TERÇO DOS HOMENS NA PARÓQUIA DO CARMELO

O Terço dos Homens, inicialmente, era chamado de Terço de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foi fundando pelo Frei Peregrino em 1936, na Vila Providência, hoje a cidade de Itabi, interior de Sergipe. O primeiro grupo reunia cerca de 200 homens. Atualmente, este movimento está espalhado por todo o País. Há pouco tempo, foi fundando na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, dos Frades Carmelitas Descalços, em Belo Horizonte, MG.

Devido a sua importância, tem a supervisão da CNBB. Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora, é o responsável pelo cumprimento das Diretrizes da CNBB em todo o Brasil.

Fizemos um vídeo com o Terço dos Homens da Paróquia do Carmelo.

TESTEMUNHO VOCACIONAL

Frei Marcos Matsubara, ocd


ESBOÇO BONITO E INACABADO

Sinto-me constrangido em dar meu testemunho vocacional. Toda vez acontece isso... É como se pedissem que eu mostre um desenho que ainda não foi concluído. Embora as linhas mestras traçadas inicialmente sejam capazes de prenunciar o bom (ou mau) êxito da obra, nada melhor que a arte final para revelar todo o esplendor do trabalho artístico. Mas a grande verdade é que sinto minha vocação como algo inacabado: um esboço bonito, mas ainda sim um esboço e não um desenho completo. Como falar de algo que ainda está em processo de conclusão? Não seria temerário falar de algo nessas condições?

Todas as vocações me parecem um grandioso mistério. E, no meu caso, esse mistério parece multiplicar-se.

Nunca entendi por que, afinal de contas, Deus resolveu buscar-me em casa. Se já era suficientemente complicado explicar minha conversão à fé católica para meus familiares (budistas), imagine a batalha interna que aconteceu dentro de mim que se acenderam as primeiras luzes do sonho de ser religioso. Foi muito difícil contar para minha mãe que eu estava decidido a ingressar no seminário. Vi tanta decepção no olhar cansado dela. Sei que eu era sua esperança, sei que frustrei seus últimos sonhos e que minha família precisava muito de mim. Minha ausência fez a diferença em casa. Tantas vezes pedi perdão em minhas orações por não ter podido realizar aquilo que esperava de mim.

Mas senti uma força irresistível me empurrando para a Vida Religiosa. Fiquei absolutamente fascinado com a possibilidade de viver o ideal da Vida Fraterna. Viver em comunidade nem sempre é fácil. Houve momentos em que o peso dos conflitos e das tensões pareceu-me cruel e insuportável. Acho que foi Deus que, vendo a minha extrema fraqueza, teve pena e me fortaleceu quando deparei com as cruzes. Mas eu seria ingrato se decidisse que tudo foi difícil. Pelo contrário, sinto-me “escandalosamente” privilegiado por Deus: pelos amigos que ele me deu, pelos dons que recebi, pelos inúmeros acontecimentos que revelam a sua graça... e porque foi aqui no Carmelo que me descobrir como gente, como filho amado (apesar dos meus limites) e aqui pude provar um pouco do sabor do céu, a partir da experiência de amizade, solidariedade, amor, trabalho, cansaço, alegria, tudo o que é sinal da misericórdia divina.


NOSSA SENHORA DO CARMO




A Sagrada Escritura exalta a beleza do Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a pureza da fé de Israel em Deus vivo. Aí, junto à fonte que tomou o nome do profeta, estabeleceram-se, pelos fins do século XII, alguns eremitas que construíram um oratório em honra da Mãe de Deus, escolhendo-a como padroeira e titular. Consideram-na como mãe e modelo e disto tiveram comprovada experiência: primeiro, na prática contemplativa e, depois, no dom aos irmãos riquezas adquiridas na comunhão com Deus. Por isso, foram chamados “Irmãos de Santa Maria do Monte Carmelo”. A comemoração solene celebrada, em diversos lugares, já no século XIV, propagou-se pouco a pouco, por toda a Ordem como sinal de gratidão dos “Irmãos” pelos inumeráveis benefícios concedidos pela Santíssima Mãe de Deus à “sua família”. (Liturgia das Horas da Ordem do Carmelo Descalço, p. 69).

O ESCAPULÁRIO É ESSENCIALMENTE UM HÁBITO
(Trecho da Carta de João Paulo II ao Carmelo, por ocasião da comemoração dos 750 anos do Santo Escapulário).
No sinal do Escapulário se evidencia uma síntese eficaz de espiritualidade mariana que alimenta a devoção dos crentes, fazendo-lhes sensíveis à presença amorosa da Virgem Maria em suas vidas.
O Escapulário é essencialmente um “hábito”. Quem recebe é agregado ou associado em um grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmelo, dedicada ao serviço da Virgem para o bem de toda a Igreja “(cf. Jr 2,7), e experimenta a presença doce e materna de Maria, no compromisso cotidiano de revestir-se interiormente de Jesus Cristo e de manifestá-lo vivo em si para o bem da Igreja e de toda a humanidade.

Duas, portanto, são as verdades evocadas no sinal do Escapulário: por uma parte, a proteção contínua da Virgem Santíssima, não só ao longo do caminho da vida, mas também no momento de transição até a plenitude da glória eterna; por outra, a consciência de que a devoção a Ela não pode limitar-se a orações e favores em sua honra em algumas circunstâncias, mas deve constituir um “hábito”, como que um tecer permanente da própria conduta cristã, entrelaçada de oração e de vida interior, mediante a frequente prática dos Sacramentos e o concreto exercício das obras de misericórdia espiritual e corporal.
Deste modo o Escapulário se converte em sinal de “aliança” e de comunhão  recíproca entre Maria e os fiéis: de fato, traduz de maneira concreta a entrega que Jesus, desde a cruz, fez a João, e nele a todos nós, de sua mãe, e a entrega do apóstolo predileto e de nós a Ela, constituída como nossa Mãe espiritual.


Também eu levo sobre meu coração, desde há tanto tempo, o Escapulário do Carmo!