quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A arte de viver em comunidade - por Frei Carlos Alexandre

Vinde e vede como é bom, como é suave os irmãos viverem juntos bem unidos! (Sl 132,1)

Viver é fácil! Mas viver bem e com suavidade é uma arte com múltiplas facetas. Conviver é VIVER COM, ou seja, encontrar a si mesmo no outro, comunicar a própria vida, partilhar com intimidade a experiência pessoal. Conviver é saborear com respeito e honestidade a vida alheia. É dançar com romantismo nas tramas psíquicas do outro, regendo como um maestro o nosso mundo interior, dispondo-o para que o outro, o diferente de mim, ouça a sinfonia composta pela nossa própria existência.
O encontro com o outro nos desinstala de nós mesmos, nos desloca e abre caminhos, possibilidades infinitas. Possibilidades de vida ou de morte. A escolha sempre é nossa!
A convivência verdadeira não se faz na massa, no conglomerado, mas sim na intimidade de pequenos círculos de relação interpessoal, onde todos se reconhecem como indivíduos singulares, irrepetiveis e dignos de atenção. A massa, pelo contrário, impõe suas normas, fazendo com que se perca a identidade pessoal ou, ao menos, a minimiza consideravelmente, obrigando todos a um mimetismo desumano. Relacionamentos balizados na massa estão fadados ao fracasso, pois a identidade pessoal é inexistente: sem identidade não há comunicação.
Se COM-VIVER é uma arte, é imprescindível que escolhamos o papel principal ressignificando a cada novo ato a nossa própria vida, para não nos tornar apenas solitários espectadores do espetáculo da existência humana.

Por Frei Alexandre Maria OCD
Estudante de Filosofia - Província São José
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