terça-feira, 17 de novembro de 2009

Centenário da chegada dos Descalços no Sudeste
















Em vistas da celebração do centenário da chegada dos Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil a celebrar-se a partir do próximo ano, tentaremos escrever um pequeno histórico daqueles inícios, a partir de pesquisas em livros e revistas da Ordem, da Província Romana e de anotações feitas pelo nosso frei Mariano Júnior, atualmente empenhado no resgate de nossa história.
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Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil
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1. A pedido de D. Assis
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D. Antônio Augusto de Assis, nascido em 1863 na cidade de Lagoa Dourada (MG), foi nomeado Bispo Titular de Sura e Coadjutor de Pouso Alegre (MG) em 10 de julho de 1907, sendo o bispo diocesano D. João Batista Correa Nery. Com a transferência de Dom Nery para sua terra natal, Campinas, que fora escolhida para sediar uma das primeiras dioceses do interior paulista, Dom Assis foi nomeado Vigário Capitular de Pouso Alegre, em outubro de 1907, e nesta qualidade regeu a Diocese até maio de 1909. Em 27 de janeiro de 1909, foi nomeado como segundo Bispo de Pouso Alegre, tomando posse a 17 de novembro deste mesmo ano. A diocese de Pouso Alegre, criada em 1900, era a chamada "diocese do sul de minas", fazendo divisa com as dioceses de São Paulo e Mariana.

Estando à frente da Diocese D. Assis empenhou-se em prover um imenso território e mais de 800.000 pessoas de sacerdotes e missionários. Além de fomentar o clero local D. Assis era aberto reconhecia a importância da presença de religiosos na diocese e, no curto espaço do seu bispado, foi em busca dos consagrados para atuarem no seminário e no colégio diocesano e para assumirem a missão na região de Córrego. Para o seminário chamou os Missionários do Sagrado Coração, única família religiosa masculina presente em todo o território da atual arquidiocese, que chegaram em maio de 1911. Para a missão chamou os Carmelitas Descalços.

Seu contato para trazer os Descalços para o Sul de Minas foi com o Cardeal Gaetano de Loi, então protetor da Ordem. O Cardeal entra então em contato com o Provincial Romano que iniciará o processo de decisão na Província até o envio dos primeiros missionários ao local.
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O desejo de o bispo de Pouso Alegre ter os carmelitas pode explicar-se pelo devotamento que o bispo tinha ao Carmelo, talvez desde a época em que fora pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo em Borda da Mata, na mesma região de Pouso Alegre. O Carmelo vai-lhe coroar a trajetória como bispo - em 1916 deixa a Diocese de Pouso Alegre para assumir a nova diocese de Guaxupé (a diocese possui três paróquias dedicadas a Nossa Senhora do Carmo); em 1918 vai para Mariana, como auxiliar de D. Silvério; com a morte de D. Silvério, D. Assis decidiu morar no Rio de Janeiro, no convento da Ajuda; mas, em 1931, com 68 anos, foi designado para assumir a então recém-criada diocese de Jaboticabal, no interior de S. Paulo, sendo seu primeiro bispo. Aí D. Assis falecera em 1961. Depois de ter sido enterrado na Catedral de São João del-Rei (MG), seus restos mortais foram transferidos para a Catedral de Jaboticabal, dedicada à Gloriosa Virgem Maria do Monte Carmelo, onde repousa aos pés da excelsa Mãe a quem tanto amou.
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