terça-feira, 24 de novembro de 2009

Comentário sobre o Advento- por Frei Gabriel de Santa Maria Madalena











ANO C
(Texto retirado do Livro Intimidade Divina - 1º Domingo do Advento)

O Senhor confirme os nossos corações e os torne irrepreensíveis e santos, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus (1 Ts 3,13)

"Eis que virão dias — oráculo do Senhor — em que realizarei a promessa de justiça feita à casa de Israel... Farei nascer um rebento justo de Davi" (Jr 33, 14-15). Jeremias anuncia a intenção de Deus de realizar a "promessa de justiça", ou seja, do Salvador que deverá nascer da descendência de Davi, prefigurado em "um rebento justo". Ele restabelecerá "a justiça na terra", isto é, resgatará os homens do pecado e os reconduzirá a Deus.

Um dos pontos centrais do advento é o grande fato: nasceu o Salvador, da Virgem Maria. Preocupa-se a Igreja com que não se limite o povo cristão a fazer do Natal de Jesus apenas comemoração tradicional; quer, ao contrário, que se prepare o povo a reviver em profundidade o inefável mistério do Verbo de Deus feito homem “para nossa salvação”(Credo). E porque esta só será completa, ou seja, atingirá toda a humanidade apenas no fim dos tempos, quando "se verá o Filho do homem... vir com grande poder e esplendor" (Lc 21,27), são os fiéis solicitados a viver em contínuo advento. A recordação do natal do Senhor deve ser vivida "na expectativa de que se cumpra a feliz espera e venha o nosso Salvador Jesus Cristo" (Missal romano). O Senhor veio, vem e virá; cumpre agradecer, acolher, esperar. Se a vida do cristão sair desta órbita,falirá.

Ao iniciar o advento com a leitura do evangelho que fala do fim do mundo e da última vinda do Senhor, não pretende a Igreja assustar seus filhos, mas adverti-los de que o tempo passa, a vida terrena é provisória, a meta das esperanças e dos desejos não pode ser a cidade terrestre, mas a celeste. Se o mundo atual está perturbado pelas guerras, desordens, dispersão de idéias, depravação de costumes, tudo isto deve ser o aviso: repudiando a Deus, perece o homem. Somente por Deus poderá ser salvo. E então: "Reanimai-vos e levantai as cabeças, porque se aproxima a vossa libertação”(Lc 21,28). Pretende a Igreja suscitar nos corações o desejo e a necessidade da salvação, o anelo para com o Salvador. Em vez de deixar-nos submergir e abater pelas vicissitudes terrenas, cumpre dominá-las e vivê-las em vista da vinda do Senhor. "Velai sobre vós mesmos, que os vossos corações não se tornem pesados com devassidões, embriaguez e solicitudes da vida, para que aquele dia não vos apanhe de improviso" (Lc 21,34). Cumpre, portanto, "vigiai continuamente na oração" (Lc 21,36) e valer-se do tempo pare progredir no amor de Deus e do próximo. Eis o desejo e a exortacão de São Paulo; "Irmãos, o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos... que ele torne firmes e irrepreensíveis os vossos corações na santidade. . . para a vinda de Nosso Senhor Jesus" (ITs 3, 12-13). Aquela justiça e aquela santidade que o Salvador veio trazer à terra devem germinar e crescer no coração do cristão e, dali, estender-se pelo mundo.

• Em vós espero sempre, Senhor. Lembrai-vos, portanto, de vossas misericórdias e de vossa bondade, que são eternas. . . Bom e reto sois, Senhor! Por isso reconduzis os pecadores ao bom caminho. Dirigis os humildes na justiça e ensinais aos pobres os vossos caminhos. Todos os vossos caminhos são graça e fidelidade para aqueles que guardam vossa aliança e vossos preceitos.(Salmo 25, 5-6. 8-10).

• Tendo eu consciência dos meus pecados, de que me adianta Senhor, que venhais, se não vierdes à minha alma, se não voltardes ao meu espírito, se vós, ó Cristo, não viveis em mim e não falais comigo? É a mim que deveis vir, é por mim que deverá realizar-se o vosso advento. O vosso segundo advento, Senhor, acontecerá no fim do mundo, quando pudermos dizer: "O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo".
Fazei, ó Senhor, que no fim do mundo, eu me encontre. . . tal como será minha vida no céu... Então, para mim, realizar-se-á a presença da sabedoria, a presença da virtude, da justiça e da redenção. De fato vós, ó Cristo, morrestes uma só vez pelos pecados do povo, a fim de resgatar, cada dia, o povo dos seus pecados.
(Cf. Sto. Ambrósio, Comentário ao Evangelho de S. Lucas, X, 7-8).
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