quinta-feira, 25 de março de 2010

SEGUIR A CRISTO - Carta de Santa Teresinha para sua irmã Celina


JULHO 1893 469
C 142 Para Celina.
J.M.J.T.

Jesus+ No Carmelo, 6 de julho de 1893. Minha querida Celina,

Tuas duas cartas foram como doce melodia para meu coração... Sinto-me feliz ao constatar a predileção de Jesus para com a minha Celina. Como Ele a ama, como a olha com ternura!... Agora, estamos, as cinco, no nosso caminho’. Que felicidade poder dizer: “Estou certa de fazer a vontade de Deus”. Esta vontade santa manifestou-se claramente em relação à minha Celina. Ela foi escolhida entre todas para ser a coroa, a recompensa, do santo patriarca que encantou o Céu pela sua fidelidade. Como ousar dizer que foste esquecida, menos amada que as outras; digo que foste escolhida por PRIVILÉGIO, tua missão é tanto mais bela quanto, ao ficares o anjo visível do nosso pai querido, és a esposa de Jesus. “Isso é verdade (pensa, talvez, minha Celina), mas enfim, eu faço menos que as outras por Deus, tenho mais consolações e, conseqüentemente, menos
méritos”... “Meus pensamentos não são os vossos pensamentos" , diz o Senhor. O mérito não consiste nem em fazer nem
em dar muito, mas em receber, em amar muito... Diz-se que
é muito mais agradável dar que receber, e é verdade, mas quando Jesus quer tomar para si a doçura de dar, não seria
delicado recusar. Deixemo-lo tomar e dar tudo o que Ele quiser, a perfeição consiste em cumprir a sua vontade, e a alma que se lhe entrega inteiramente é chamada pelo próprio Jesus de “sua mãe, sua irmã” e toda a sua família. E noutra parte:
“Se alguém me ama, guardará as minhas palavras (isto é, fará a minha vontade); e meu pai o amará e nós viremos a ele e
faremos nele a nossa habitação”. Ô Celina! como é fácil agradar a Jesus, conquistar o seu coração! não há mais nada a fazer senão amá-lo sem olhar para nós mesmas, sem examinar muito os próprios defeitos... Tua Teresa não se encontra nas alturas, neste momento, mas Jesus ensina-lhe “a tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em si”. Ensina¬lhe a jogar à banca do amor, ou melhor, Ele joga para ela sem lhe dizer como proceder, pois isso é assunto seu e, não de Teresa, o que compete a ela é abandonar-se, entregar-se sem nada reservar, nem mesmo a satisfação de saber quanto rende a sua banca. Mas, afinal, ela não é o filho pródigo, não vale pois
a pena que Jesus lhe faça uma testa “pois está sempre com Ele”.
Nosso Senhor quer deixar “as ovelhas fiéis no deserto”. Quanto isto significa para mim!... Ele está seguro delas; elas não podem desgarrar-se, pois são prisioneiras do amor, por isso, Jesus as priva da sua presença sensível para dar seu consolo aos pecadores, ou se as leva ao Tabor, é por uns instantes, o vale é lugar mais frequente do seu repouso. “É aí que Ele repousa ao
meio-dia”. A manhã da nossa vida passou, gozamos das brisas perfumadas, da aurora tudo nos sorria pois, então, Jesus fazia-nos sentir sua doce presença, mas quando o sol ganhou força, o Bem-amado “levou-nos ao seu jardim, fez-nos colher a mirra” da provação ao nos separar de tudo e Dele próprio; a colina de mirra fortaleceu-nos com seus perfumes amargos, por isso Jesus nos fez descer e, agora, estamos no vale. Ele conduziu-nos docemente ao longo das águas... Querida Celina, não sei muito bem o que estou a te dizer, mas parece-me que vais compreender, adivinhar o que gostaria de dizer. Ah! sejamos sempre a gota de orvalho de Jesus, aí está a felicidade, a perfeição... Felizmente que falo contigo, pois outras pessoas não saberiam compreender minha linguagem e confesso que ela não é conhecida senão por muito poucas almas. De fato, os diretores fazem avançar na perfeição levando a fazer muitos atos de virtude e têm razão, mas meu diretor que é Jesus não me ensina a contar meus atos; ensina-me a fazer ludo por amor, a não lhe recusar nada e, a ficar contente quando ele me dá uma ocasião de provar-Lhe que o amo, mas isto faz-se na paz, no abandono, é Jesus quem faz tudo e eu nada faço.
Sinto-me muito tinida à minha Celina, creio que Deus so raramente faz duas almas que se compreendam tão bem, nun¬ca há nota discordante. A mão de Jesus que toca uma das liras faz, ao mesmo tempo, vibrar a outra... Oh! fiquemos ocultas na nossa divina flor dos campos até ciue as sombras declinem, deixemos que as gotas de licor sejam apreciadas pelas criaturas, sendo que nós agradamos ao nosso Lírio, continuemos felizes por ser sua gota, sua única gota de orvalho!... E por esta gota que o terá consolado durante o exílio, o que é que Ele não nos dará na pátria?... Ele próprio no-lo diz: “Aquele que tem sede venha a mim e beba”, assim Jesus é e será o nosso oceano... Como o cervo sedento, suspiremos pela
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