Palavra do Provincial


Feliz festa de Nossa Senhora do Carmo


Caros Irmãos na Província S. José:

Paz!

O mês de julho nos presenteia com muitas festas de nossos santos e beatos de nossa Ordem. Entre todas sobressai a festa de Nossa Senhora do Carmo, nossa principal solenidade. Novamente somos convidados a aprofundar o nosso "ser no mundo sua imagem".

O Evangelho da festa nos apresenta a "hora" sublime do Exaltado que atrai a si os olhares e realiza a Redenção. Nesta "hora" concede-nos o duplo dom feito na cruz: à Mãe e ao disípulo amado. "Eis teu filho: eis tua Mãe" (Jo. 19,25-27). Como o discípulo amado, símbolo e figura de todos aqueles que aceitam o amor redentor de Jesus, nos é proposto acolher Maria-Mãe em nossa vida e dela aprender a ser discípulos: ela é modelo de seguimento incondicional a Jesus e de compaixão pelos sofredores.

Estreitamente ligado ao evangelho da festa está o das Bodas de Caná (Jo. 2,1-11). A "hora" de Jesus ainda não chegou, pois ainda não foi glorificado o Filho do Homem. É necessário crer no enviado pelo Pai. A Mulher-Maria é quem crê e leva os discípulos à fé nele. Aqui suas palavras aos servos "Fazei o que ele vos disser" (Jo. 2,5), ressoam em nossos corações. Significam que a Mulher nova cumpre em tudo a vontade do Pai e suscita nos discípulos-servos a atitude de fé no Verbo encarnado e de serviço aos demais.

Para a nossa vida orante, vejo como significativo o que o santo padre João da Cruz nos apresenta da Virgem nas Bodas de Caná; ela é modelo de amor confiante:

"Quem ama discretamente, não cuida de pedir o que deseja ou lhe falta: basta-lhe mostrar sua necessidade para que o Amado faça o que for servido. Assim procedeu a bendita Virgem com o amado Filho nas bodas de Caná; não lhe pediu diretamente o vinho, mas disse apenas: 'Não têm vinho' (Jo. 2,3)... Isto se deve fazer por três razões. Primeira: melhor sabe o Senhor o que nos convém, do que nós mesmos. Segunda: mais se compadece o amado, vendo a necessidade do amante e sua resignação. Terceira: mais segura vai a alma quanto ao amor de si mesma e ao juízo próprio, manifestando sua indigência, do que pedindo o que lhe falta" (Cântico espiritual, 2,8).

Assim, caríssimos Irmãos, celebrar a festa do Carmo é olhar para Maria que nos ensina a "contemplar a Palavra" que nos leva ao "serviço generoso aos irmãos", servindo à Igreja a quem ela "acompanha com amor de Mãe". Maria, como "Estrela do mar" e "sinal de firme esperança", nos guia ao "vértice da montanha que é Cristo".

Qua a Virgem Santa abençoe a cada um de vocês e nos conceda a todos a graça de aprofundar o seguimento confiante, fiel e perseverante a Jesus e à sua Mãe, de quem aprendemos "de sua mente a amar a Deus sobre todas as coisas, de seu espírito a contemplar sempre o Verbo e de seu coração a servir aos irmãos".

A cada um de vocês, comunidades, amigos e benfeitores, uma

FELIZ FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO!

Fr. Alzinir Debastiani, ocd

Artigo testemunho da experiência no Monte sagrado, de Fr. Patrício Sciadini, enviado da Província ao Cairo, Egito.







SEMPRE gostei de Moisés, o escolhi como meu protetor e guia na minha vida de carmelita e de sacerdote. O seu estilo, sua vida, suas palavras, suas resistências ao chamado de Deus, as suas desculpas esfarrapadas para dizer “não” ao projeto de Deus que através dele quer libertar o povo, tocam profundamente o coração dos que se aventuram a ler o Êxodo com olhos de fé. Para quem busca a Deus na vida contemplativa Moises se torna ainda mais querido, é o modelo de todos os que têm sede de Deus e o buscam com sinceridade, desafiam o mesmo silêncio e se adentram nos desertos da vida, ou escalam as montanhas, ou mergulham na noite para poder encontrar-se face a face com o mistério.
Jamais teria pensado que um dia subiria a montanha do Sinai e contemplaria a sarça que, segundo a tradição dos monges gregos do mosteiro de Santa Catarina de Alexandria, situados ao pé do monte, continua a mesma, desde então. Uma sarça amada, custodiada com amor e que todos os peregrinos contemplam com amor e oram extasiados. Subir o monte Sinai é uma aventura que nos deixa sem respiro. Hoje em dia se pode fazer uma parte da subida de camelo, mas a última parte deve ser feita a pé. Não há estrada, não há atalho, é rocha pura, dura, difícil, em que as pedras como facas podem furar de uma hora para outra os seus sapatos; onde o cansaço lhe obriga, de vez em quando, a parar e sentar-se para olhar o vale embaixo. Quem tiver vertigem é um perigo. Depois se continua a marcha lenta com o coração batendo forte, a respiração lenta até que se chega lá em cima.
Um caminho que nos tira toda a vontade de falar, de gritar, só o silencio entra a fazer parte da vida de quem tem fé. Mesmo circundado por tanta gente que foi ao cume do monte por finalidade diferente - passeios, curiosidade – quem tem fé não sabe o que dizer a não ser deixar o olhar perder-se no grande vale e nos montes sem uma árvore, sem nada que circunda, do pico do monte Sinai. E sentir que aí Deus um dia longínquo chamou Moises sozinho, fez-lhe deixar o povo-rebanho lá embaixo ao pé do monte e exigiu que ele, sozinho, sem ninguém, subisse até o cimo do monte, porque tinha necessidade de falar-lhe. E Moises obedeceu, subiu. Quanto tempo gastou? Como devia bater o seu coração? O que esperava encontrar no cimo do monte, o que Deus quereria dele?
Imagino que estas perguntas angustiantes deviam se agitar no coração de Moises. E Deus cobriu com seu poder, como diz a bíblia, o cimo da montanha e falou através de relâmpagos, trovões, tempestade, e falou forte, pesado, contra o seu povo de cabeça dura, que não queria mais ser libertado e preferia voltar a comer as cebolas do Egito.
Deus, no seu amor, como diz a bíblia, escreveu “com seu dedo” as dez palavras sobre duas tábuas de pedra e as entregou a Moises para que ele as levasse para o povo e comunicasse a vontade de Deus. Nunca entendi tão bem o amor de Deus que deu os mandamentos como quando cheguei ao cimo do monte Sinai. Vi com olhos novos a glória de Deus, vi os mandamentos como reflexos luminosos da beleza da eternidade e do amor. No silêncio li e reli os mandamentos de Deus e vi em cada palavra o amor de Deus Pai e me senti feliz por ser filho de Deus e por ter tido desde menino aprendido as dez palavras. O que posso dizer é: perdão Senhor, se por muito tempo achei que estas dez palavras tinham sabor mais de opressão que de amor! Foi preciso ferir os pés e chegar no cimo do Sinai para ver que tu és Pai!

Entre os dias 16 e 18 de julho de 2010, em Fortaleza (CE), jovens carmelitas membros do ramo secular da nossa Ordem se reunirão para seu 7º encontro regional. Oremos pelo "sucesso" espiritual do evento.

ENCONTRO VOCACIONAL EM CARATINGA E PIEDADE DE CARATINGA





CONFIRA AS FOTOS DO ENCONTRO VOCACIONAL REALIZADO COM OS JOVENS QUE ESTÃO SENDO ACOMPANHADOS EM NOSSOS CONVENTOS DE CARATINGA E PIEDADE DE CARATINHA POR NOSSOS FRADES PARA UM POSSÍVEL INGRESSO NA ORDEM CARMELITANA DESCALÇA.







Sobre aquelas Palavras: “Dilectus meus mihi”

Entreguei-me toda, e assim

Os corações se hão trocado:

Meu Amado é para mim,

E eu sou para meu Amado.

Quando o doce Caçador

Me atingiu com sua seta,

Nos meigos braços do Amor

Minh’alma aninhou-se, quieta.

E a vida em outra, seleta,

Totalmente se há trocado:

Meu Amado é para mim,

E eu sou para meu Amado.

Era aquela seta eleita

Ervada em sucos de amor,

E minha alma ficou feita

Uma com o seu Criador.

Já não quero eu outro amor,

Que a Deus me tenho entregado:

Meu Amado é para mim,

E eu sou para meu Amado.


Santa Teresa de Jesus