oito anos, até 2003. E Thérèse novamente me acompanhava. Falei várias vezes ao episcopado brasileiro em que consiste a "missionariedade" de nossa Igreja. Conclamei a Igreja para a missão da Amazônia, que se tornam 'ovelhas sem pastor' porque não há ' missionários suficientes para atendê-las. Minhas palavras aos bispos foram sempre de apelo ao espírito missionário, e Thérèse sempre me inspirou.
Passei, como todos os anos, o Natal e o Ano Novo com as comunidades do Baixo Xingu. Nas longas viagens de barco, li mais uma vez uma meditação de Santa Teresinha que termina com uma alusão á prometida "chuva de rosas". Enquanto viajava pelo maravilhoso Xingu de águas verde-esmeralda, terminei a leitura e pedi a Thérèse que se lembrasse de nossa realidade tão difícil e conflitiva. Falei a ela: "minha querida, está na hora de enviar mais uma rosa!". Quando cheguei em casa, abri a porta de meu quarto e qual foi minha surpresa: ao lado do quadro de Thérèse na estante uma grande e linda rosa vermelha! Nunca antes alguém colocou flores no meu quarto...

Dom Erwin Krautkr, missionário do Sangue de Cristo, nasceu em 1939 em Koblach, Áustria. Há mais de 40 anos trabalha como missionário na Amazônia, é presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

ENCONTRO DOS FRADES ESTUDANTES CARMELITAS DESCALÇOS

VIDA CONSAGRADA: VALORIZAR VOCAÇÃO DE IRMÃO LEIGO




O cardeal Rodè anuncia dois novos documentos

ROMA, quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- A figura dos irmãos leigos “deve ser valorizada na Igreja”, declarou o cardeal Rodè, que destacou também “a absoluta necessidade da oração” e da “formação litúrgica”.
A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica está preparando dois novos documentos sobre estes temas, anunciou hoje seu prefeito à Rádio Vaticano.
O cardeal Rodè explicou que um dos documentos trata sobre os irmãos leigos e sua publicação está prevista para o próximo outono boreal; o outro fala da oração e da formação litúrgica dos religiosos e religiosas.
“Ultimamente, temos refletido sobre a figura do irmão leigo nas congregações religiosas de irmãos e nas congregações mistas de sacerdotes e irmãos”, indicou no Dia Mundial da Vida Consagrada, celebrado ontem.
“Constatamos que, nas últimas décadas, o número de irmãos leigos diminuiu muito”, disse.
“E isso afeta igualmente as congregações mistas de sacerdotes e de irmãos: o número de irmãos diminuiu muito mais que o de sacerdotes. Existe um problema e é preciso fazer alguma coisa.”
O chamado a ser irmão leigo
O cardeal Rodè destacou a ausência de documentos sobre esta vocação. “Pensamos que uma das razões desta diminuição de vocações de irmãos leigos é justamente certa falta de atenção, por parte da Igreja, a esta figura de cristão consagrado, de irmão leigo”, disse.
“Queremos fazer um documento dedicado especificamente a esta figura do irmão leigo, que é uma figura autônoma, uma figura que tem sentido em si mesma, que tem uma identidade própria”, afirmou.
O cardeal Rodè destacou a especificidade deste chamado de Deus: “Um irmão leigo não é – como se pensa frequentemente e como as pessoas acham – alguém que não pôde ou não quis, por algum motivo, ser sacerdote”.
“Trata-se de uma vocação que tem uma lógica em si mesma, que tem uma missão particular na Igreja – acrescentou – e a história demonstra isso.”
A importância da oração
Com relação ao outro documento, sobre a importância da oração, o cardeal indicou que “alguns dizem que os religiosos e religiosas de hoje rezam muito pouco” e destacou que “hoje, em um mundo tão agitado, a oração se torna, sem dúvida, mais difícil”.
“Devemos acentuar a absoluta necessidade da oração na vida espiritual de um consagrado e de uma consagrada”, acrescentou.
Colaborar com o dicastério encarregado da liturgia
O prelado explicou que o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Antonio Cañizares, sugeriu-lhe elaborar um documento “interdicasterial”.
Uma primeira parte estaria confiada ao dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; e uma segunda, ao Dicastério para o Culto Divino, sobre a formação litúrgica de religiosos e religiosas.
O cardeal Rodè considerou isso “de uma grande importância, porque, por um lado, há certa ignorância, certa falta de conhecimento e de formação litúrgica dos jovens religiosos e religiosas”.
“Por outro lado – continuou –, também existem fantasias litúrgicas que nem sempre são de bom gosto e que não correspondem ao desejo e à vontade da Igreja e ao próprio espírito da liturgia.”

Na Holanda Congresso sobre Juventude e Religião




Corresponde: Fr. Luciano Henrique, ocd

O Conferentiehotel “Kontakt der Kontinenten” localizado na cidade de Soestenrberg – Provínvia de Utrecht – Holanda, acolheu nos dias 29 e 30 de janeiro de 2010 um grupo de aproximadamente 70 pessoas para um congresso sobre “Juventude e religião”. Um encontro especialmente voltado a “Geestelijk bedienaren”, isto é, ministros religiosos que vivem e trabalham em território holandês. Pessoas de todas as partes do mundo. Líderes de diversas confissões religiosas. Padres, imãs, pastores(as), mestres, religiosos e religiosas, etc. Um verdadeiro encontro ecumênico e inter-religioso.
Como o cerne da nossa temática era «Juventude e religião», refletimos então sobre vários pontos nesta mesma linha, a saber :
• O papel que a religião desempenha na vida dos jovens;
• As necessidades desses jovens no campo da religião;
• Em que medida as igrejas, templos, mesquitas e sinagogas podem responder a essas necessidades;
• Qual seria o papel dos ministros religiosos para os jovens na sociedade hiper-moderna holandesa;
• Qual seria o papel que os ministros religiosos poderia desepenhar para a redução da distância entre o mundo das famílias (pais, avós, muitas vezes tradicionais) e da sociedade;
• Possíveis perspectivas de ação.
Responsáveis para iluminar todo o congresso com palestras e relevantes colocações foram: o professor Dr. Mohamed Ajouaou, o pastor anglicano Dr. Martin Tensen. Essas duas figuras abriram o congresso com a temática “Juventude e religião”. O primeiro, numa perspectiva islâmica e, o segundo, numa ótica cristã. Também tivemos a contribuição de Monieque van Dijk, doutora em Sociologia da religião e professora da Pontifícia Universidade Católica de Tilbug que nos brindou com uma maravilhosa palestra sobre “Jovens e integração”. Para enriquecer o congresso também tivemos oficinas tematizadas. Quatro no total. Nessas oficinas tínhamos oportunidade de escutar sobre esperiências, iniciativas e projetos de jovens que trabalham diretamente com outros jovens. Aqui em pequenos grupos podíamos interagir mais. Coordenado a primeira oficina estava a joven Fátima Lamkharrat, islamita nascida no Marrocos e que trabalha em um projeto com a juventude em Rotterdam. A segunda oficina estava a cargo de Maurits Klunder, holandês que trabalha na Pastoral da Juventude na Diocese de Haarlem e também coordena o projeto para jovens «DiaconAtion» em Amsterdam. A terceira oficina foi auxiliada por Recep Konuksever, islamita holandês que trabalha em um projeto inter-religioso para jovens em condição de risco. Na quarta oficina o joven holandês Wouter van der Zeijden falou-nos sobre seus trabalhos com a juventude numa linha mais social. Logo após todos esses trabalhos abrimos uma plenária no auditório-mor onde discutimos, partilhamos e pudemos fazer uma síntese de todo o congresso.

O que ficou marcado para nós? Quais foram os ecos de um escontro tão heterogênio e especial como este que tivemos? VALEU A PENA! Também gostaria de dizer que foi com espírito de abertura, respeito e alegria que frei João de Deus e eu participamos deste evento. A inpressão que já tinha daqui foi confirmada no congresso. Em primeiro lugar, a Holanda mais do que outros lugares, é um país «PLURAL»: pluri-cultural, pluri-etnico, pluri-religioso, etc. Também é desafiante trabalhar com a juventude. Entre Juventude e religião, percebe-se uma relação ‘desgastada’. Aqui muitos jovens estão entre as duas culturas. A cultura e religião de seus pais versus a cultura da Holanda. A maioria pensa diferente sobre a religião de seus pais. A maioria define religiosidade como liberdade e sincretismo. Esse é um dado! Contudo encontramos inúmeros jovens inseridos no mundo religioso institucionalizado. ainda vão às igrejas, mesquitas, templos, etc. Alguns ainda estão dispostos a orar, rezar, meditar e trabalhar juntos aos seus líderes religiosos por um mundo mais pacífico, justo, solidário, humano, etc. Como “Geestelijke bedienaar”, creio que serão esses jovens os nossos suportes para um trabalho pastoral mais efetivo com a juventude. Presisamos nos unir, ousar e sermos criativos. Claro, sem negar ou esquecer nossa idendidade e doutrina. Vale ressaltar que além de buscarmos aprender bem o idioma holandês, necessitamos, e com urgência, aprender a linguagen dos jovens que aqui vivem. Peçamos a Deus força e ânimo para essa empreitada. Assim seja!

Fraterno abraço,
Frei Luciano Henrique, OCD
Handel-Holanda.

Abertura do Postulantado em Paranoá - DF







No dia 2 de Fevereiro, festa da Apresentação do Senhor, iniciamos oficialmente o postulantado na comunidade Beata Elisabete da Trindade. Os nossos jovens postulantes já se encontram na casa desde o fim de Janeiro, acostumando-se com as instalações e aos poucos foram organizando sua vida em preparação para a vivência na nova casa. São cinco postulantes: Washington (Natal – RN), Davi (Rio Pomba – MG),
Emanuel e Helder (ambos de Três Pontas – MG) e José Augusto(Itapetininga – SP).
A casa contou com a presença de fr. Francisco Sales e fr.Edglê, ambos da casa de Travessão de Campos, além do padre provincial, fr. Alzinir.
Os postulantes e os frades, após o almoço e descanso,jogaram uma partida de futebol no gramado do convento, em clima de descontração. No fim da tarde, portanto, houve a celebração eucarística para dar início à etapa a qual estes jovens continuarão a aprender e discernir sua vocação carmelitana e assim continuar a
responder com fidelidade ao chamado que o Senhor lhes faz e nos faz quotidianamente.

Frei Hudson

Encontro dos Frades Estudantes do Carmelo Descalço

O Frei Fábio faz parte da organização do encontro e nos fala daquilo que se almeja com este tempo de formação humana, afetiva, intelectual, oracional, ou seja, formação para a vida daqueles que escolheram o Carmelo Teresiano como família.

ENCONTRO DOS FRADES ESTUDANTES - 18/01/2010



No primeiro dia recebemos a Sra. Maria Aparecida Brandão, mestre em psicologia pela Puc-Sp. A Sra. Maria Aparecida é clinica pericial, acompanha a formação do Juniter da CRB do ano de 2007 a 2010, é ainda supervisora pedagógica e trabalha com terapia de grupo(teoria e prática). Durante três dias será trabalhado as relações interpessoais e a vida comunitária.

ENCONTRO DOS RELIGIOSOS CARMELITAS DESCALÇOS 2010







Está sendo realizado no Centro Teresiano de Espiritualidade em São Roque-SP, o encontro dos frades carmelitas descalços que estão em formação, estudantes de filosofia e teologia. Este ano se fizeram presentes os frades das províncias brasileiras do sudeste e sul e ainda, frades do Paraguai, Uruguai e Chile. No dia 17 o encontro foi aberto com a celebração da Santa Missa prisidida pelo Frei Alzinir, padre-provincial da Provínica São José(sudeste), na ocasião estiveram presentes alguns membros da Ordem Secular da cidade de São Roque.

NOVO CD CARMELITANO

Caríssimas Irmãs e Irmãos no Carmelo

Só Deus basta!



Todos nós, no Carmelo, estamos a preparar-nos para celebrar com júbilo o V Centenário do nascimento da nossa Santa Madre.
A Fraternidade Stella Maris do Carmelo Secular do Porto quis, neste âmbito, dar um contributo para estas comemorações e prestar uma homenagem a Santa Teresa de Jesus.
Durante quase um ano trabalhou-se na concepção, realização, produção e gravação dum CD com as poesias escritos de Santa Teresa, musicados, e algumas músicas de homenagem à nossa fundadora.
O projecto, depois de muitas dificuldades, está concluído. O CD intitulado “Só Deus basta” (Santa Teresa de Jesus) está agora à disposição de todos.

Parte das músicas são da autoria dum nosso irmão e conta também com duas belíssimas poesias duma nossa irmã.
É um CD contemplativo, fruto de oração e um subsídio para a oração. Na sua simplicidade, e quase pobreza, tem como objectivo conduzir as almas para o mergulho no Absoluto.
Desejamos que o CD, com as suas músicas e poesias, seja do agrado de todos e que nos ajude a bem preparar para o Centenário e a divulgar a espiritualidade desta grande mulher e grande santa.

O CD está disponível mediante pedido às Edições Carmelo (Convento de Avessadas). Esperemos que todas as irmãs e irmãos o adquiram e o divulguem entre familiares, amigos e benfeitores.
Pedia a caridade de nos fazerem chegar as vossas apreciações sobre o CD por email ou por correio postal (para o meu email ou endereço).
A todos votos de um Santo Natal cheio das maiores bênçãos do Deus Menino.

Com saudações fraternas.

Vosso em Jesus,

António José Gomes Machado, ocds.

COMUNICAÇÃO DO DEFINITÓRIO GERAL


Estimados Irmãos e irmãs: paz!

Desejando que esta os encontre nas alegrias e esperanças do Natal e Ano Novo, encaminho-lhes a comunicação do Definitório (n. 3) e peço que as deem a conhecer aos confrades, mosteiros da Associação e comunidades OCDS.
Um abraço.
Frei Alzinir


Roma, 3 de janeiro de 2010

Aos Provinciais, Comissários,
Delegados Gerais e Vigários Regionais

Objeto: Secretariado para a Formação e o Programa para a Formação Permanente

Reverendo Padre,

Saudação!

É, com efeito, um prazer informar-los de que o Definitório Geral decidiu organizar diversos cursos para a formação continuada de nossos frades através do secretariado para a formação. Assim, como a formação inicial, talvez seja o mais importante e urgente a necessidade da formação permanente regular de nossos irmãos, especialmente nas regiões onde a Ordem está crescendo e é muito jovem e vital. Com o olhar direcionado para isto, tivemos que decidir sobre os meios adequados para a consolidação e a maturação progressiva dos frades em sua vida carmelitana e sacerdotal, incluindo fazendo sacrifícios optando pela eficácia duradoura da missão mais que resultados impressionantes e transitórios. Por tanto, se solicita urgentemente sua cooperação neste assunto.

Alguns dos programas que estamos planificando são os seguintes:

1. Um Curso de Renovação Carmelitana Bíblica (CBRC) em Stella Maris, Haifa para os grupos entre 40 e 60 anos de idade, em espanhol, italiano, francês e inglês, segundo o número de participantes.
2. Um Curso especial para os mestres de noviços no CITES, Ávila (idioma: espanhol?).
3. Um Curso regular de formadores na Índia para Ásia e África, especialmente para as regiões de língua inglesa. Com a orientação do Definitório Geral o Centro da Índia de Formadores asiáticos carmelitas (ACFCI) funcionará em colaboração com a Conferência Inter-Provincial da Índia (IPCI) e organizará um Curso básico para Formadores, Curso para Diretores Espirituais, Curso para Superiores, etc. de três meses de duração, utilizando as estruturas já existentes e explorando os ricos recursos humanos disponíveis na Índia. Deseja chamar a atenção de modo especial a este respeito aos Superiores Maiores das zonas anglófonas (áreas de língua inglesa) da Ásia e África.
4. Em vista da atualização dos arquivos da Secretaria para a Formação, o P. Johnson Perumuttath, Secretário, pediu diversos dados. Solicita-se fraternalmente sua cooperação.

Espero suas respostas, comentários, reações e sugestões para esta informação a fim de estruturar os programas de maneira mais concreta.

Com saudações fraternas,



Fr. Augustine Mulloor OCD
Definidor Geral encarregado da Formação.

EPIFANIA DO SENHOR



“Os Magos tem também para nós um significado especial. Mesmo que já pertençamos à Igreja visível, percebemos muitas vezes a necessidade in terior de superar os limites das concepções e costumes herdados. Conhecíamos aDeus, porém sentíamos que Ele queria ser buscado e encontrado de uma maneira nova. Por isso buscamos uma estrela que nos indique um caminho reto. Esta estrela manifestou-se na graça de nossa vocação. Nós a seguimos e no final do caminho encontramos o Menino divino. Ele estendeu suas mãos para receber nossos dons e esperava de nós o ouro de um coração libertado dos bens terrenos, a mirra da renúncia à felicidade deste mundo, para receber em troca a parte da vida e dos sofrimentos de Cristo, e finalmente, o incenso de uma vontade com altas aspirações, que se entrega totalmente, para submeter-se à vontade divina. Em troca destes dons, o Menino divino entrega-nos sua própria vida.

Este admirável intercâmbio não foi sem dúvida o único. Ele plenifica nossa vida inteira. Depois da hora solene da nossa entrega nupcial, seguiu-se o afazer cotidiano da vida religiosa. Tivemos que «voltar ao nosso país de origem», mas «por outro caminho», conduzidos pela luz nova que havia iluminado aquela hora solene. Esta luz nova exige também que busquemos com novos olhos. «Deus se deixa buscar», disse Santo Agustinho, «para deixar-se encontrar. E Ele se deixa encontrar para que possamos buscá-lo novamente». Depois de cada hora marcada pela graça, temos a impressão de que começamos a compreender nossa vocação. Por isso, o fato de renovar cada ano nossos votos responde a uma profunda necessidade interior e tem especial importância que o façamos no dia da festa dos três Reis Magos, cuja peregri nação, e adoração ao Menino é um modelo para nossa própria vida. O Menino divino responde a cada uma das renovações de nossos votos, feitas com sinceridade de coração, com uma renovada aceitação de nossa vida numaíntima comunicação interior. Esta aceitação representa, por sua parte, uma nova e silenciosa ação da graça em nossa alma. Quem sabe expressa-se inclusive, numa «epifania», numa revelação da obra de Deus em nossa conduta exterior e em nossas ações, que até possam ser percebidas à nossa volta. Mas pode ser também que produza frutos que permaneçam ocultos aos outros, dos quais brotam fontes misteriosas de vida.
Vivemos hoje numa época que necessita urgente mente de uma renovação a partir das fontes escondidas das almas intimamente unidas a Deus. Há muita gente que tem suas últimas esperanças postas nestas fontes da salvação. Esta é uma admoestação muito séria: de cada um de nós se exige uma entrega total ao Senhor que nos chamou, para que possa ser renovada a face da terra. Numa total confiança devemos abandonar nossa alma às inspirações do Espírito Santo. Não é necessário que experimentemos a «epifania» de nossa vida, e sim que temos que viver na certeza da fé de que, o que o Espírito de Deus faz de forma es condida em nós, produz seus frutos no reino celestial. Nós os veremos na eter nidade.
Desta maneira queremos apresentar ao Senhor nossas oferendas e as depositamos nas mãos de sua Mãe. Este primeiro sábado foi consagrado especialmente ao seu nome e nada pode significar para seu coração uma alegria maior que a entrega cada vez mais profunda de nosso coração ao co ração de Deus. Além disso, ela intercederá ante o Menino no presépio, para que tenhamos santos sa cerdotes e para que suas obras sejam plenas de bênçãos. Esta é a petição que este sábado sacerdotal exige de nós e que a Mãe de Deus colocou em nosso coração como elemento essencial de nossa vocação carmelitana.”

(Trecho de Edith Stein, Epifania. Escrito provavelmente a 6 de janeiro de 1940. Trad. Fr. Alzinir).

Comunidade de Handel visita famílias no Natal





Neste Natal oferecemos a toda a Paróquia a visita dos frades para a bênção natalina das casas e das famílias.
A graça de Deus nos acompanhou de perto e nos abençoou a tal ponto que ficamos surpresos com tamanha aceitação e adesão do povo no momento das visitas.
Depois de obter o endereço do pessoal nós ligávamos e marcávamos o horário mais viável pra eles. O pessoal nos recebia com alegria, mas também um pouco desconfiados, o que é fácil de se entender.
Na bagagem levávamos um CD de músicas natalinas orquestradas e pedia para eles colocarem no aparelho; levávamos também uma vela e eles próprios acendiam e colocavam diante do presépio ou da árvore de natal.
A essa altura, já dava um clima diferente na casa, e todos se aproximavam com prazer diante do presépio ou da árvore de natal. A benção tinha como tema:
DO CORAÇÃO DA CASA PARA O CORAÇÃO DE DEUS
(van het hart van het huis naar het hart van God).
Era feita uma pequena explicação do porquê daquele tema, e já era suficiente para eles aderirem com todo o coração diante da proposta.
Chamou-nos muito a atenção das casas onde havia crianças, e várias vezes percebemos a oração em família era uma novidade para elas. Em muitas casas as crianças tomavam a iniciativa e sentavam em volta do presépio, os pais faziam o mesmo e nós com alegria nos sentávamos com eles. Aquele pequeno momento tornava-se momento de graça para todos nós e inesquecível para mim e tenho certeza que para eles também.
Até hoje visitamos 36 famílias de Handel, e há ainda muitas famílias aguardando a bênção natalina. Com o espalhar das vozes da visita dos frades os pedidos vão chegando.
Várias pessoas admiradas diziam: mas isso é novo aqui em Handel? Eu nunca ouvi falar de bênção de casa/de presépio/ de família... nunca um padre visitou a minha casa.
Nos convidavam para voltar, dizendo que as portas da casa estavariam sempre abertas para nós...
O Fr. Luciano acompanhou a grande maioria das visitas e também ficou animado com essa simples iniciativa.
Temos certeza que através dessas visitas, caminhos largos foram abertos para nós no campo pastoral. Pensamos muito nos jovens daqui... e vamos até eles começando pelas crianças que estão já se aproximando da igreja. Estamos pensando em aproveitar o mês de maio, bem celebrado por aqui, e a valorização do imaginário da realeza impresso na cultura local, para fazer uma coroação de N. Senhora no último domingo do mês de maio.
Se for plano de Deus queremos envolver o máximo de crianças nesse evento. E quem sabe, no mês de outubro, mês missionário, dará para fazer algo mais específico com a galera jovem?
São planos... que estão em nossas orações. Rezemos também nessas intenções.
Um abraço com muita neve e frio!

Fr. João de Deus, ocd

S. Rafael Kalinowski e a devoção ao Menino Jesus





S. Rafael Kalinowski, como bom carmelita teresiano que era, não podia deixar de alimentar uma devoção especial ao Menino Jesus; uma devoção transmitida por uma sã tradição da Ordem e uma devoção estimada e actual nos nossos dias; uma devoção que transporta tantos frutos de maturidade espiritual e de santidade às pessoas.
A origem desta devoção ao mistério da Incarnação de Jesus e à infância do Senhor encontramo-la no nosso Santo no tempo em que, condenado a trabalhos forçados durante dez anos na Sibéria, fazia a sua viagem para este seu terrível destino. Esta viagem, iniciada nos fins de Junho de 1864 e terminada após longos nove meses, começou em comboio, depois em navio a vapor no rio Volga, seguindo depois em “kibitki” (carros puxados a cavalo) e finalmente a pé. Em Dezembro de 1864 chegou à cidade de Tomsk, onde permaneceu alguns dias. Foi ali que, por ocasião do Natal, S. Rafael, às primeiras horas do dia, se pôde recolher na igreja. Este acontecimento – como rezam as suas “Memórias”– trouxe-lhe “uma grande alegria”. E continua, no próprio dia do Santo Natal, para adorar o Pequeno Reizinho, o Santo Menino Jesus que vem até nós, “não fugindo ao frio que fazia na igreja, participou na Santa Missa: três por si e três por um amigo da mesma aventura, doente de tifo e em perigo de vida”. E não ficou desiludido! O amigo, Casimiro Laudyn, curou-se e ficaram amigos por muitos anos de vida. S. Rafael confessa, que quando entrou nesta igreja católica de Tomsk, e quando ouviu o som do órgão, não conseguiu reprimir umas silenciosas lágrimas. Este era um Natal diferente, um encontro único com o Menino Jesus na manjedoura, um encontro único com o Senhor na Eucaristia.
Conhecemos a descrição de um outro Natal siberiano do nosso Santo. É a de um seu amigo da aventura, o futuro capuchinho P. Wenceslao Nowakowski, no opúsculo “Wilia w Usolu roku 1865” (A vigília de Natal em Usole no ano de 1865). O opúsculo, publicado em Cracóvia no último decénio do século XIX, testemunha a grande estima que S. Rafael gozava entre os companheiros da mesma aventura: no discurso natalício, que ele próprio fez, falou do Menino Jesus, da pobreza e perseguição revelados no nascimento e na fuga para o Egipto, que vinham ajudar e dar coragem a todos os pobres e deportados da terra. Todos quiseram manifestar ao Santo a sua alegria e partilhar com ele o oplatek (o pão branco do Natal), que evoca o significado etimológico do nome dioe Belém (Bet-lehem: a casa do pão) e prefigura simbolicamente o nascimento quotidiano na Hóstia santa sobre o altar. A tradição polaca da partilha do oplatek pelo Natal ainda permanece viva entre os polacos.
Por isso, o carmelita descalço, S. Rafael venerava o Menino Jesus com este amor que reveste a Ordem e o legado ao Santuário do Divino Reizinho em Praga. Desejava que o seu coração fosse um trono digno para o Menino Jesus e na sua actividade pastoral incutia os outros a fazerem o mesmo. Citamos um dos seus textos espirituais: “Naquelas velhas imagens, uma chama-me particularmente a atenção: o Menino Jesus espera docemente, porque quer encontrar uma digna morada no coração humano. Para começar, é o nosso próprio Salvador que arruma o nosso coração, purifica-o, fortalece-o e adorna-o com a sua graça; por fim, o Divino Menino entra nele e encontra uma morada agradável”. A seguir S. Rafael acrescenta: “Menino Jesus perdoa os pecados do homem, e dá-lhe força para que se possa revestir de virtudes; concedei-lhe as vossas bênçãos”. E, de facto, é o que está acontecer, porque Ele “quer que o coração do homem seja um altar da Sua presença: Altare Dei, cor nostrum”.
Foram estes os votos que S. Rafael fez ao concluir uma conferência espiritual às carmelitas descalças, também elas devotas do Menino Jesus de Praga: “Que o Menino Jesus se apodere das vossas almas, para que possais cantar já na terra juntamente com os anjos: Glória a Deus nas alturas, e depois o possais ter no céu para sempre! E que tudo se faça por intercessão da Sua santíssima Mãe, a Virgem Maria”.
Nota:
Frei Rafael foi beatificado por João Paulo II, em Cracóvia, no dia 22 de Junho de 1983 e canonizado também por João Paulo II, no dia 17 de Novembro de 1991. José Kalinowski nasceu em Vilnius, actual capital da Lituânia, no dia 1 de Setembro de 1835 e morreu no dia 15 de Novembro de 1907.