segunda-feira, 30 de novembro de 2009


"DEPOIS DAQUELA TÊNUE LÂMPADA DO PRECURSOR, VEIO A LUZ CLARÍSSIMA DE CRISTO; DEPOIS DA VOZ, VEIO A PALAVRA; DEPOIS DO AMIGO DO ESPOSO, O ESPOSO. O SENHOR VEIO DEPOIS DAQUELE QUE LHE PREPAROU UM POVO PERFEITO, PREDISPONDO OS HOMENS, POR MEIO DA ÁGUA PURIFICADORA, PARA RECEBEREM O BATISMO DO ESPÍRITO.
FOI NECESSÁRIO QUE DEUS SE FIZESSE HOMEM E MORRESSE PARA QUE TIVÉSSEMOS A VIDA. MORREMOS COM ELE PARA SERMOS PURIFICADOS; RESSUSCITAMOS COM ELE PORQUE COM ELE MORREMOS. FOMOS GLORIFICADOS COM ELE, PORQUE COM ELE RESSUSCITAMOS. "

SÃO GREGÓRIO DE NAZIANZO
(Trecho retirado da 2ª leitura do Ofício das Leituras da terça-feira do Advento)

domingo, 29 de novembro de 2009

SANTIFICADO EM CRISTO



Ó Senhor meu, como mostrais que sois poderoso! Não é preciso buscar razões para o que quereis, porque, acima de toda razão natural, fazeis todas as coisas tão possíveis que levais a entender sem nenhuma dúvida que basta amar-Vos de verdade e abandonar com sinceridade tudo por Vós para que, Senhor meu, torneis tudo fácil. Cabe dizer neste ponto que fingis trabalho em Vossa lei; porque não vejo, Senhor, nem sei como é estreito o caminho que leva a Vós.14 Vejo que é caminho real, e não vereda; caminho pelo qual vai com segurança quem de verdade entra nele. Muito longe estão os recifes e despenhadeiros onde cair, porque as ocasiões também o estão. Senda, e senda ruim, e caminho difícil, considero ser o que de um lado tem um vale muito profundo onde cair e do outro um despenhadeiro. A um mero descuido, os que vão por aí caem e se despedaçam.
Quem Vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por um caminho amplo e real, longe do despenhadeiro, estrada na qual, ao primeiro tropeço, Vós, Senhor, dais a mão; não se perde, por uma queda e nem mesmo por muitas, quem tiver amor a Vós, e não às coisas do mundo. Quem assim é percorre o vale da humildade. Não posso entender o que temem as pessoas diante do caminho da perfeição. O Senhor, por quem é, nos mostra quão falsa é a segurança dos que seguem os costumes do mundo sem se darem conta dos manifestos perigos aí existentes, e que a verdadeira segurança está em fazer esforços para avançar no caminho de Deus. Ponhamos os olhos Nele e não tenhamos medo de que esse Sol de Justiça conheça ocaso, pois Ele não nos deixará andar nas trevas para a perdição se não O tivermos deixado antes.

LIVRO DA VIDA: 35,13-14
Santa Madre Teresa de Jesus

sábado, 28 de novembro de 2009

Advento – tempo de esperança



















Dom Orani João Tempesta


O Ano Litúrgico gira em torno das duas grandes festas do mistério de nossa salvação: o Natal e a Páscoa. A fim de nos prepararmos bem para essas duas solenidades de máxima importância, a Santa Igreja, com seu amor de mãe e sua sabedoria de mestra, instituiu o Advento, que nos predispõe para o Natal, e a Quaresma, que nos prepara para a Páscoa. Praticamente um mês e meio de Advento-Natal e três meses de Quaresma-Páscoa. O tempo chamado “Comum” durante o ano ajuda-nos a caminhar com a Igreja nas estradas da história, iluminados por esses mistérios de nossa fé e conduzidos pelo Espírito Santo.

No próximo final de semana, iniciamos o tempo do Advento, que assinala também o início de um novo Ano Litúrgico. Estaremos proclamando aos domingos, principalmente, o Evangelho de Lucas. Um novo ano que queremos que seja um aprofundamento de nossa vida cristã na história como discípulos missionários. Iniciamos com a expectativa da vinda do Messias até o anúncio que o Senhor Jesus é Rei.

Neste tempo é que a Igreja nos incentiva a colaborar com a Coleta pela Evangelização no terceiro domingo do Advento, preparada nos domingos anteriores. É a nossa corresponsabilidade de levar adiante a encarnação da boa notícia no tempo que chamamos hoje. O tema deste ano: “Ele se fez pobre para nos enriquecer”, já aponta para as reflexões que iremos ter durante a próxima Quaresma, pois a Campanha da Fraternidade de 2010 falará sobre economia.

No decurso dos quatro domingos do Advento, o povo cristão é convidado a preparar os caminhos para a vinda do Rei da Paz. O Cristo Senhor, que há dois mil anos nasceu como homem numa manjedoura em Belém da Judéia, deseja ardentemente nascer em nossos corações, conforme as santas palavras da Escritura: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo” (Ap 3, 20).

No Advento temos a oportunidade de aprofundar a expectativa do “Senhor que virá para julgar os vivos e os mortos”, e na semana que antecede a festa natalina a preparação próxima para celebrar o “Senhor que nasceu pobre no Oriente”. Entre essas duas vindas, o cristão celebra cada dia o seu coração que se abre para o “Senhor que vem” em sua vida e renova a sua existência.

Celebrar o Natal é reconhecer que “Deus visitou o seu povo” (Lc 7, 16). Tal reconhecimento não se pode efetivar somente com nossas palavras. A visita de Deus quer atingir o nosso coração e transformar-nos desde dentro. A tão desejada transformação do mundo, a superação da fome, a vitória da paz e a efetiva fraternidade entre os homens dependem, na verdade, da renovação dos corações. Somos convidados, em primeiro lugar, a aprender a “estar com Jesus”, e então nossa vida em sociedade verá nascer o Sol da Justiça. Nesse sentido, o Santo Padre Bento XVI chamou a atenção para a relevância social da comunhão pessoal com Cristo: “O fato de estarmos em comunhão com Jesus Cristo envolve-nos no seu ser « para todos », fazendo disso o nosso modo de ser. Ele compromete-nos a ser para os outros, mas só na comunhão com Ele é que se torna possível sermos verdadeiramente para os outros, para a comunidade” (Carta encíclica Spe Salvi, n. 28).

Enquanto todos se voltam para o lucro comercial neste tempo que antecede o Natal, os católicos se preparam para que em seu coração haja espaço para o Verbo Encarnado que veio para salvar a todos. O festival de presépios feitos por artistas e espalhados pela cidade, além dos presépios das paróquias, quer ajudar a cidade a ter um novo olhar e repensar sobre o que exatamente celebramos no Natal. Dependerão do encontro com “Ele” as mudanças sonhadas para a sociedade hodierna!

O Advento constitui precisamente o tempo favorável para a preparação do nosso coração. Deixemo-nos transformar por Cristo, que mais uma vez quer nascer em nossa vida neste Natal. Celebrar bem a solenidade do Natal do Senhor requer que saibamos apresentar a Deus um coração bem disposto, pois “não desprezas, ó Deus, um coração contrito e humilhado” (Sl 51, 19). Um coração que busca com sinceridade a conversão é fonte de inestimável comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso mesmo, a oportunidade das celebrações penitenciais se multiplicam pelas Paróquias, dando oportunidade de uma renovação interior. Neste tempo de Advento não tenhamos medo de Cristo. “Ele não tira nada, Ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira” (Bento XVI, homilia da Missa de início do ministério petrino, 24/4/2005).

Como servidor do rebanho de Cristo que me foi confiado, não poderia deixar de insistir nisso: a vida verdadeira, que todos desejamos, só o Amor no-la pode dar. “O ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: « Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor » (Rom 8,38-39)” (Carta encíclica Spe Salvi, n. 26).

Que o tempo do Advento predisponha nossos corações a acolher com intensidade o “Amor que move o sol e as outras estrelas” (Dante, Divina Comédia, Paraíso, XXXIII, 145), e que, por pura bondade, manifestou-se com inigualável força no nascimento do frágil menino de Belém para também mover com suavidade e força a nossa vontade para o Bem.


fonte: www.cnbb.org.br(29/11/2009)

terça-feira, 24 de novembro de 2009









NAS MÃOS DE DEUS



Sou vossa, sois o meu Fim:
Que mandais fazer de mim?

Soberana Majestade
E Sabedoria Eterna,
Caridade a mim tão terna,
Deus uno, suma Bondade,
Olhai que a minha ruindade,
Toda amor, vos canta assim:
Que mandais fazer de mim?

Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, porque me remistes,
Vossa, porque me atraístes
E porque me suportastes;
Vossa, porque me esperastes
E me salvastes, por fim:
Que mandais fazer de mim?

Que mandais, pois, bom Senhor,
Que faça tão vil criado?
Qual o ofício que haveis dado
A este escravo pecador?
Amor doce, doce Amor,
Vede-me aqui, fraca e ruim:
Que mandais fazer de mim?

Eis aqui meu coração:
Deponho-o na vossa palma;
Minhas entranhas, minha alma,
Meu corpo, vida e afeição.
Doce Esposo e Redenção,
A vós entregar-me vim:
Que mandais fazer de mim?

Morte dai-me, dai-me vida;
Saúde ou moléstia dai-me;
Honra ou desonra mandai-me;
Dai-me paz ou guerra e lida.
Seja eu fraca ou destemida,
A tudo direi que sim:
Que mandais fazer de mim?

Dai-me riqueza ou pobreza,
Exaltação ou labéu;
Dai-me alegria ou tristeza,
Dai-me inferno ou dai-me céu;
Doce vida, sol sem véu,
Pois me rendi toda, enfim:
Que mandais fazer de mim?

Se quereis, dai-me oração;
Se não, dai-me soledade;
Abundância e devoção,
Ou míngua e esterilidade.
Soberana Majestade,
A paz só encontro assim:
Que mandais fazer de mim?

Dai-me, pois, sabedoria,
Ou, por amor, ignorância;
Anos dai-me de abundância,
Ou de fome e carestia;
Dai-me treva ou claro dia,
Vicissitudes sem fim:
Que mandais fazer de mim?

Se me quereis descansando,
Por amor o quero estar;
Se me mandais trabalhar,
Morrer quero trabalhando.
Dizei: onde? como? e quando?
Dizei, doce Amor, por fim:
Que mandais fazer de mim?

Dai-me Calvário ou Tabor;
Deserto ou terra abundante;
Seja eu como Jó na dor,
Ou João sobre o peito amante;
Seja vinha luxuriante
Ou, se quereis, vinha ruim:
Que mandais fazer de mim?

Ou José encarcerado,
Ou José Senhor do Egito;
Ou David sofrendo, aflito,
Ou David já sublimado;
Ou Jonas ao mar lançado,
Ou Jonas salvo, por fim.
Que mandais fazer de mim?

Já calada, já falando,
Traga frutos ou não traga,
Veja eu na Lei minha chaga,
Ou goze Evangelho brando;
Quer fruindo, quer penando,
Sede a minha vida, enfim!
Que mandais fazer de mim?

Pois sou vossa, e Vós meu Fim:
Que mandais fazer de mim?

Comentário sobre o Advento- por Frei Gabriel de Santa Maria Madalena











ANO C
(Texto retirado do Livro Intimidade Divina - 1º Domingo do Advento)

O Senhor confirme os nossos corações e os torne irrepreensíveis e santos, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus (1 Ts 3,13)

"Eis que virão dias — oráculo do Senhor — em que realizarei a promessa de justiça feita à casa de Israel... Farei nascer um rebento justo de Davi" (Jr 33, 14-15). Jeremias anuncia a intenção de Deus de realizar a "promessa de justiça", ou seja, do Salvador que deverá nascer da descendência de Davi, prefigurado em "um rebento justo". Ele restabelecerá "a justiça na terra", isto é, resgatará os homens do pecado e os reconduzirá a Deus.

Um dos pontos centrais do advento é o grande fato: nasceu o Salvador, da Virgem Maria. Preocupa-se a Igreja com que não se limite o povo cristão a fazer do Natal de Jesus apenas comemoração tradicional; quer, ao contrário, que se prepare o povo a reviver em profundidade o inefável mistério do Verbo de Deus feito homem “para nossa salvação”(Credo). E porque esta só será completa, ou seja, atingirá toda a humanidade apenas no fim dos tempos, quando "se verá o Filho do homem... vir com grande poder e esplendor" (Lc 21,27), são os fiéis solicitados a viver em contínuo advento. A recordação do natal do Senhor deve ser vivida "na expectativa de que se cumpra a feliz espera e venha o nosso Salvador Jesus Cristo" (Missal romano). O Senhor veio, vem e virá; cumpre agradecer, acolher, esperar. Se a vida do cristão sair desta órbita,falirá.

Ao iniciar o advento com a leitura do evangelho que fala do fim do mundo e da última vinda do Senhor, não pretende a Igreja assustar seus filhos, mas adverti-los de que o tempo passa, a vida terrena é provisória, a meta das esperanças e dos desejos não pode ser a cidade terrestre, mas a celeste. Se o mundo atual está perturbado pelas guerras, desordens, dispersão de idéias, depravação de costumes, tudo isto deve ser o aviso: repudiando a Deus, perece o homem. Somente por Deus poderá ser salvo. E então: "Reanimai-vos e levantai as cabeças, porque se aproxima a vossa libertação”(Lc 21,28). Pretende a Igreja suscitar nos corações o desejo e a necessidade da salvação, o anelo para com o Salvador. Em vez de deixar-nos submergir e abater pelas vicissitudes terrenas, cumpre dominá-las e vivê-las em vista da vinda do Senhor. "Velai sobre vós mesmos, que os vossos corações não se tornem pesados com devassidões, embriaguez e solicitudes da vida, para que aquele dia não vos apanhe de improviso" (Lc 21,34). Cumpre, portanto, "vigiai continuamente na oração" (Lc 21,36) e valer-se do tempo pare progredir no amor de Deus e do próximo. Eis o desejo e a exortacão de São Paulo; "Irmãos, o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos... que ele torne firmes e irrepreensíveis os vossos corações na santidade. . . para a vinda de Nosso Senhor Jesus" (ITs 3, 12-13). Aquela justiça e aquela santidade que o Salvador veio trazer à terra devem germinar e crescer no coração do cristão e, dali, estender-se pelo mundo.

• Em vós espero sempre, Senhor. Lembrai-vos, portanto, de vossas misericórdias e de vossa bondade, que são eternas. . . Bom e reto sois, Senhor! Por isso reconduzis os pecadores ao bom caminho. Dirigis os humildes na justiça e ensinais aos pobres os vossos caminhos. Todos os vossos caminhos são graça e fidelidade para aqueles que guardam vossa aliança e vossos preceitos.(Salmo 25, 5-6. 8-10).

• Tendo eu consciência dos meus pecados, de que me adianta Senhor, que venhais, se não vierdes à minha alma, se não voltardes ao meu espírito, se vós, ó Cristo, não viveis em mim e não falais comigo? É a mim que deveis vir, é por mim que deverá realizar-se o vosso advento. O vosso segundo advento, Senhor, acontecerá no fim do mundo, quando pudermos dizer: "O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo".
Fazei, ó Senhor, que no fim do mundo, eu me encontre. . . tal como será minha vida no céu... Então, para mim, realizar-se-á a presença da sabedoria, a presença da virtude, da justiça e da redenção. De fato vós, ó Cristo, morrestes uma só vez pelos pecados do povo, a fim de resgatar, cada dia, o povo dos seus pecados.
(Cf. Sto. Ambrósio, Comentário ao Evangelho de S. Lucas, X, 7-8).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Centenário da chegada dos Teresianos no Sudeste


Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil

6. Cambuí e região: a messe é grande


O convento-sede da missão brasileira dos frades da Província Romana instala-se em Córrego, no dia 2 de abril de 1911. Mas a Paróquia principal localizava-se na sede do município, Cambuí, de onde Córrego era distrito. Logo após a chegada dos frades D. Assis dá provisão de Pároco de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí ao frei Marcelino de Santa Teresa.



a) A cidade e a Paróquia de Cambuí





A Cidade de Cambuí nasceu como uma parada entre Camanducaia e Pouso Alegre, e recebeu este nome devido as árvores que povoavam as margens do Rio das Antas. Seu nome significa "a planta ou a folha que se desprende". Nos longínquos anos de 1787 já existem relatos sobre lugarejos denominados "Rio do Peixe" e "Roseta" - sendo que o nome Cambuí aparece pela primeira vez no ano de 1789 num livro de batismos da Paróquia de Camanducaia. De fato, Camanducaia, antes chamado Jaguari, foi o antigo povoado a qual pertencia Cambuí.

A região dia-a-dia se torna mais povoada, até que, por iniciativa do Capitão Francisco Soares de Figueiredo, nascido em Portugal e radicado em Campanha, e com a doação de um terreno pelo Capitão Joaquim José de Moraes e sua esposa, a Sra. Isabel Pinheiro Cardoso, é erigida uma capela em homenagem a Nossa Senhora do Carmo no lugar hoje denominado "Cambuí - Velho".
A localidade, no entanto, vai se desenvolvendo, e a igreja começa a sofrer o desgaste do tempo. As casas, feitas de taipa e adobe, são erigidas de modo desorganizado e o lugar é de acesso muito difícil.
Tendo em vista estas dificuldades, em agosto de 1834 é levado um documento à Cúria de São Paulo, pedindo autorização para a construção de outra capela num lugar melhor - onde hoje se situa a igreja matriz. Concedida à licença e após ser construída a igreja, é feita a mudança dos habitantes - que fazem uma procissão rumo à terra do Novo Cambuí.

Com a mudança, Cambuí se desenvolve e em 1850 o pequeno Curato de Camanducaia é declarado Paróquia - confirmando a autonomia da organização eclesiástica. Cambuí se mantém influente na região. Tem em pleno século dezenove, com as dificuldades do transporte, duas bandas de música, revelando sua inclinação às artes e à cultura que viriam a ter os cambuienses. Além disso, com o desaparecimento do Capitão Soares em 1864, assume o comando da freguesia o Tenente Coronel Francisco Cândido de Brito Lambert, também vindo de Campanha, que logo ocupa a Presidência da Câmara Municipal de Camanducaia mostrando o prestígio político dos habitantes de Cambuí.


Cambuí cresce e se desenvolve. Comerciantes, sapateiros, fazendeiros, tropeiros aquecem o cenário local até que em 24 de maio de 1892 Cambuí se torna cidade confirmando sua independência política.


Após a emancipação de Cambuí em 1892, seus habitantes liderados pelas figuras de José Alexandre de Moraes, Capitão Zeferino de Brito Lambert, Padre José da Silva Figueiredo Caramuru, Capitão Antonio José de Brito Lambert e Antonio Evaristo de Brito dão início à adaptação do novo município. A cidade, que também é elevada a Comarca prospera a cada dia. Abarcando os municípios de Senador Amaral, Bom Repouso e Córrego do Bom Jesus, tendo uma vida cultural intensa.


b) Frei Marcelino de Santa Teresa - Pároco de uma cidadezinha que cresce aos poucos


A Paróquia de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí foi fundada em 1850, o que marcou também a emancipação do município. Com a chegada dos Carmelitas em 1911 fr. Marcelino assume a Paróquia.


Fr. Marcelino de Santa Teresa (Henrique Dorelli) nasceu em Roma no dia 25 de agosto de 1864. Professou na Ordem no dia 28 de agosto de 1883 e no dia 21 de setembro de 1889 foi ordenado sacerdote. Depois de ordenado foi professor de filosofia no Colégio da Província Romana de Caprarola e em 1900 (24 de novembro) foi nomeado pela Sagrada Congregação de Propaganda da Fé como Missionário Apostólico. Em 1911 se une aos primeiros missionários que vêem ao Brasil e assume, logo na sua chegada, a Paróquia de Cambuí.



Fr. Marcelino empenha todo o seu zelo pelas almas aos seus cuidados nos três anos que ficou à frente da Paróquia, sem deixar de participar dos atos de sua nova comunidade, fixada em Córrego. A distância entre a cidade de Cambuí e o distrito de Córrego é pequena, uns 15 quilômetros e o frade vive entre as duas cidades e o grande campo missionário em torno de Cambuí, formado por pequenas capelas privadas nas muitas fazendas e pequenos povoados espalhados pela região montanhosa.


m 1911 a Praça da Matriz era um descampado de terra, cercado de arame farpado. Não havia uma única árvore para amenizar o calor. A Igreja, modesta, possuía um torre solitária que fazia sombra a imagem do Cristo que chamava os fiéis a frente de sua porta principal. Ao lado da Igreja, funcionava o Mercado Municipal. Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituídade dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época, no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de 1930. Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”, fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.


Mesmo sendo tão pequena e pacata, Cambuí possuía um jornal semanal, chamado Correio do Povo e editado pelo Dr. Dráuzio de Alcântara e José Alexandre de Moraes. Dele, restam apenas 2 exemplares conhecidos: de dezembro de 1911 e julho de 1912, então em seu número 37, justamente nos dois primeiros anos do curato de fr. Marcelino.

Fr. Marcelino e o novo cinema na cidade


Em 1912 inaugura-se na cidade de Cambuí o seu primeiro cinema. Não se pode precisar sua inauguração, mas ocorreu antes desta data, 14 de Julho de 1912. Funcionava no largo atrás da Igreja Matriz, onde funcionava o mercado. O Recreio Cinema era de propriedade do Major José Luiz Tavares da Silveira, farmacêutico formado em Ouro Preto, na época capital de Minas Gerais, antigo Juiz de Paz e presidente da Câmara Municipal no século XIX. Em 1912, o acesso a Cambuí era por caminhos de tropas de burros. Uma viagem levava dias, enfrentando lama e cansaço. Poucas pessoas, àquela época, conheciam outros lugares exceto a própria cidade. O cinema era uma porta para o mundo para aquela gente e trouxe novidades para a cidade. Naquele tempo, o cinema era o grande propagador de imagens, e as pessoas somente poderiam conhecer a Pérsia e outros lugares exóticos no cinema, além da própria cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Capital Federal. Fr. Marcelino se vê nesta situação. No jornal "A Montanha", de 30/02/49 Levindo Lambert nos conta:


"A inauguração do cinema foi um acontecimento de grande ressonância em Cambuí e seus arredores. Instalara-o uma empresa, de que era presidente o saudoso farmacêutico José Luiz Tavares da Silveira. Os trabalhos técnicos foram feitos pela inteligência brilhante de João Batista Corrêa, mais tarde substituído pelo não menos inteligente Lázaro Silva. Não havia luz elétrica na cidade. Um motor a gasolina produzia a luz interna e externa e acionava o projetor. A banda de Música do Zeca Preto rompia um dobrado nos confins da Rua Coronel Lambert e marchava para o cinema arrastando já um punhado de assistentes. A Igreja se esvaziava e Frei Marcelino Dorelli, carmelita descalço, pregava zangado: - Calígula tinha um cavalo chamado Incitatus. Elegeu o cavalo Senador de Roma e dava banquetes, comidas finas e bebidas gostosas. Mas o cavalo relinchava e pateava quando via um feixe de alfafa. E concluiu cheio de humor: O Povo de Cambuí é como o cavalo de Calígula: deixa a Igreja para procurar o Cinema... Não adiantava a arenga do frade ingênuo e bom. O povo largava a reza e acompanhava mesmo a Banda de Música, a caminho do cinema."


Cambuí, àquela época, não tinha energia elétrica. a aquisição de gerador potente para a iluminação pública, particular e urbana. E isso foi feito, com algum êxito. A luz era dada aos usuários e logradouros até às 23 horas. Esse sistema perdurou até 1924.


c) A Matriz de Nossa Senhora do Carmo












No ano seguinte ao início de seu pastoreio, Fr. Marcelino dá início à reforma da Matriz de Nossa Senhora do Carmo, no dia 8 de setembro de 1912. A igreja construída pelo Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma octogonal, com estrutura também de madeira.


Fr. Marcelino inicia a reforma da antiga igreja que os párocos posteriores terminam antes de 1920, dando lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno, sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas. Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. A reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.



d) Despedida de Fr. Marcelino


Em 1913 Fr. Marcelino contrai a malária e é obrigado a retornar a Roma. Habita no convento de Santa Maria della Scala onde trabalha na investigação histórica da Província Romana. Em 20 de fevereiro de 1946 falece na cidade eterna. Seu substituto na Paróquia de Cambuí foi fr. Mauro de São José, que assumiu a Paróquia de 1913 a 1914.


e) Uma terceira Paróquia


No final do mês de maio de 1911, portanto no mês seguinte á chegada dos frades na região de Cambuí, D. Assis pede que os frades assumam também a Paróquia de Jaguari. Fr. Mauro de São José foi indicado para assumí-la e chega a receber a provisão do Sr. Bispo. Mas o Pároco local, Cônego Saturnino de Paula Conceição, não aceita a nomeação nem sua transferência, e D. Assis então pede que Fr. Mauro assuma uma outra Paróquia: a de Capivari do Paraíso e Bom Retiro, que distava 18 quilômetros de Córrego. Frei Mauro assume a cura da comunidade e vai para lá duas vezes por mês para celebrar as Missas e administrar outros sacramentos. A situação em Capivari ficará assim pelos próximos anos, com a impossibilidade do Pároco de fixar residência por lá. No dia 10 de setembro de 1914 Frei Nicolau, frade que virá para a região na segunda leva de missionários que chega em 1912, assume a Paróquia no lugar de Fr. Mauro. Até 1916 ele partilha o trabalho pastoral naquela região com fr. Félix, fr. Anselmo e Fr. Jerônimo.

A situação, porém, vai ficando difícil, porque os frades começam a deparar-se com outros pedidos e fundações. Com todo o esforço dos frades a Paróquia de Capivari continua com uma assistência pequena e esporádica. Com a posse do novo bispo de Pouso alegre, D. Otávio Chagas de Miranda, no dia 29 de junho de 1916, o povo de Capivari lhe apresenta, em sua primeira visita pastoral à Paróquia no dia 19 de outubro, o pedido para um Pároco que seja residente. Na impossibilidade dos frades de poderem fundar ali um outro convento, D. Otávio indica um outro pároco para aquela comunidade e os frades, oficialmente, deixam os cuidados pastorais da Paróquia. No dia 20 de dezembro o Padre Lauro de Castro tomará posse em Capivari.

Centenário da chegada dos Teresianos no Sudeste















Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil

5. Córrego do Bom Jesus: o início


A cidade de Córrego do Bom Jesus foi escolhida para a instalação da comunidade. Fr. Arcanjo é o superior, pároco, e vigário provincial da nova missão. Nascido em 14 de Março de 1871, professou na Ordem no dia 29 de Março de 1887 e no dia 21 de Maio de 1897 foi ordenado sacerdote. Na Província Romana foi Definidor Provincial. Douto e pio, destacava-se por ser um grande pregador e professor de música sacra. Quando a Província decidiu reabrir o convento da cidade de Terni, onde encontram-se os restos mortais de São Valentino, patrono dos namorados, Fr. Arcanjo foi nomeado prior daquele convento e com firmeza e tato convocou a população a retomar a sua vida religiosa, pois muitos, naquela região, influenciados pela doutrina marxista, tinham-se afastado da Igreja. Fr. Arcanjo foi escolhido a dedo para chefiar o grupo dos primeiros missionários no Brasil, para onde foi e dedicou seus últimos anos de vida.
Em Córrego os frades buscam conhecer a realidade e dar vida à comunidade. O que os frades encontram? Córrego do Bom Jesus era um pequeno povoado, elevado a distrito de Cambuí não muito tempo antes da chegada dos frades (1889). Naquele tempo contava com uma população de uns 3.000 habitantes. Mas naquela época já era um centro de peregrinação para toda a região do vale de sapucaí.























De fato a igreja foi construída em 1865 e é em torno dela que o povoado começou a surgir. O templo foi dedicado ao Sr. Bom Jesus. A Paróquia foi criada quando Córrego pertencia à Diocese de S. Paulo, em 1899. Mas o crescente movimento de fiéis que visitavam a Igreja levou d. Assis, bispo da Diocese de Pouso Alegre, a planejar elevá-lo a Santuário. Nos planos do bispo a chegada dos Carmelitas revitalizariam o santuário que o bispo cria na primeira visita pastoral que faz aos Carmelitas depois de sua chegada, no dia 4 de agosto de 1911. Nesta visita, inclusive, D. Assis pede que os frades procurem instruir o povo e chamá-lo aos sacramentos. A importância, portanto, desta igreja, na região, é que levou D. Assis a pedir aos frades que habitassem em Córrego, e não em Cambuí, sede da municipalidade.


A devoção ao Sr. Bom Jesus



A imagem do padroeiro foi confeccionada em Portugal, pelo escultor Manoel Soares de Oliveira e pintada por João Teixeira especialmente para umas das Igrejas do Império do Brasil. A obra de tamanho natural e esculpida em madeira policromada representa o ECCE HOMO.A imagem pesando cerca de 70 KG figura um dos passos da Paixão de Jesus. Flagelado e coroado de espinhos, é apresentado ao povo pelo juiz – com as mãos atadas e o olhar voltado para o céu, o seu semblante exprime serenidade numa perfeita expressão de dor. A data de fabricação embora desconhecida é supostamente pertencente ao 3º quartel do século XIX.

No dia 17 de junho de 1873 os jornais da cidade do Porto, "Comércio do Porto" e "O Progresso Comercial" falaram sobre o escultor e a exposição da imagem no Porto. Entre as especificações estava o tamanho natural da imagem, e a expressão de dor na fisionomia do Senhor preso em um dos Passos da Paixão de Jesus, apresentado ao povo pelo juiz, flagelado e coroado de espinhos. Outros jornais do Porto, como "A Palavra", o "Primeiro de Janeiro" e o "Jornal da Manhã", também se manifestaram no mesmo sentido.
A histórica imagem foi trazida do Rio de Janeiro em um carro de bois em 1873. Segundo uma transcrição do jornal "A Propaganda" de 22 de setembro de 1904, a imagem começou a ser ovacionada e transportada pelo povo em Jaguary.
A imagem foi abençoada e veio em procissão com a música do Sr. Brito, até a entrada do Córrego, na época freguesia, onde aconteceuo encontro com a imagem de Nossa Senhora, acompanhada de mulheres e de música do Sr. Quintino.
O Reverendo Caramuru falou para milhares de pessoas sobre a bondade de Deus para com os homens, perdoando-lhes até na hora em que o mataram, e exaltou os fieis como um exército comandado pelo coração e obedecendo pelas lágrimas.
A procissão seguiu por ruas cobertas de folhas e flores, com as janelas embandeiradas. Ao entrar na matriz o Reverendíssimo Padre João Borges Soares de Figueiredo pediu a todo que rezassem um Pai Nosso, para aquele que mandou vir do Porto aquela imagem soberanamente perfeita.














Assim ficaram estabelecidas as festas do Senhor Bom Jesus do Córrego.
A primeira festa aconteceu antes da chegada da imagem de Bom Jesus em 1873. Conhecida como "Festa do Córrego" ou " Festa de Agosto", a cada ano atraía mais festeiros e devotos. Fr. Arcanjo e seus confrades encontram, portanto, o campo espiritual da região de Córrego em plena expansão e empenham-se em evangelizar através da devoção do Bom Jesus, através da dedicação na formação do povo, nas horas ininterruptas passadas no confessionário, das pregações e Missas, mas também reforçando a beleza das tradições locais que dava uma identidade cada vez mais sólida àquele povo, com seus carros de boi, sua decoração colorida e sua culinária.

Centenário da chegada dos Teresianos no Sudeste















Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil

4. Partida e chegada dos quatro pioneiros

O final do século XIX e a primeira metade do século XX foi um período de chegada no Brasil de muitos missionários das modernas congregações nascidas na Igreja nestes tempos. Os Descalços também conhecem naquela época uma grande expansão missionária. Neste clima, o pedido de D. Assis aos Carmelitas Descalços da Província Romana, de enviarem missionários para sua Diocese, encontrou acolhida entusiasmada no coração da Província. Frei Rodrigo de São Francisco de Paulo era o Provincial de turno que em 1910 tudo prepara para que a missão se inicie: apresenta o pedido ao conselho da Província, percebe por parte dos frades a acolhida, vai em busca dos frades dispostos para a empreitada, faz o pedido à Ordem. Depois dos trâmites legais e das devidas autorizações, inclusive por parte de Fr. Ezequias do Sagrado Coração, Geral da Ordem, passa à preparação da documentação dos frades escolhidos para partirem no início do ano seguinte. Os pioneiros da missão no Brasil são os sacerdotes Fr. Arcanjo de São Pedro, Fr. Marcelino de Santa Teresa, Fr. Mauro de São José e o irmão-leigo Fr. Afonso de Santo Agostinho.
Eles partem do Porto de Gênova no dia 11 de março a bordo do Navio de propriedade do Lloyd Italiano de nome Cordova (rebatizado como Rio de Janeiro em 1912 e em 1913 chamado com o nome de origem, foi torpedeado e afundado perto de Cape Armi, na Itália, em 1918), colorido de amarelo e preto na chaminé e atraca no porto do Rio no dia 26 de março, depois de 16 dias de viagem transatlântica.
Os frades chegam no Brasil no ano em que governava o país o militar Hermes da Fonseca, no ano em que os marinheiros se revoltaram no Rio contra a injusta chibata, no ano da fundação de um clube de imigrantes italianos (o guarani, de Campinas, fundado em 2 de abril), num ano em que, no dizer de Nelson Rodrigues, "ninguém bebia um copo d'água sem paixão".




Após chegarem ao Rio de Janeiro, os quatro expedicionários vão a cavalo para o Sul de Minas e chegam a Pouso Alegre no dia 02 de abril.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Centenário da chegada dos Descalços no Sudeste















Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil

3. A região que margeia o rio Sapucaí

No extremo sul de Minas uma muralha verde dá as boas vindas a quem chega. A Serra da Mantiqueira, que tem seu nome originado do 'Amantikir' e significa "montanha que chora", com suas matas fechadas, foi um grande desafio para os primeiros desbravadores. Os índios foram os primeiros habitantes das serras, como comprovam as inscrições rupestres e os sítios arqueológicos. Depois vieram os bandeirantes em busca de ouro, seguindo o trajeto do rio Sapucaí, cujo nome deriva das sapucaias -- árvores que crescem em suas margens, e que nasce próximo aos municípios de Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí, no estado de São Paulo, e deságua no rio Grande, no município de São José da Barra, próximo à hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais. Nas suas margens vão nascendo pequenos povoados (Bom Repouso, Bueno Brandão, Cachoeira de Minas, Cambuí, Camanducaia, Conceição dos Ouros, Consolação, Córrego do Bom Jesus, Estiva, Extrema, Gonçalves, Inconfidentes, Itapeva, Paraisópolis, Sapucaí-Mirim, Senador Amaral, Tocos do Moji e Toledo, etc).













Os bandeirantes que foram para a região em busca do ouro, não o acharam (ele se encontrava mais ao centro das Gerais). Depararam, porém, com terras férteis e rios generosos. As cidades da região do Sapucaí e da Serra da Mantiqueira mantêm os hábitos de vida simples. Estão presentes nesse cotidiano o fogão a lenha, as quitandas, o queijo artesanal, doces, geléias e pães, além dos pratos típicos da apreciada cozinha mineira. Nestas paragens, as mãos do povo montanhês expressa em arte sua cultura e sua visão de vida através do barro, da palha, da madeira e do tecido. A arte também revela, nas festas típicas da região, a fé daquela gente.
Foi nesta região que os Carmelitas Descalços da Província Romana são enviados em Missão no ano de 1911.

Centenário da chegada dos Descalços no Sudeste














Pequeno Histórico da chegada dos Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil

2. A Província Romana

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Depois da morte de Santa Teresa (1582), a Ordem dos Carmelitas Descalços se estendia na Itália com as fundações dos conventos de Gênova (1584) e de Santa Maria da Scala em Roma (1597). No dia 13 de Novembro de 1600, Clemente VIII decretava o nascimento da Congregação Italiana de Santo Elias. A nova Congregação teve uma prodigiosa expansão. No Capítulo Geral de 1617, em 12 de maio, foi dividida em seis províncias, entre as quais a da Província Romana, com o título da Purificação de Maria Santíssima. O território da Província, que inicialmente se extendia por todo o Estado Pontifício, as Duas Sicílias e Malta, foi, com o nascimento de outras Províncias, restringindo-se a Lazio, Umbria e Abruzzo.
No início do século XX, depois que a Ordem conhece um período longo de perseguições e renasce com a unificação das Congregações Italiana e Espanhola, a Província Romana cresce e assume a Missão do Líbano e da Síria em 1908. Em 1911 inicia a Missão no Brasil. Em 1968 assume a Missão no Congo. Todas as três missões tiveram pleno êxito, tornando-se independentes da Província com o crescimento das vocações locais.

Centenário da chegada dos Descalços no Sudeste
















Em vistas da celebração do centenário da chegada dos Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil a celebrar-se a partir do próximo ano, tentaremos escrever um pequeno histórico daqueles inícios, a partir de pesquisas em livros e revistas da Ordem, da Província Romana e de anotações feitas pelo nosso frei Mariano Júnior, atualmente empenhado no resgate de nossa história.
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Pequeno histórico da chegada dos frades Carmelitas Descalços no Sudeste do Brasil
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1. A pedido de D. Assis
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D. Antônio Augusto de Assis, nascido em 1863 na cidade de Lagoa Dourada (MG), foi nomeado Bispo Titular de Sura e Coadjutor de Pouso Alegre (MG) em 10 de julho de 1907, sendo o bispo diocesano D. João Batista Correa Nery. Com a transferência de Dom Nery para sua terra natal, Campinas, que fora escolhida para sediar uma das primeiras dioceses do interior paulista, Dom Assis foi nomeado Vigário Capitular de Pouso Alegre, em outubro de 1907, e nesta qualidade regeu a Diocese até maio de 1909. Em 27 de janeiro de 1909, foi nomeado como segundo Bispo de Pouso Alegre, tomando posse a 17 de novembro deste mesmo ano. A diocese de Pouso Alegre, criada em 1900, era a chamada "diocese do sul de minas", fazendo divisa com as dioceses de São Paulo e Mariana.

Estando à frente da Diocese D. Assis empenhou-se em prover um imenso território e mais de 800.000 pessoas de sacerdotes e missionários. Além de fomentar o clero local D. Assis era aberto reconhecia a importância da presença de religiosos na diocese e, no curto espaço do seu bispado, foi em busca dos consagrados para atuarem no seminário e no colégio diocesano e para assumirem a missão na região de Córrego. Para o seminário chamou os Missionários do Sagrado Coração, única família religiosa masculina presente em todo o território da atual arquidiocese, que chegaram em maio de 1911. Para a missão chamou os Carmelitas Descalços.

Seu contato para trazer os Descalços para o Sul de Minas foi com o Cardeal Gaetano de Loi, então protetor da Ordem. O Cardeal entra então em contato com o Provincial Romano que iniciará o processo de decisão na Província até o envio dos primeiros missionários ao local.
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O desejo de o bispo de Pouso Alegre ter os carmelitas pode explicar-se pelo devotamento que o bispo tinha ao Carmelo, talvez desde a época em que fora pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo em Borda da Mata, na mesma região de Pouso Alegre. O Carmelo vai-lhe coroar a trajetória como bispo - em 1916 deixa a Diocese de Pouso Alegre para assumir a nova diocese de Guaxupé (a diocese possui três paróquias dedicadas a Nossa Senhora do Carmo); em 1918 vai para Mariana, como auxiliar de D. Silvério; com a morte de D. Silvério, D. Assis decidiu morar no Rio de Janeiro, no convento da Ajuda; mas, em 1931, com 68 anos, foi designado para assumir a então recém-criada diocese de Jaboticabal, no interior de S. Paulo, sendo seu primeiro bispo. Aí D. Assis falecera em 1961. Depois de ter sido enterrado na Catedral de São João del-Rei (MG), seus restos mortais foram transferidos para a Catedral de Jaboticabal, dedicada à Gloriosa Virgem Maria do Monte Carmelo, onde repousa aos pés da excelsa Mãe a quem tanto amou.

NOVO DICIONÁRIO SOBRE SANTA TERESA - organizador Frei Patrício Sciadini

















Para ajudar-nos em nossa preparação para o Vº Centenário de Santa Teresa em 2015, as Edições Carmelitanas, em parceria com editoras católicas, lançou nesta semana o DICIONÁRIO DE SANTA TERESA, em português, sob a coordenação de Fr. Patrício Sciadini. Está previsto para data bem próxima também a publicação do LIVRO DA VIDA, separado das obras completas, pela Paulus Editora, informou fr. Patrício, diretor das Edições. O Livro da Vida é a obra de Santa Madre que releremos no ano de 2010.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mais de setenta mil jovens no Santuário de Santa Teresa dos Andes











CARDEAL ERRÁZURIZ PEDE QUE SE SEMEIE A ALEGRIA NOS CRISTÃOS INDIFERENTES



SANTIAGO, segunda-feira, 19 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- O cardeal Francico Javier Errázuriz, arcebispo de Santiago, pediu aos mais de setenta mil jovens que peregrinaram neste sábado ao Santuário de Auco ser luz de Cristo para o mundo.
“Vocês sabem quanta gente realmente não vive com plenitude o fato de ser cristão, em quantos deles não há alegria e em quantos deles se percebe indiferença e tristeza”, disse-lhes durante a Eucaristia celebrada na explanada do Santuário.
“Queremos ser luz do mundo por nosso espírito de serviço, também porque queremos semear esperança e alegria – acrescentou. Nossa missão, então, é que também eles sejam luz do mundo e por isso nosso trabalho é conduzi-los a Jesus”.
A Missa foi o momento culminante da tradicional peregrinação anual de jovens procedentes de todo Chile ao Santuário de Santa Teresa dos Andes.
Os peregrinos caminharam 27 quilômetros na referência do testemunho de Santa Teresa de Los Andes, e sob o lema “Luz de Cristo para o mundo”, inspirado na mensagem do Papa para a Jornada Mundial das Missões deste ano.
Durante o caminho, os peregrinos se encontraram com doze estações que lhes motivaram com sinais, cantos e lemas que lhes convidavam a celebrar e renovar sua fé em Jesus.
Também, quatro jovens copiaram o Evangelho do Chile, transcrevendo os versículos da Carta aos Hebreus.
Sobre este ato simbólico, o cardeal assinalou depois na homilia da Missa que “o grande presente” que a Igreja quer dar ao país em tempos de bicentenário “é que sejamos Evangelho vivo”.
“Que essa palavra que os jovens escreveram sobre essa folha for palavra escrita em nossa vida, em nosso coração e em nossas ações”, pediu.
“Queremos ser luz do mundo precisamente fazendo que o Evangelho viva em nossa pátria e que novamente a cultura inteira seja um espaço de amor, de esperança, de justiça, de paz e de verdade”, afirmou.
A história da peregrinação “De Chacabuco ao Carmelo! Um caminho de santidade” remonta a 1989, em que se efetuou o primeiro percurso.
A celebração, que a cada 17 de outubro convoca dezenas de milhares de jovens, está organizada pela Igreja de Santiago através do Vicariato da Esperança Jovem, em conjunto com o Santuário de Santa Teresa dos Andes.

fonte: zenit.com

Convidarão o Papa Bento XVI para os 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila




ÁVILA, 16 Out. 09 / 10:21 am (ACI).- O Bispo de Ávila, Dom Jesus García Burillo, anunciou que se cursará um convite ao Papa Bento XVI para que visite a diocese em 2015 com motivo do 5º Centenário do nascimento de Santa Teresa, e se pedirá à Santa Sé "a declaração de Ano Jubilar para estas datas".

"Ainda sabendo da dificuldade que entranha a realização deste desejo, será feito um convite formal solicitando a graça inestimável de sua presença entre nós", anunciou o Prelado durante a celebração da festividade de Santa Teresa, cuja Missa esteve presidida pelo Arcebispo Emérito de Valência, Cardeal Agustín García-Gasco.

Dom García Burillo expressou seu "mais profundo desejo de que Sua Santidade o Papa pudesse visitar Ávila em dito Centenário, como já o fez seu predecessor João Paulo II em 1982, com motivo da clausura do IV Centenário da morte da Santa Teresa".

Com respeito à solicitude de Ano Jubilar, o Bispo de Ávila assegurou que se trata de "um tempo em que a Igreja Católica concederia singulares graças espirituais aos fiéis com motivo do aniversário do nascimento da Doutora da Igreja".

Dom Burillo se dirigiu aos fiéis e autoridades locais, e os convidou a unir-se ativamente na preparação do 5º Centenário do nascimento de Santa Teresa.

"Convido a todos a unir-se a este tempo de preparação (...) no qual já estão comprometidos o Bispado de Ávila e a Ordem do Carmelo Descalço", manifestou.


fonte: www.acidigital.com

Dia do professor tem origem na Solenidade de Santa MAdre Teresa de Jesus


A origem do dia do professor

20/10/2009 - 08h50m
Sebastião Abiceu
Professor

Conforme o site http://www.unigente.com/professor, a origem do dia do professor ocorreu de acordo com o fragmento abaixo:

Em 15 de outubro de 1827 (no dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial no sentido de que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.

Surgiu apenas em 1947, exatamente 120 anos após o referido decreto, a primeira comemoração de um dia todo dedicado ao Professor. Foi em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de se organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano. O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro - data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização.

Era na Escola Normal Oficial de Piracicaba (atual Instituto de Educação Sud Menucci), onde tinha ele estudado e por onde se formavam professores para o ensino básico. O diretor, Onofre Penteado, gostou da iniciativa. A festa foi um sucesso. No ano seguinte, o jornal “A Gazeta” fez a cobertura do acontecimento, que já contava com a adesão de um colégio vizinho: o Pais Leme, que ficava na esquina da Rua Augusta com a Av. Paulista. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.

No dia 15 de outubro de 2009, completa 62 anos a primeira comemoração do dia do professor. Devemos aproveitar esta data para refletirmos sobre a nossa condição político profissional no contexto desta sociedade. Em países mais desenvolvidos os professores são cidadãos altamente respeitados, são vistos como aqueles que constroem, juntamente com as famílias do educando, a base da sociedade, construção que se faz não só em termos acadêmicos, mas acima de tudo, na edificação de valores morais e éticos. Infelizmente o mesmo não acontece aqui, no país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, onde nossos governantes e grande parte da sociedade não dispensam esse mesmo tratamento a nossa classe. Aqui a educação, na maioria das vezes, é tratada como um grande negócio, uma educação puramente mercadológica, onde um projeto de educação humanista tem pouco ou quase nenhum valor. Bom professor para muitos é aquele que tem suas dicas contempladas nas provas dos vestibulares (os quais merecem todo o nosso respeito). E aqueles que ajudaram a construir a base acadêmica? As nossas professoras alfabetizadoras, professoras das primeiras letras?

Nesta oportunidade, quero pedir licença ao leitor e abrir espaço para homenagear a todos os colegas professores nas pessoas da dona Fiinha ( como era carinhosamente chamada pelos seus alunos), responsável pela primeira sala da aula multisseriada criada na localidade de “Garajau”, em Estreito de Miralta, distrito de Montes Claros, em 1964, que hoje foi transformada na E.M. Irmã Beata, da dona Eugênia Versiani e dona Zildete Versiani, do Grupo Escolar Belvinda Ribeiro, no bairro Santos Reis, da dona Adalcíria Sarmento, do Grupo Escolar Dona Quita Pereira, na antiga Vila Ipê, hoje bairro Edgar Pereira, da professora de Geografia dona Eunice Carneiro, fundadora da sala multisseriada que deu origem a E.E. Dr. Carlos Albuquerque, localizada no bairro Maracanã, para mim eternas mestras. Algumas delas já foram convocadas para compor o corpo docente celestial, atendendo ao convite do Mestre Maior, partiram sem alarde, para continuar sua missão de educadoras, deixando apenas, na memória de cada um dos seus alunos,
um rastro de saudade.

Voltando a nossa reflexão, ressaltamos que, mesmo diante de tantos descasos, tantas mentiras, é preciso acreditar, assim como Monteiro Lobato, que “um país se faz com homens e livros”, e que somos os maiores artífices desta construção. Por mais que queiram derrubar nossa auto-estima é preciso encontrar motivos para levantá-la e continuarmos caminhando olhando sempre para o horizonte, pois ele é uma grande utopia. Como bem disse a filósofa Terezinha Rios, utopia não é o impossível, não é ilusão, e sim aquilo que ainda não foi possível conquistar. Dentro desse contexto, para que serve o horizonte? Para que possamos continuar caminhando, com o desejo de conquistar o que desejamos e acreditamos que é indispensável, NOSSA DIGNIDADE PROFISSIONAL. Não podemos jamais desistir dos nossos sonhos, dos nossos ideais. É preciso que continuemos contagiando o nosso educando, incentivando-o a sonhar e sonharmos juntos, com um país mais desenvolvido, acima tudo, mais humano, mais ético, mais fraterno.


fonte: www.onorte.net/noticias

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um testemunho vocacional...



Santo Deus! Já fazem uns quatro anos desde que fui ao Carmelo em BH.
Bom, hoje eu estou com 20 anos, estou no terceiro ano do curso de Física Biológica na Unesp, campus de São José do Rio Preto. Acredito que amadureci muito nesses anos, tive várias experiências importantes para isso. Eu me mudei de Potirendaba em julho de 2006, passei a morar em José Bonifácio. Terminei naquele ano o terceiro colegial e prestei o vestibular. Passei e comecei meus estudos em 2007, sempre gostei da ciência e me interessava muito a física. Continuei pensando bastante no Carmelo e pedindo a Deus que me iluminasse. Acredito que os fatos em minha vida são guiados pelo bom Deus, pois só o que desejo é agradá-lo em tudo o que faço. Desde que entrei na faculdade, senti que talvez o melhor lugar onde eu poderia servir a Deus e ao próximo fosse a universidade. Eu tenho buscado ser presença de Deus onde estou, com gestos e postura de um católico que ama a Deus e ao próximo, levando a espiritualidade junto comigo. Eu estou muito interessado em fisica teórica, penso em fazer mestrado, doutorado e tentar um dia ser professor aqui mesmo na Unesp.
Também estou pensando em namorar. Desde que eu comecei a pensar em ser carmelita eu nunca mais namorei. Minha prima, da minha idade, se casou a um tempo e teve um filho. Eu confesso que senti uma "santa inveja" dela, fiquei muito feliz por ela no casamento, e quando eu vi a criança, a casa dela e a maneira como ela está vivendo agora. Uma vida simples, com a família. Eu gosto muito de crianças, eu adoraria ter filhos, se dependesse só de mim teria uns cinco. Acho que quero me casar e constituir uma família. Tenho pensado e meditado sobre algo que achei ser fantástico: que a Vontade de Deus nada mais é que sejamos felizes. Se pensarmos assim, chegaremos a conclusão de que a única forma de sermos felizes é se formos santos e para sermos santos é necessário seguir o que Jesus nos ensinou, que nada mais é do que Amor. Assim, amar é a vocação primeira de todo cristão, para glória de Deus, pois ser feliz é dar glória a Deus que nos criou para sermos felizes! Entendo o que Santa Teresinha quis dizer quando abraçou essa vocação ao Amor.
Minha conclusão é que finalmente sou capaz de tomar uma decisão em minha vida. Acho que compliquei demais algo que era simples. Mas eu agora entendo que essa é a missão de um acompanhamento vocacional, mesmo que eu não tenha dado notícias e pareça que eu não tenha pedido conselhos, foi por ter feito esse compromisso com o Carmelo que eu fui capaz de pensar bastante e meditar sobre a minha vida e o que eu quero para ela. Qual a melhor maneira de ser feliz? Depois de quatro anos eu descobri que para mim é me tornando um bom Físico e um bom Professor, e me tornando um Pai dedicado e esposo amável, constituíndo uma família santa para amar e servir a Deus. Essa será a minha escolha, posso dizer que é o que quero para mim.
Eu só tenho o que agradecer a vocês carmelitas por não desistirem de mim, embora eu tenha dado motivos para isso. O Carmelo sempre será para mim a mais bela de todas as vocações à vida religiosa e sentirei sempre orgulho por ter feito parte dessa família. Sou um carmelita de coração, devoto de Nossa Senhora do Carmo, de São João da Cruz e de todos os santos carmelitas e sempre levarei comigo essa espiritualidade tão linda que aprendi a amar.

Muito Obrigado por tudo, que o bom Deus abençoe a todos e que Nossa Senhora sempre nos cubra com seu manto de Mãe.


Davi.