sexta-feira, 17 de julho de 2009

17 de julho - Beata Teresa de Santo Agostinho e companheiras


Beata Teresa de Santo Agostinho, Madeleine-Claudine Ledoine, (Paris, 22 de setembro de 1752 — Paris, 17 de julho de 1794) foi uma religiosa carmelita descalça, priora do Carmelo da Santíssima Encarnação, em Compiègne, guilhotinada com as demais religiosas do mosteiro.
A Beata Teresa e companheiras foram beatificadas em Roma, no dia 27 de maio de 1906, por São Pio X. São veneradas pela Igreja Católica como beatas, virgens e mártires. Sua memória é no dia 17 de julho, sendo que no Brasil é celebrada no dia 18 de julho, dado que naquele dia celebra-se a memória dos beatos Inácio de Azevedo e companheiros.
O amor sempre vencerá, o amor tudo pode.


O grupo de religiosas carmelitas lideradas por Madre Teresa de Santo Agostinho era composto por 16 mulheres: 10 monjas, 1 noviça, 3 irmãs leigas, 2 irmãs porteiras.

Freiras Mártires na França - As Irmãs carmelitas de Compiègne

Por Frei Felisberto Caldeira de Oliveira

----------No começo da Revolução Francesa em1789, o Carmelo de Compiégne compunha-se de dezesseis irmãs de coro, três irmãs leigas e duas externas. Madre Teresa de Santo Agostinho, a priora tinha sido eleita em 1786.
----------Os impactos da Revolução começaram a ser sentidos entre as irmãs de Compiège quando sua jovem noviça, Irmã Constância, foi impedida de fazer sua profissão em 15 de dezembro de l789, por causa de um decreto da Assembléia Nacional proibindo expressamente o pronunciamento de votos religiosos na França. Esta proibição da profissão religiosa marcou o começo de uma complexa corrente de acontecimentos que levou à demissão da comunidade de Compiègne.
----------Em 4 e 5 de agosto de l790, a Comissão Distrital do Compiègne chegou ao convento para fazer um inventário de todas as suas possessões e interrogar cada uma das irmãs privadamente sobre suas intenções. Todas as irmãs expressaram o desejo de viver e morrer como uma carmelita.
Em setembro de l792, tudo está perdido para as Carmelitas de Compiègne. Todas as possessões do convento foram confiscadas em 12 de setembro, e, dois dias mais tarde, as irmãs foram forçadas a se retirar. Foram obrigadas a adotar um nome não religioso e não podiam viver mais como uma comunidade. As irmãs divididas em grupos separados moravam em três diferentes endereços, perto da Igreja de Santo Antônio,onde o capelão delas, Abbé Couroube, celebrava a missa para elas.
----------Em 19 de setembro fizeram o juramento Libertè-Egalité a fim de se capacitarem para receber a pensão do governo revolucionário. Nesta oportunidade a Priora propôs um ato de consagração, pelo qual a comunidade deveria oferecer-se a si mesma por todos os males infligidos à Igreja. Este ato de consagração começou a ser conhecido como voto de martírio da comunidade.
----------As Carmelitas foram finalmente transferidas para a infame Conciergerie de Paris em 13 de julho de 1794, permanecendo lá por quadro dia, durante os quais elas celebraram a festa de Nossa Sra. do Monte do Carmo. Nesta ocasião Irmã Julia de Neuville compôs um hino a ser cantado com a melodia da Marseillaise. No dia seguinte as irmãs compareceram diante do Tribunal Revolucionário de Fouquet-Tinville.
----------Dificilmente este poderia ser um tribunal. Não havia advogados, nem testemunhas, e não apresentaram nenhuma evidência. As dezesseis irmãs foram taxadas de “fanáticas`” pelo Tribunal e condenadas à morte por atividades contra-revolucionárias.
----------A Priora pediu ao carrasco o direito de morrer por último, a fim de poder apoiar as suas irmãs. Ela deu a cada uma das irmãs um copo de chocolate. O Oficio dos Mortos foi cantado no caminho do cadafalso, junto com o Miserere, Salve Regina e o Te Deum. Escondido na multidão, padres disfarçados abençoavam as irmãs e silenciosamente pronunciavam a fórmula da absolvição. Aos pés da guilhotina as carmelitas entoaram o Veni Creator renovaram os seus votos. A primeira a morrer foi a noviça Irmã Constance. Finalmente, a priora subiu para a morte com as palavras “O amor sempre triunfará”. Dez dias depois da execução das Carmelitas o Grande Terror terminou.
----------Cem anos depois, por ocasião do centenário do martírio, os Carmelitas decidiram levar avante a causa da beatificação. O processo começou em 28 de junho de 1896 a pedido do Carmelo de Compiègne, que havia sido restaurado em 1866. A Beatificação veio em 27 de maio de 1906. A história das irmãs Carmelitas de Compiègne exerceu uma grande influência religiosa no século XIX na França. Em setembro de 1896, Monsenhor de Teil falou sobre as mártires de Compiègne no Carmelo de Lisieux, na presença da Irmã Teresa do Menino Jesus. Por mais que tenha sido curta sua vida no Carmelo, esta futura santa era muito devota da memória das mártires de Compiègne.

1) A peça Diálogos das Carmelitas
----------Em 1953 o músico italiano Ricordi convidou Poulenc para compor uma grande peça para a casa de Opera Scala de Milão. A idéia original era um ballet baseado na vida de Santa Margarida de Ortona. Polenc achou este tema não ser inspirador e insistiu que ele preferiria compor uma Opera. Foi neste momento que Guido Valcarenghii, diretor do Ricordi,sugeriu a Peça de George Bernanos, Diálogos das Carmelitas como possível base para a ópera. A peça de Bernanos foi completada antes da morte do autor católico e foi preparada para um filme baseado em uma curta novela da escritora alemã Gertd von le Fort, intitulada A última no cadafalso (na língua orginal Die Letzt am Schafott). O trabalho de Von le Fort é importante em pelo menos um ponto: Ela introduz a figura fictícia de Blanche de la Froce pela primeira vez. Bernanos segue Von le Fort muito ligado a ela quando escreveu seus dramas. Para ele vários temas chaves emergem: o espírito de infância, pobreza, abandono à Divina Providência, a agonia de Cristo, a compreensão cristã da morte e a complementaridade natural da vocação religiosa e sua honra. Além disto, a obra de Bernanos está imbuída de profundo senso de paz, serenidade e alegria.
----------Poulenc começou a trabalhar na ópera com entusiasmo. Mas havia um problema, contudo, o Dramatista americano Emmet Lavery, havia adquirido os direitos de Gertrudd von lê Fort e tinha escrito uma peça em Inglês: O Canto do cadafalso, em 1949. Isto desencadeou uma complexa disputa legal que perseguiu os dois anos que Paulenc gastou em escrever sua ópera. A contenda finalmente foi resolvida com o acordo que o nome de Lavery apareceria no programa de cada performance da peça.
----------Paulenc tornou-se obsessivo pela ópera. Ele escreveu para um amigo: “Estou trabalhando como uma empregada, eu não saio, eu não vejo ninguém, eu não quero pensar a não ser nisto. Estou completando uma cena por semana. Estou quase louco por causa disto, a ponto de acreditar que conheci até tais mulheres.”
----------Na recente biografia de Paulenc, Benjamim Ivry fez uma interessante observação como parte do temperamento do compositor dos Diálogos, Father Griffin, um sacerdote carmelita de Dallas, escreveu para Poulenc, perguntando sobre o progresso da ópera. Recebeu como resposta do compositor o apelo que somente Deus sabia quando ele iria terminá-la. O padre então prometeu que todos os carmelitas dos Estados Unidos faria uma novena para Poulenc pudesse completar sua obra. Desde o começo Poulenc procurou enfatizar as palavras da ópera. Ele sempre achou que sua ópera deveria ser produzida em linguagem de uma audiência particular. Atualmente sua obra é muito produzida em Francês, mas sua primeira performance foi em italiano e a versão inglesa foi feita logo depois.
----------Através de sua ópera, Poulenc esforça-se para garantir que a audiência possa seguir o livreto sem dificuldade. Ao seu amigo e confidente, Pierre Bernac, ele escreveu, “Ela flui e flui e não é outra coisa que eu mesmo. A peça é doentiamente vocal. Eu checo cada nota e cuidadosamente cólo a vogal certa nas notas altas, sem mencionar a prosódia: Eu creio que cada palavra será entendida.”
----------O processo de composição foi muito complicado por causa do profundo senso que Poulenc tinha da tragédia pessoal. “Borboletas negras estão voando em volta de mim”, disse ele certa vez.”
Seu companheiro de muitos anos, Lucien Roubert, ficou seriamente doente durante o período da composição dos Diálogos. Por estranha coincidência Roubert morreu na tarde do mesmo dia em que Poulenc completou a Ópera, em agosto de l955. “Eu levantei-me da minha mesa e disse a minha cozinheira, a fiel Ana: “Terminei: Agora Monsenhor Lucien pode morrer.”
----------A música da ópera Diálogos das Carmelitas de Poulenc conserva a grandeza e austeridade do texto que Poulenc trabalhou. Ele era, na verdade, um escritor de obra prima. A linha melódica de sua ópera traz o melhor de cada voz. Ele classificou o trabalho para uma grande orquestra, mas orquestrada discretamente, nunca permitindo que as palavras fossem ultrapassadas pela música. E mais, não há grandes áreas.O dialogo de Paulenc é, na verdade, um exemplo de arte, que esconde a própria arte. Não há nada de melodramático, sentimental ou excessivo na obra prima de Paulenc.
----------No painel há uma epígrafe tirada de Santa Teresa de Ávila: “Deus me livre de santos tristes.” O Diálogo das Carmelitas teve sua primeira apresentação no Scala de Milão em 26 de janeiro de l957. Em Paris em 21 de junho do mesmo ano. A primeira apresentação em Inglês foi em Covent Garden, em Londres, dia 16 janeiro de l958. Antes, uma apresentação na França aconteceu na Ópera São Francisco em setembro de l957.

2) Sinopse da Peça Diálogos das Carmelitas

1º Ato:
Cena um: Abril de l789.
----------A Mansão Parisiense do Marquês de la Force: A opera começa na biblioteca do Marques de la Force. O marquês está preocupado com o fracasso em seus esforços de trazer sua filha de volta para casa. A Revolução Francesa está no seu ponto mais alto e sua carruagem foi detida na multidão. Blanche, uma moça extremamente nervosa, finalmente encontrou o seu lugar. Ela é muito sobressaltada e fica angustiada até com a sombra da empregada projetada na parede da casa. Blanche declara sua intenção de tornar-se carmelita e espera encontrar descanso pra seu medo na solidão do claustro.

Cena dois: O Parlatório do Convento de Compiegne.
----------A ação muda para o Carmelo de Compiègne. Blanche pede à Priora, Madame Croissy, uma senhora idosa e naturalmente doente, para aceitá-la na Ordem. A Priora está convicta de que o motivo de Blanche é fugir do mundo. Ela consente somente quando Blanche diz que é sua intenção adotar o nome de Soeur Blanche da Agonia de Cristo.

Cena terceira: Dentro do Convento
----------É-nos apresentada uma vibrante noviça, Irmã Constance, que divide os afazeres domésticos com Branche. Constance expressa aqui sua vontade de oferecer a Deus sua própria vida para salvar a da Priora agonizante. Blanche fica nervosa e manifesta seu próprio medo da morte.

Cena quatro: a cela da enfermaria.
----------A moribunda priora tem una visão da destruição do mosteiro. Ela fica perturbada com a instabilidade de Blanche e pede–lhe que cuide da Madre Maria da Encarnação. A priora luta e se debate com seu próprio medo da morte e com dúvida religiosa.

2º Ato:
Cena 1: na Capela à noite.
----------A priora morreu e Blanche se apresenta novamente em tumulto. Madre Maria da Encarnação a repreende e a manda para sua cela para se acalmar.
INTERLÚDIO: Irmã constance declara seu desejo que a Madre Maria se torne a nova priora. Enquanto ela reflete profundamente a morte da antiga priora e percebe que ela também pode ter morrido a morte de qualquer um. “Cada pessoa morre por outros”, ela conclui.

Cena 2: A sala do Capítulo
----------A eleição para uma nova priora ocupa lugar na casa. Madre Maria é eleita. A nova priora é Madre Lidoine. A visita do irmão de Blanche, o Chevalier de la Force é anunciada. O Chevalier veio despedir-se de sua irmã, antes de emigrar-se. A Nova Priora pede a Madre Maria para ouvir a conversa.

Cena 3: O Parlatório do Convento.
----------O Chevalier de la Force força sua irmã a retornar para a casa de seu pai. Blanche rejeita seu conselho, justificando que superou seu medo dentro do claustro. Seu irmão não fica satisfeito e vai embora, deixando uma Blanche perturbada para trás.

Cena 4: A Sacristia.
----------O Capelão despede-se das irmãs. Ele foi destituído do seu posto pelos revolucionários. A Commissioners anuncia a decreto de dissolução do mosteiro. Blanche é tomada pelo medo, deixa cair a imagem do menino Jesus que ela tinha guardado. A imagem virou pedaços no chão.

3º Ato.
----------Cena na arruinada capela do mosteiro, as irmãs se reuniram com seu confessor. Na ausência da Priora, Madre Maria pede para suas irmãs fazerem um juramento de martírio a fim de preservar a Ordem Carmelita, mas insiste que este juramente deve ser unânime. Inicialmente Constance não estava querendo concordar, mas depois muda de idéia. Quando o confessor começa suas palavras de bênçãos sobre cada uma das irmãs, Blanche foge.
Interlúdio .antes da cortina. A nova priora , que não estava presente na hora do juramento expressa seu desejo de evitar qualquer ação que ponha em perigo as vidas das irmãs
----------Cena dois. A Biblioteca do Marquês de la force. Blanche foge para a saqueada casa de seu pai, que a os revolucionários tinham executado. Madre Maria tenta dar-lhe um endereço onde ele pode encontrar refúgio, mas Blanche quer estar na casa ,disfarçada como empregada.
Interlúdio. Blanche fica sabendo da prisão das Carmelitas.
----------Cena três.A cela na Conciergerie. Na prisão a priora procura elevar a moral de suas irmãs. Constance está certa que Blanche vai voltar, o commissioner Lê bem alta a sentença de morte das irmãs.

Interlúdio. Madre Maria deseja morrer com suas irmãs, mas o confessor a proíbe de ir até a prisão.

Cena 1: O local da Conciergerie
----------Uma grande multidão se reúne se forma na praça onde acontecerá a execução acompanhadas até o cadafalso pelo Priora, as irmãs cantam Salve Regina, enquanto vão subindo. Constance é a última a morrer, no seu caminho ao cadafalso ela vê Blanche vindo no meio da multidão. Blanche também sobe para morrer, com o último verso do Veni Creator em seus lábios. Ela superou seu medo.

3) Justificando
----------Em 1955 houve o Congresso Eucarístico Internacional no Rio de Janeiro. Como o afluxo de padres seria muito grande no convento da Lapa foram solicitados seminaristas de Itu e alguns frades do Clericato de São Paulo para auxiliar nos afazeres da casa. Em reunião os padres de Itu resolveram que iriam os seminaristas que prestavam algum serviço na casa. A sorte coube para os que cortavam cabelos dos colegas. Eu fui um deles. Fomos de ônibus. Viagem encantadora, pela então estrada São Paulo-Rio, cartão postal do Brasil.
----------Pouco me recordo do antigo convento que pegou fogo proveniente de um curto circuito. Lembro-me de uma casa simples e velha ao lado de um campo de um pátio de areia, onde funcionava o colégio Santo Alberto. Havia uma sacristia grande e uma capela com um grande crucifixo onde alguns padres celebravam a missa. Nesta época não havia ainda missa concelebrada. Cada celebrante com seu acólito se dirigiam para um altar. Muitos seminaristas fugiam das missas diárias de frei Alexandre, pois era demorada demais. Ele ficava repetindo a fórmula da consagração e isto cansava quem deveria ajudar quatro missas por dia. Mais tarde ficamos sabendo que ele era escrupuloso e sofria muito com isso.
----------Dom Eliseu, Dom Cintra, talvez até Dom Gabriel e muitos padres estavam hospedados. Certo dia, Dom Cintra chegou atrasado ao refeitório, era de noite, e não havia mesa arrumada. Nós fomos atendê-lo. Quando dissemos que éramos seminaristas ele logo falou em latim: “Tarde advenientibus ossa”. Ficamos meio confusos. Ele acrescentou traduzindo: “Quem chega tarde só encontra ossos, mas aqui não é o que vejo.” O refeitório era grande e escuro. Umas mesas compridas, com bancos pregados na parede davam uma visão de penitência durante as refeições. Na parede do fundo havia um quadro de tábuas bem antigas onde estava escrito em Latim: “Quem não quiser trabalhar também não coma.” A gente não entendia porque aquilo estava ali, pois refeitório é para comer.
----------Como o Convento estava perto da Praça do Aterro, assim era chamada a praça do Congresso, os congressistas podiam almoçar no colégio Santo Alberto, pagando mais barato. Pelo que me recordo o prior do Convento era frei Paulo Kooreman e frei Bernardo, o responsável pelo colégio.
----------Comecei a falar do Convento porque foi nesta ocasião que tive a oportunidade de ver a peça Diálogo das Carmelitas, no Teatro Copacabana. Um Irmão Terceiro Carmelita, advogado e amigo dos padres, ofereceu para a comunidade Carmelitana os ingressos e nós seminaristas trabalhadores fomos anexos à lista. Confesso que fiquei maravilhado. Fomos assistir à tarde com frei Rafael Rzewenkel, então reitor do seminário de Itu que nos levou para o evento. Visitamos também o Cristo Redentor, o zoológico e Palácio Imperial. O representante do Papa trouxe dois guardas Suíços e o celebrante fez uso da cadeira do trono de Dom Pedro. Foi uma apoteose o final do congresso. Multidões aclamavam.
----------As autoridades eclesiásticas passavam em procissão. A gente não entendia por que os bispos usavam uma calda enorme carregada por assessores. Nenhum de nós queria estar lá carregando a calda dos bispos. Preconceito de criança. Hoje seria diferente, acredito.

4) A peça teatral Diálogo das Carmelitas
----------Como não sabíamos bem do assunto, ficamos presos aos cenários. A cena no interior do convento se dá no claustro. Nevava e a gente que nunca tinha visto neve acreditava naqueles algodões brancos caindo sobre as irmãs que se perdiam em profundos diálogos. Não entendíamos, mas víamos boquiabertos a vida enclausurada das irmãs tão escondidas atrás das grades. O aspecto tétrico do claustro nos levava a experimentar o divino imerso no humano. Sem dúvida, a figura que mais chama a atenção na peça é a toda de branco Irmã Branche de la Force. Seu comportamento estranho entre as freiras; sua personalidade jovem em meio às freiras maduras e calejadas de fazer a mesma coisa, mas santas e corajosas. Eu me lembro que eu tinha 16 anos. Fiquei impressionado com a cena da guilhotina. Logicamente a lâmina caindo não aparecia, mas os personagens subiam as escadas do cadafalso com vários degraus e ao se ocultar atrás dos bastidores os tambores tocavam, ordenando a morte e a música enfatizava o drama. A morte das Irmãs Carmelitas foi uma após a outra, cantando todas elas, mas a mais dramática foi a de Blanche. Quando a última irmã terminou a estrofe do Veni Creator, faltava última estrofe, um pouco de silêncio, Irmã Blanche entra em cena, retoma a melodia subindo no cadafalso, cantando a última estrofe, a única que ainda faltava: Per te sciamus da Patrem / noscamus atque Filium, / te utriusque Spiritum / credamus omni tempore. Amém. Ouve-se o barulho da lamina e o toque dos tambores. Morreram todas as Carmelitas em diálogo com Deus. Acendem-se as luzes. Terminou a peça. A próxima sessão seria duas horas depois. Tempo de descanso dos artistas. Mas quase todos os presentes tiveram um banho na alma. E a fé mais fortalecida pela coragem destas mulheres enamoradas de Deus até a morte. Depois desta peça, comentamos em casa qual o sentido da vida enclausurada na Igreja. É o Martírio por amor a Deus. Foi a resposta imediata que descobrimos em nós mesmos. Nossa vocação ficou mais confirmada. Pena que nem todos que lá estavam perseveram em sua vocação no Carmelo, mas ficou de pé o convite.
----------Quando li o artigo de Simon Nolan O.Carm. em Carmel in the World pude reviver estas passagens, resolvi traduzi-las. Espero que tenha feito bem para quem o ler como fez bem para mim.
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