sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Centenário da chegada dos Teresianos no Sudeste















Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil

5. Córrego do Bom Jesus: o início


A cidade de Córrego do Bom Jesus foi escolhida para a instalação da comunidade. Fr. Arcanjo é o superior, pároco, e vigário provincial da nova missão. Nascido em 14 de Março de 1871, professou na Ordem no dia 29 de Março de 1887 e no dia 21 de Maio de 1897 foi ordenado sacerdote. Na Província Romana foi Definidor Provincial. Douto e pio, destacava-se por ser um grande pregador e professor de música sacra. Quando a Província decidiu reabrir o convento da cidade de Terni, onde encontram-se os restos mortais de São Valentino, patrono dos namorados, Fr. Arcanjo foi nomeado prior daquele convento e com firmeza e tato convocou a população a retomar a sua vida religiosa, pois muitos, naquela região, influenciados pela doutrina marxista, tinham-se afastado da Igreja. Fr. Arcanjo foi escolhido a dedo para chefiar o grupo dos primeiros missionários no Brasil, para onde foi e dedicou seus últimos anos de vida.
Em Córrego os frades buscam conhecer a realidade e dar vida à comunidade. O que os frades encontram? Córrego do Bom Jesus era um pequeno povoado, elevado a distrito de Cambuí não muito tempo antes da chegada dos frades (1889). Naquele tempo contava com uma população de uns 3.000 habitantes. Mas naquela época já era um centro de peregrinação para toda a região do vale de sapucaí.























De fato a igreja foi construída em 1865 e é em torno dela que o povoado começou a surgir. O templo foi dedicado ao Sr. Bom Jesus. A Paróquia foi criada quando Córrego pertencia à Diocese de S. Paulo, em 1899. Mas o crescente movimento de fiéis que visitavam a Igreja levou d. Assis, bispo da Diocese de Pouso Alegre, a planejar elevá-lo a Santuário. Nos planos do bispo a chegada dos Carmelitas revitalizariam o santuário que o bispo cria na primeira visita pastoral que faz aos Carmelitas depois de sua chegada, no dia 4 de agosto de 1911. Nesta visita, inclusive, D. Assis pede que os frades procurem instruir o povo e chamá-lo aos sacramentos. A importância, portanto, desta igreja, na região, é que levou D. Assis a pedir aos frades que habitassem em Córrego, e não em Cambuí, sede da municipalidade.


A devoção ao Sr. Bom Jesus



A imagem do padroeiro foi confeccionada em Portugal, pelo escultor Manoel Soares de Oliveira e pintada por João Teixeira especialmente para umas das Igrejas do Império do Brasil. A obra de tamanho natural e esculpida em madeira policromada representa o ECCE HOMO.A imagem pesando cerca de 70 KG figura um dos passos da Paixão de Jesus. Flagelado e coroado de espinhos, é apresentado ao povo pelo juiz – com as mãos atadas e o olhar voltado para o céu, o seu semblante exprime serenidade numa perfeita expressão de dor. A data de fabricação embora desconhecida é supostamente pertencente ao 3º quartel do século XIX.

No dia 17 de junho de 1873 os jornais da cidade do Porto, "Comércio do Porto" e "O Progresso Comercial" falaram sobre o escultor e a exposição da imagem no Porto. Entre as especificações estava o tamanho natural da imagem, e a expressão de dor na fisionomia do Senhor preso em um dos Passos da Paixão de Jesus, apresentado ao povo pelo juiz, flagelado e coroado de espinhos. Outros jornais do Porto, como "A Palavra", o "Primeiro de Janeiro" e o "Jornal da Manhã", também se manifestaram no mesmo sentido.
A histórica imagem foi trazida do Rio de Janeiro em um carro de bois em 1873. Segundo uma transcrição do jornal "A Propaganda" de 22 de setembro de 1904, a imagem começou a ser ovacionada e transportada pelo povo em Jaguary.
A imagem foi abençoada e veio em procissão com a música do Sr. Brito, até a entrada do Córrego, na época freguesia, onde aconteceuo encontro com a imagem de Nossa Senhora, acompanhada de mulheres e de música do Sr. Quintino.
O Reverendo Caramuru falou para milhares de pessoas sobre a bondade de Deus para com os homens, perdoando-lhes até na hora em que o mataram, e exaltou os fieis como um exército comandado pelo coração e obedecendo pelas lágrimas.
A procissão seguiu por ruas cobertas de folhas e flores, com as janelas embandeiradas. Ao entrar na matriz o Reverendíssimo Padre João Borges Soares de Figueiredo pediu a todo que rezassem um Pai Nosso, para aquele que mandou vir do Porto aquela imagem soberanamente perfeita.














Assim ficaram estabelecidas as festas do Senhor Bom Jesus do Córrego.
A primeira festa aconteceu antes da chegada da imagem de Bom Jesus em 1873. Conhecida como "Festa do Córrego" ou " Festa de Agosto", a cada ano atraía mais festeiros e devotos. Fr. Arcanjo e seus confrades encontram, portanto, o campo espiritual da região de Córrego em plena expansão e empenham-se em evangelizar através da devoção do Bom Jesus, através da dedicação na formação do povo, nas horas ininterruptas passadas no confessionário, das pregações e Missas, mas também reforçando a beleza das tradições locais que dava uma identidade cada vez mais sólida àquele povo, com seus carros de boi, sua decoração colorida e sua culinária.
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