quinta-feira, 1 de março de 2012

Meditação sobre a Quaresma


"Não raro, as verdadeiras alegrias, só as encontramos do outro lado de muitos infortúnios. Não que a felicidade fosse sempre resultado de esforços penosos, uma conquista apenas de nossos empenhos. Amiúde recebemos, por pura graça, dádivas inesperadas e imerecidas alegrias. Entretanto, permanece válido uma frequente experiência humana: A construção da própria humanidade exige também enorme disciplina, suor, renúncias e sacrifícios. Não se edifica a própria grandeza na superfície de superficialidades, mas sempre e apenas no profundo de bem cavados e fortificados alicerces. Esta é uma constante da vida humana: A terra da própria liberdade e grandeza só se alcança do outro lado do deserto, cuja travessia nos custa quarenta anos (Ex. 2, 3-35) e a estatura humana que mereça tal nome só se logra após um tempo longo e cheio de provas e provações (quarenta dias) (Mc 1, 1-2).
Este é também o sentido religioso da quarentena de abstinência, jejum, renúncias e sacrifícios que a Igreja, nestes dias, prescreve aos seus fieis. Não o desprezo ao mundo e aos seus bens, o que seria uma ofensa ao próprio Deus, não uma espécie de auto-flagelação, o que seria uma patologia. Mas a têmpera e a fortaleza do espírito, num exercício que nos torne capazes de suportarmos, sem fraquejos e curvaturas, os desafios e as exigências que a vida nos impõe".

Frei Prudente Nery, OFMCap
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