quarta-feira, 30 de setembro de 2009

9º DIA - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus



“Não morro, entro na vida” (C 244).


Eram 19 horas e 20 minutos do dia 30 de setembro de 1877 quando pronunciou as últimas palavras da sua vida: “Meu Deus... eu vos amo!” Não podia ser diferente. Devia declarar pela última vez seu imenso e grande e amor para com Aquele a quem sempre tinha amado escolhido aos 15 anos como seu único amor e esposo.
Num instante, encontrei-me diante do Deus vivo que sempre busquei, e numa efusão de amor sentiu-se envolvida pela paz que não tem ocaso.
Ao longo da sua vida esforçou-se para ser digna filha do mestre e pai S. João da Cruz. Dele e com ele aprendeu a caminhar na pura da noite da fé. Um dia disse, com plena consciência; ”Não desejo ver o bom Deus na terra. Oh, não! E todavia o amo. Amo também a Santíssima virgem e todos os santos, e não desejo vê-los... Prefiro viver de fé”.
Sua vida foi uma busca da vontade de Deus, por isso tentou se mortificar em tudo, sem em nada buscar prazer. Como é bom oferecer tudo ao Senhor e ter certeza de que Ele se contenta com o pouco que lhe damos com amor.
Um dia trouxeram-lhe algumas violetas. Todo mundo sabia que gostava de flores. Mas não quis sentir o perfume, para fazer uma mortificação.
Como ficou feliz quando lhes trouxeram uma belíssima rosa!
Quis desfolhá-la sobre o crucifixo como sinal seu de amor, da sua doação. Era uma rosa de setembro, fora da época, por isso mais bonita. Quando vi as pétalas a caíram uma a uma no chão, disse: “Recolhei essas pétalas, minhas irmãzinhas, ser-vos-ão muito úteis para agradecer mais tarde...” Uma dessas pétalas curou em 1910 Fernando Aubry de um câncer na língua.
Sentia o amor que lhe queimava por dentro como chama viva. O amor é chama, é inquieto, por isso nos faz sofrer e nos convida a procurar a quem sempre amar.
Nos momentos que precederam sua morte, não conseguia mais falar, mas seus olhos, como os da esposa do Cântico dos Cânticos, buscavam seu Bem-Amado, seus lábios não se afastavam do crucifixo. Como lhe era doce beijar o rosto de Jesus, enxugar-lhe o suor com seus beijos de amor. Seu amor à Sagrada Face, ela o vivia nesses momentos de extremo sofrimento e de extrema alegria.
Há anos, na noite de 13 de dezembro de 1591, morria em Obesa S João da Cruz. Quando os frades iniciaram as orações dos agonizantes, com um gesto da mão mandou que parassem e disse: “Por favor, leiam para mim o Cântico dos Cânticos...”


“Beija-me com os beijos de tua boca,
As tuas carícias são mais doces que vinho...”

Diz S.Tarezinha: “Meu Deus, eu vos amei aqui na terra e vos amo por toda a eternidade, e quero que todos vos amem como eu vos amei”.


Rezemos a Deus, para que Ele deposite em nós desejos fortes de buscá-lo com entusiasmo até as últimas conseqüências.

Digamos por amor ao primeiro Amor:

À luz dúbia da vela,
Voa a mariposa,
E, em círculos menores,
Vai, e vem, e hesita,
Queimando as próprias asas na atração das chamas...


Não sabes,
Mas comigo levo a mesma coisa:
Minha alma a teu redor,
Adeja aflita, quer fugir e não
Pode, e volta, porque te ama!



Por todas as preces que temos no nosso interior.Peçamos:

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

8º DIA - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


Fazer o bem não é fácil
Muitas pessoas, olhando-lhe e conhecendo-lhe superficialmente, acham que fazer o bem foi sempre fácil para S.Teresinha. Enganam-se. Para vencer a ela mesma, devia fazer um esforço sobre-humano. O que mais lhe custava, no entanto, era corrigir as noviças. Sentia uma repugnância muito grande. Seria mais fácil passar por cima de seus defeitos, não dizer nada. Mas essa maneira de agir era contra minha consciência e convicções.

“De longe, parece muito róseo fazer algum bem às almas; levá-las a amar mais a Deus; moldá-las, enfim, de acordo com seus pontos de vista e idéias pessoais. De perto, é tudo ao contrário. O róseo desvanece... percebe-se que fazer algum bem sem a ajuda de Deus é coisa quase que impossível quanto fazer o sol brilhar na calada da noite... Percebe-se a absoluta necessidade de pôr de lado seus gostos, suas concepções pessoais, e guiar as almas pelo caminho que Jesus lhe traçou, sem tentar fazê-las andar pelo caminho individual. Isso, porém, não é o mais difícil. O que mais me custa, acima de tudo, é observar as faltas, as mais leves imperfeições, e mover-lhes guerra de morte. Ia Dizer que infelizmente para mim! (Mas isso não! Seria falta de coragem)”. (MC 311-312)

Preferia muito mais ser corrigida a corrigir. Mas, se queria ser fiel à sua missão, não devia ter medo do que os outros falam ou dizem. O que importa é estar em sintonia com a vontade de Deus. Sabia que as noviças a achavam severa. Nada disso lhe desamina. Trona-se ainda mais firme e corajosa no cumprimento de seu dever.

Aprende a amar o outro como ele é

Sem dúvida, Deus nos chama a acolher os outros assim como são e a ajudá-los a se transformar naquilo que ainda não são: imagens vivas de Deus Pai.
Diante do mandamento novo de Jesus, não lhe foi difícil compreender como ainda estava longe do verdadeiro amor. Nem sempre sabia ver em todas as irmãs da comunidade o rosto de Deus.
Quando escolheu seu nome religioso, quis acrescentar da “Santa Face”. A Santa Face de Jesus impressa no lenço de Verônica sempre lhe ajudou a ler nos outros o rosto alegre e sofrido do senhor.
Às vezes ela se perguntava: como Deus nos ama? A resposta surge espontânea: assim como somos, isto é, frágeis, pecadores, limitados, mas com amor tão dinâmico que somos quase violentados, para transformar-nos em criaturas novas.

“Reconheci que não as amava como o bom Deus as ama. Ah! Compreendo, agora, que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, não se surpreender com suas fraquezas, edificar-se com os menores atos de virtude que os vemos praticar. Compreendi que a caridade não deve ficar escondida no fundo do coração”. (MC 289)

S. Teresinha devia reconhecer que, se às vezes consegue viver a caridade, não é por merecimento seu, mas por puro amor e por atuação do Espírito Santo em sua vida. A caridade surge da intimidade com Jesus na oração. Se ela não rezasse, não conseguiria de jeito nenhum fazer o mínimo ato de caridade. É na oração que ela encontra a força para ver nos outros o Cristo escondido.

“Sinto que,quando sou caridosa, é só Jesus que atua em mim. Quanto mais unida a Ele, tanto mais, também, amo minhas irmãs. Quando quero aumentar em mim esse amor, principalmente quando o demônio tenta colocar ante os olhos da minha alma os defeitos desta ou daquela irmã, que me seja menos simpática, apresso-me em averiguar suas virtudes, seus bons desejos. Digo a mim mesma que, se a vi fraquejar uma vez, pode ela muito bem ter alcançado grande número de vitórias, e esconde-as por humildade, e mesmo aquilo que me parece falta pode muito bem ser ato de virtude, por causa da intenção”. (MC 290)

Agradeçamos ao Senhor o dom de nossas vidas e peçamos a Ele que faça o nosso coração semelhante ao Vosso.

Para que sejamos apenas um e digamos:

Na busca para encontrar-se
Na ânsia de mais ser
No dinamismo crescente de se rebelar
Ele deslembra muitas vezes sua racionalidade.

Mas quando há sombra densa em sua vida
Ele cuida ainda não se acendeu a chama
Desperta! Acenda!
Desperta as tuas dimensões
Do mais profundo, do mais digno.

Eis que se conjugam passado, presente e o futuro.
Na tua temporalidade. Tudo se preenche.

Chega e encontra!
Adentra e toma o que é teu.
O tempo se transforma.
A realização acontece.
Os sonhos em plenitude.
As sombras vão cedendo lentamente.
A alegria é plena concretude.

Como musical
O ritmo de alegria
Na espera
A certeza
De se ser apenas um
Em mim e em Ti.


Por todas as nossas intenções particulares.

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Encontro Vocacional em Belo Horizonte



ESTE TEXTO FOI TRABALHO COM OS VOCACIONADOS NO ÚLTIMO ENCONTRO REALIZADO EM BELO HORIZONTE PELO FREI JULIERME, POR ISSO ESTAMOS DISPONIBILIZANDO-O PARA TODOS OS QUE SÃO ENAMORADOS DO CARISMA CARMELITANO.
APROVEITEM!
PASTORAL VOCACIONAL CARMELITANA.





A ORAÇÃO TERESIANA
Frei Julierme da Redenção, ocd

1 Elementos da oração teresiana

Para Santa Teresa “oração mental não é senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com quem sabemos que nos ama” (V 8,5). Entende a oração mental, e mesmo a vocal, como um amoroso relacionamento entre duas pessoas: a humana e a divina.
Desse modo, a santa confere à oração o acento relacional e afetivo. Para ela, o modo de rezar não é o mais importante, mas
o encontro amoroso entre a pessoa e Deus é o que interessa: “Sabei, filhas, que a diferença entre a oração mental e a não-mental não está em ter a boca fechada ou aberta; se, falando, entendo perfeitamente que falo com Deus, concentrando-me mais nisso do que nas palavras que digo, estão juntas aqui a oração mental e a vocal” (C 22,1. grifo nosso).
A pedagogia teresiana, como adiante veremos, traduz-se em pequenos passos ou meios para rezar que, pouco a pouco, vão se reduzindo a um estar com Aquele por quem nos sabemos amados e a Quem queremos amar de coração. O seu conceito de oração mental, desenvolvido nos seus textos (cf. p. ex. C 22; V 8,5), comporta, assim, os seguintes elementos: “iniciemos pensando Naquele com quem vamos falar e em quem é que fala para saber de que modo O haveremos de tratar”. (C 22,3)
a. O locutor: È o homem, que fala com Deus. A pessoa deve colocar-se na presença de Deus estando também presente a si mesma, ou seja, sabendo quem é, e colocando-se com o que é. Na perspectiva teresiana, isso exige uma atitude de autoconhecimento fundamentada na dignidade pessoal do orante.
Está claro que Teresa não tem pressa em falar de oração. Preocupa-a o orante. (…) Quando não há alicerces a edificação vem abaixo. A oração reduz-se a um exercício colado por fora à pessoa, mas nunca da pessoa, se a preocupação pelo ato prevalece sobre a preocupação pela pessoa. Quando isto sucede, a oração não afeta quem a realiza. E, tarde ou cedo, acaba por desprender-se sem que a vida o sinta. É o caso de tantos vocacionados a ser orantes que ficaram simplesmente praticantes de oração. (GARCIA, pp. 169-170).
Na sua mistagogia da oração desenvolvida no caminho do espiritual, assentará três atitudes fundamentais no orante – amor ao próximo, despojamento e humildade – para que este enverede por uma real auto-possessão e liberdade que permitem o aprofundamento da vida contemplativa, como veremos a seguir.
b. O interlocutor: Deus, a quem o homem se dirige. Dele é a iniciativa do diálogo, pois não cessa de atrair o homem, ainda que este tenha um modo “grosseiro” de tratar com Deus (cf. C 22, 4; 26,3). Entra aqui a dimensão do conhecimento de Deus, que se dá através da fé, da meditação e até dos estudos. E, embora tudo isso faça parte de uma busca autêntica que deve ser iniciada, na perspectiva mística o real conhecimento de Deus se dá mediante o relacionamento amoroso significativo com o Mistério desse mesmo Deus, que eclode na vida do orante. Para Teresa, trata-se não de pensar muito sobre Deus, mas de amá-Lo muito. Assim, o relacionamento com Deus ganha um acento fortemente afetivo em detrimento de uma compreensão demasiado intelectualista de Deus. A oração teresiana vai-se traduzindo mais em um tu-a-Tu do que em um relacionamento sujeito-objeto, no qual Deus se torna objeto de nossas especulações intelectuais. Desse modo, quando Teresa exorta ao conhecimento de Deus, fá-lo sempre numa perspectiva mais personalista e afetiva. Assim, a pessoa deve
“procurar entender quem é esse Homem, quem é o seu Pai, que terra é essa para onde há de nos levar e que bens promete nos dar, qual a sua condição, como podemos melhor contenta-lo (…) e que faremos para compatibilizar nosso gênio com o d’Ele”. (C 22, 7).
c. A mensagem: O que digo a Deus. O modo como “haveremos de O tratar”. Não é o elemento mais importante. É preciso concentrar-se mais na presença “do que nas palavras que digo”. Pode ser mental ou vocal. Silenciosa-afetiva ou com palavras conceituais. Para Deus conta mais a humildade com que a pessoa se lhe apresenta do que raciocínios muito elaborados (cf. C 22, 4) o que não justifica “que sejamos irreverentes”, usando de falsa liberdade para com Deus.
Concluímos essa pequena exposição sobre a oração mental teresiana apresentando uma pequena síntese com as próprias palavras da santa: “iniciemos pensando Naquele com quem vamos falar e em quem é que fala para saber de que modo o haveremos de tratar” (C 22, 3). “Eis a oração mental, filhas minhas, entender essas verdades” (C 22, 8).

2 Expressões da oração

Os elementos essenciais da oração teresiana descritos anteriormente, darão acento também às expressões de oração.

2.1 Oração vocal

Como próprio nome já diz, a oração vocal é aquela que recitamos pela fala da voz. “Somos corpo e espírito, e sentimos a necessidade de traduzir exteriormente nossos sentimentos. É preciso rezar com todo o nosso ser para dar à nossa súplica todo o poder possível” (CIC 2702). Em geral, esse tipo de oração refere-se mais à oração tipicamente litúrgica e comunitária (o ofício divino, a missa, etc) ou as orações em fórmula (pai-nosso, ave-maria, credo, glória, etc.) referendadas pelo Magistério eclesial.
Também os textos teresianos remetem-se principalmente a essas formas de oração vocal. Isso porque, no contexto da santa, às mulheres era reservado unicamente esse tipo de oração, sobretudo por causa das controvérsias no campo da espiritualidade que então reinavam e eram alvo da inquisição.
Teresa, porém, seguindo sua intuição espiritual, faz coincidir o propósito da oração vocal com a mental, tomando uma posição apologética em favor desta: “Se vos disserem que deveis rezar vocalmente, verificai se o intelecto e o coração devem estar naquilo que dizeis; se vos disserem que sim (…), vede como confessam que estais obrigadas a ter oração mental.” (C 21, 10). Note-se que para Teresa, rezar as orações vocais como convém, equivale entender o que estamos dizendo e com Quem estamos falando: “porque, quando digo “Creio”, parece-me ser razoável que eu entenda e saiba aquilo em que creio; e quando digo “pai-nosso”, exige o amor que eu compreenda quem é esse Pai nosso e quem é o Mestre que nos ensina essa oração” (C 24,2). Assim, segundo a santa, tanto a oração mental como a vocal são duas expressões de uma mesma atitude em relação a Deus. A respeito disso afirma:
“Tendes razão em afirmar que isso (a oração vocal como ela ensina) já é oração mental. Mas eu vos digo que, na verdade não sei como separá-la da oração vocal, se é que pretendemos rezar vocalmente com perfeição, entendendo com quem falamos. De fato, é nossa obrigação procurar rezar com atenção; e queira Deus que, com esses recursos, o pai-nosso acabe por ser bem rezado e não acabemos em mais uma coisa impertinente. Passei pela experiência algumas vezes, e o melhor remédio que encontro é procurar fixar o pensamento Naquele a quem dirijo as palavras. Por isso, tende paciência e procurai transformar em costume coisa tão necessária.” (C 24, 6)
Assim, além dos dois modos de oração vocal que já mencionamos, Teresa abre também espaço para os colóquios com Deus, ou seja, as orações vocais recitadas pela pessoa de maneira espontânea – que tão frequentemente encontramos compiladas em seus livros, o que nos dá um reflexo da maneira como Teresa tratava com Deus em suas orações –, pois o modo de rezar está subordinado ao relacionamento com Deus. A santa deixa, destarte, uma contribuição para a oração vocal na Igreja: se nesse tipo de oração procuramos associar o corpo à oração interior do coração, a oração vocal pode, com efeito, vir a ser a primeira forma de oração contemplativa. (cf. CIC 2704).

2.1 Meditação

“A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do assunto meditado, confrontado com a realidade de nossa vida.” (CIC 2723). Ainda explorando o conceito, segundo São João da Cruz a meditação é “o ato discursivo que se utiliza de formas, imagens e figuras oferecidas pelos sentidos.” ( 2 S 13,3). A meditação é, pois, uma busca orante que se realiza especialmente com o ato do raciocínio, valendo-se da imaginação e dos próprios sentimentos, a partir de um determinado tema ou assunto.
Há de se dizer que Teresa não se detém nesse tema em seus escritos. Como ela mesma confessa que não podia meditar (cf. C 17,3), apenas indica ligeiramente alguns proveitos, pelo qual aprova este modo de proceder: “É admirável e muito meritória oração” (6M 7,10). Quem puder ir
“seguindo por um caminho tão bom, será levado pelo Senhor a porto de luz; com tão bons princípios, não menos bom será o fim da jornada. Todos aqueles que puderem seguir essa via hão de encontrar repouso e segurança; porque, estando o intelecto dominado, marcha-se com descanso” (C 19,1).
Assim, em relação à meditação, Teresa diferencia uma pedagogia para os que podem meditar e, de modo especial, para os que não podem meditar, pois esse foi o seu caso.

a. Para os que podem meditar
Como dissemos, Teresa aprova esse modo de orar. Seu interesse, porém, se volta a moderar essa atividade do intelecto a fim de que “não se lhes vá todo o tempo nisso” (V 13,22), pois a essência da oração, “não está em pensar muito, senão em amar muito” (4M 1,7). O entendimento deve, pois, prestar uma ajuda substancial à vontade a fim de desapertá-la e incitá-la ao amor. Uma vez que, pensando e refletindo, se chegou a essa atitude interior e a esse afeto em Deus, já não se faz mais necessário insistir nesse exercício. Em outras palavras, devemos nos valer do entendimento “quando não acendeu na vontade o fogo que fica dito, nem se sente a presença de Deus” (6M 7,9). Em suma, a lógica é muito simples: na pedagogia teresiana é preciso bom senso. Como o entendimento se presta a despertar a vontade a amar, uma vez que esta opera, o entendimento deve deixar de operar discorrendo. Se a vontade e este amor diminuem ou se apagam totalmente, o orante deve voltar a trabalhar com o entendimento a fim de suavemente despertar de novo a vontade, não devendo se encantar nem esperara milagres.
Desse modo, o interesse da santa sobre as pessoas que podem meditar se concentra sobretudo na passagem da meditação para a contemplação, uma oração mais simples e silenciosa em que “não se discorre e em que o silêncio do entendimento se torna mais denso e prolongado” (GARCIA, p. 215). Sobretudo porque, em sua época, passara por dificuldades nesse sentido, por falta de subsídios e pessoas capacitadas intelectual e experimentalmente a tratar sobre o assunto. Mais uma vez, é notável como Teresa conduz o orante à essência da oração que é colocar-se na presença amorosa do Senhor, estar com Ele.Também São João da Cruz se concentra no tema em 2S 13.
Quanto aos temas ou assuntos para a meditação, Teresa remete a livros já existentes que tratam disso: “Para intelectos bem ordenados e almas muito experientes e capazes de se concentra, há tantos livros escritos, e tão bons e de autoria de pessoas tais, que seria erro que fizésseis caso do que digo sobre coisas de oração” (C 19,1). Entretanto, podemos discernir nos seus escritos, dois temas mui caros à santa: o auto-conhecimento e a Paixão do Senhor. Por esses dois temas, vemos como mesmo a meditação ganha relevo relacional, centrado nos dois protagonistas da oração: Deus e o orante.

b. Para os que não podem meditar.
Teresa se detém mais em fornecer meios às pessoas que não podem meditar, especialmente porque foi esse o seu caso e porque sofreu muito com isso devido às incompreensões da parte de seus confessores. Indica às almas dispersas à via mais fácil para se chegar à oração de recolhimento, um tipo de oração que Teresa descobre e que se presta tanto a intelectos distraídos como aos que podem se concentrar na meditação. “Chama-se oração de recolhimento, porque a alma recolhe todas as suas faculdades e entra dentro de si mesma com seu Deus” (C 28,4).
Ao longo dos textos teresianos, podemos verificar a respeito desse tipo de oração alguns meios que ajudam a pessoa a dispor-se à oração e entrar dentro de si para tratar com Deus aí presente. Descrevemos os principais desses elementos a seguir.

c. Ajudas para o ato da oração.
• Começar conscientemente e colocar-se na presença de Deus
“A primeira coisa a fazer é o exame de consciência, bem como a confissão geral e o sinal da cruz” (C 26, 1). Refere-se ao locutor: a pessoa que se põe em oração deve tomar consciência de si, conhecer-se e colocar-se diante de Deus. Teresa exorta o orante a adquirir consciência da presença de Deus em nós, a “olhá-lo dentro de si”, a “lembrar-nos de que temos dentro de nós tal hóspede” (C 28,10). Recomenda, ainda, que essa consciência não se restrinja ao momento de oração, mas que este seja apenas um momento forte de uma vida orante, na qual se procura “(…) mesmo em meio às ocupações cotidianas, retirarmo-nos em nós mesmas. Embora dure um breve momento, a recordação de que tenho companhia dentro de mim é muito proveitosa.” (C 29,5)
Solidão: Um elemento fundamental na pedagogia teresiana é a exigência da solidão para os momentos fortes da oração mental. Nela, se busca estar só a sós com Deus. “Procurai logo, filhas, pois estás sós, ter companhia” (C 26, 1). A companhia é a do Divino Mestre. Colocar-se na presença de Deus.
• Recolher o pensamento: entrar dentro de si.
Acostumar-se a recolher o pensamento é fundamental, sobretudo para quem tem problemas com demasiadas distrações. Teresa não se aprofunda muito em técnicas de concentração. Ao longo da caminhada cada pessoa vai descobrindo a sua. Mas indica alguns meios para isso, os quais preparam o próximo passo:
- “Trazer uma imagem ou retrato desse Senhor” que inspire devoção e “falar com ele muitas vezes”, pois “a falta de hábito é que nos torna estranhas quando falamos com alguém”.
- “Usar um bom livro”, “mesmo para recolher o pensamento e vir a rezar bem vocalmente.” O livro primeiro que o Magistério da Igreja recomenda hoje e que Teresa já se antecipava em recomendar, são as Sagradas Escrituras. Pode-se também utilizar algum livro de espiritualidade, contanto que não se perca de vista o foco que é levar o pensamento a se recolher em atenção a Deus.
- “Contemplar a natureza”. Teresa menciona-o em V 9,5, bem como em outros textos, direta ou indiretamente: “encontrava nessas coisas a lembrança do Criador”.
Com estes recursos “vai-se acostumando, pouco a pouco a alma, com carinhos e artifícios, para não amedronta-la”, a recolher-se. Recolher-se significa sempre uma mudança na orientação de nossos pensamentos, significa educar a atenção. Quando estamos dispersos, a nossa mente está atenta a demasiadas coisas fora de nós. É necessário trazer a nossa atenção a Deus presente em nós como “uma esposa que há muito abandonou o esposo e que, para que deseje voltar para casa, precisamos saber convence-la.” (C 26,10)
• Contemplar (olhar) e falar com o Senhor dentro de si.
Chegamos ao cerne da pedagogia oracional teresiana, pois é aqui que o encontro do orante com Deus se converte em “trato de amizade”. Essa conversa, porém, vai, pouco a pouco, chegar ao extremo da simplificação, conforme viemos discorrendo nessa nossa exposição. Nesse ponto da oração, Teresa insiste sobretudo numa atitude específica.
-Olhar: Refere-se à atenção do orante centrada na Pessoa Divina, uma consciência da presença de Deus em nós. No dizer de S. João da Cruz, “atenção amorosa”, pôr o afeto em Deus. Tal atitude faz com que o orante não se disperse, nem se perca na encenação, nos raciocínios, nas “considerações”, na multiplicidade dos atos. Antes, que chegue o mais depressa possível ao cerne da oração: fazer-se presente ao Presente.
Teresa refere-se também a um outro aspecto desse “olhar”, que exige o aspecto anterior enquanto atitude de fundo. Em seus escritos, costuma usar a expressão “ver com os olhos da alma” (cf. C 26, 3). A acepção desse termo conforme a época da santa, refere-se a um tipo de contemplação que se convencionou chamar “contemplação adquirida”. Exige o aspecto anterior do termo “olhar”, conforme falamos, porque, segundo a perspectiva teresiana, o principal intento desse exercício é justamente despertar o afeto, chegando assim, à essa “contemplação adquirida”, ao simples “olhar” a Deus presente. Assim, a santa convida o orante a valer-se da própria imaginação e fantasia – as quais desconcentram a pessoa – dentro desse momento da oração. Esse processo pode comportar três elementos, que podemos visualizar em C 23, 3-6:
• as imagens: imaginar, “representar dentro de si”, seja algum ponto da vida de Cristo, especialmente a Paixão (que era tão cara à santa), seja a própria Pessoa do Cristo em particular
• os afetos: Convida a faze-lo de acordo com os próprios sentimentos da pessoa, já que Deus “se sujeita” a isso: “Se estais alegres, vede-O ressuscitado”. “Se estais padecendo ou tristes, vede-O a caminho do Horto (…). Ou vede-O atado à coluna”.
• O colóquio: A oração espontânea que a pessoa dirige a Deus, da qual Teresa nos deixa um exemplo: “Ó Senhor do mundo, verdadeiro Esposo meu (podeis dizer-lhe, se o vosso coração se enterneceu por vê-lo assim, levando-vos não só a querer olhar para Ele como também a desejar falar-lhe(…) ).” São expressões que, mais do que palavras ou conceitos bem elaborados, devem brotar da simplicidade do coração do orante, conforme a necessidade, pois, assim, conferem à oração o aspecto de “trato de amizade”.
Em suma podemos dizer que essa atitude de fundo de “olhar” pode abarcar diferentes meios (imagens, afetos, colóquio) para a meta que é “entreter-se” com Deus em nosso íntimo.

2.2 Oração mental

Grosso modo, a oração mental é aquela que fazemos em silêncio, interiormente, durante algum tempo reservado para tal fim. É a expressão de oração mais cara a Teresa, aquela que se torna objeto dos seus escritos, que condensa os elementos essenciais de sua oração. É oração mental torna-se a porta que conduz ao dinamismo da vida mística, relação com o Mistério do Deus-Amor presente em nós. A partir da oração mental, Teresa conhecerá pela experiência e descreverá pela palavra os graus da oração, que segundo os estudiosos são(cf. GARCÍA, P.114): recolhimento infuso, oração de quietude, sono de potências, união plena, desposório, união transformante ou matrimônio espiritual.
Mas, o que é propriamente oração mental? Relembramos a acepção teresiana do termo: “oração mental não é senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com quem sabemos que nos ama.” (V 8,5). De certa forma, acabamos por caracterizar a oração mental teresiana quando descrevemos os seus elementos no primeiro item deste trabalho. Resta-nos dizer que, quando o Catecismo trata sobre a oração mental, fá-la coincidir com a própria contemplação, como também o é no caso teresiano: “A oração mental é a expressão simples do mistério da oração. É um olhar de fé fito em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um silencioso amor. Realiza a união à oração de Cristo na medida em que nos faz participar de seu Mistério.” (CIC 2724). E a contemplação é, na espiritualidade carmelitana, uma oração profundamente interior, acolhida como dom de Deus; uma oração silenciosa, sem ruído de palavras ou conceitos intelectuais. Em suma, uma oração que vai se tornando amor puro a Deus, que conforma nossa vontade à d’Ele, que vai se simplificando a uma atenção amorosa em Deus, um estar presente amando o Deus presente, em adoração, louvor, ação de graças. Requer unicamente a atitude de:
Estar com: ou “querer estar” em “tão boa companhia” como o é a de Deus. Para Teresa, orar é ficar-se com Ele ou estar com Ele. O resto é meramente acidental. Teresa dar-lhe-á ainda um certo acento da nossa parte antepondo-lhe o “querer”: “querer estar”. Acentua a decisão da vontade por causa de um problema presente na consciência de todo orante: o das distrações e aridez.
A oração mental é, pois, encontro profundo do homem com Deus.

REFERÊNCIAS:

CATECISMO da Igreja Católica (CIC). São Paulo: Loyola, 1999.

GARCIA, Maximiliano Herraiz. Oração, história de amizade. Tradução Camelo de Coimbra. Oeiras: Ed. Carmelo, 1983.

TERESA, de Jesus, Santa. Obras completas. Coordenação Patrício Sciadini. 2 ed. São Paulo: Loyola, 2002.
Para a citação das obras utilizamos o de costume: C- Caminho de Perfeição; V-Livro da Vida (para esses dois livros o primeiro número indica o capítulo, o segundo indica o parágrafo; M – Moradas ou Castelo interior – o número antes de M indica a morada).

ESQUEMA DO TEXTO
1 Elementos da oração teresiana
Parte I – O ato da oração
2 Expressões da oração
2.3 Oração vocal
2.2 Meditação
2.3 Oração mental
Parte II – A vida de oração
3 Exigências para a vida de oração.
- Amor, despojamento e humildade;
- Determinada determinação.
- Comunicação de experiências de oração;
- Orientação espiritual.
4 Dificuldades para a oração
Distrações e aridez.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

7º DIA - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


O caminho do amor até a união

O amor para com os outros, por suas irmãs que todos os dias estavam comigo no Carmelo, mas às quais, por amor a Jesus, ela sabia amar à distância, oferecendo o sacrifício de não conversar ou estar com elas sempre que tinha desejo... esse amor ajudou a entender que para chegar ao pleno amor de Deus, à sua misericórdia, é preciso percorrer o caminho do nada. Depois desse entendimento, dessa descoberta, eu já não seria a mesma. O amor puro de Deus fez com que ela crescesse na fé.
Seu pai e mestre S. João da Cruz, em seu livro Chama viva de amor, diz: “Rompe a tela deste doce encontro... os santos não morrem, mas se inflama ardentemente por dentro até a consumação em amor para poder contemplar face a face o Senhor”.
Houve períodos que ela pensava que morreria logo, e de amor. Diante dessa sua intuição, o amigo e diretor espiritual Pe. Pichon escreveu do Canadá, uma carta, dizendo-lhe que não tivesse pressa de ver a face do Senhor.
No momento, o que guia é só o abandono, única bússola que possuo para orientar-me nas noites e aridez da vida:

"Agora, já não tenho outro desejo senão o de amar a Jesus
a mais não poder... Desvaneceram-se meus desejos de criança. Não resta dúvida, gosto ainda de ornar com flores o
altar do Menino Jesus. Mas a partir do momento em que Ele
me deu minha querida Celina, a flor por mim desejada, já
não desejo outra. Dela lhe faço oferta, como mais formoso
de meus ramalhetes...

Já não desejo tampouco nem o sofrimento nem a morte. No
entanto, ama ambas as coisas. O que, porém, me atrai
unicamente o amor... Almejei-os por muito tempo. Estive em
posse, do sofrimento, e acreditei que já aportava às praias do
Céu. Acreditei que a florzinha seria colhida em sua prima-
vera... Agora, o que me guia é só o abandono, já não tenho outra bússola!... já não sei pedir nada com ardor, a não ser
o perfeito cumprimento da vontade ao bom Deus no tocante à
minha alma, sem que as criaturas consigam, pôr-lhe obstáculos. Posso repetir as palavras do 'Cântico Espiritual' de
nosso pai São João da Cruz: 'Na adega intima do Amado
meu, bebi; quando saia, por toda aquela várzea já nada
mais sabia, e o rebanho perdi que antes seguia. De alma me
consagrei a seu serviço, com todos os meus recursos. E já
não guardo a grei, mas tenho outro mister, pois que só amar
já é o meu viver!...' Ou ainda: 'Desde que fiz a experiência,
o amor tão potente em obras, que de tudo sabe tirar
proveito, tanto do bem como do mal que se encontra em
mim, e transformar minha alma nele próprio'.

minha querida mãe, quão suave é o caminho do amor!
Sem dúvida a gente bem pode cair, pode cometer infidelida-
des. Sabendo, porém, tirar proveito de todas as coisas, o
amor consome muito rapidamente tudo o que desagrade a
Jesus, e deixa apenas uma paz humilde e profunda no ín-
timo do coração..." (MA 235)

Roguemos ao Senhor para que transforme o nosso coração de pedra em coração de carne e inflame-nos de pleno amor até sermos consumidos para chegarmos a Ti.

Digamos com o coração repleto de amor:

Foi quando te vi pela primeira vez
Que o meu coração voltou a palpitar,
Encontrei em ti a razão verdadeira
E os meus olhos voltaram a brilhar.

Jamais pensei que voltaria a sorrir,
Que alguém me fizesse feliz outra vez.
Não imaginei que poderia sentir
A doce renovação de te amar, talvez...

Eis que agora surge em minha vida,
tua imagem, tua formosura e tua beleza,
a renovar-me a razão já esquecida.

Eis que te quero e tenho certeza:
Teu amor fará de minh’alma sofrida
A mais sólida e imbatível fortaleza.

Quero aprender a me deixar amar
Como me amas.
Vem, meu amado, e me consome!


Por todas as intenções que trazemos no nosso íntimo, roguemos:


Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

domingo, 27 de setembro de 2009


APESAR DE TUDO, A BÍBLIA AINDA VIVE

Geração sucede geração,
Mas a Bíblia ainda vive.
Nações surgem e desaparecem,
Mas a Bíblia ainda vive.
Reis e governantes vem e vão,
Mas a Bíblia ainda vive.
Esquecida e empoeirada num canto qualquer,
Mas a Bíblia ainda vive.
Odiada e desprezada,
Mas a Bíblia ainda vive.
Contestada pelos ateus,
Mas a Bíblia ainda vive.
Exagerada pelos fanáticos,
Mas a Bíblia ainda vive.
Mal interpretada e mal anunciada por muitos,
Mas a Bíblia ainda vive.
Ainda vive como lâmpada para os nossos pés,
Como luz para os nossos caminhos,
Como porta do céu, para os que crêem,
Como ideal para as crianças,
Como guia para a juventude,
Como inspiração para os adultos,
Como conforto para a velhice,
Como pão para os famintos,
Como água para os sedentos,
Como descanso para o fatigado,
Como graça para o cristão,
Como salvação para o pecador,
Quem a conhece procura amá-la,
Quem a ama procura aceitá-la,
Quem a aceita encontra Jesus,
E recebe a vida eterna.

6º Dia - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


Servir melhor

Santa Teresinha pediu para permanecer sempre no noviciado como noviça vitalícia, e isso por dois motivos: primeiro porque gostava de se manter escondida no seu dia e queria aprofundar sua vocação carmelitana no estudo de seus mestres S. João da Cruz e S. Teresa de Ávila. O segundo motivo era que as três irmãs da mesma família não poderiam pertencer ao mesmo capítulo da comunidade. Ela devia ser a última por lei e por vocação.
Sempre se sentiu feliz por ser a última: última filha, última no Carmelo, última na promoção humana, mas seu sonho era ser primeira na santidade e no serviço alegre a todas as suas irmãs de comunidade.
Sempre teve cargo de vice... de segunda... na sacristia, na portaria. A primeira porteira, a irmã São Rafael, falava sobre ela com certa ironia. Dizia que tinha “manias de atormentar um anjo”. Experimentou que a dor mais dura na vida é a dor de não ser compreendida.

Assim foi sua vida, ser a última. Por isso, maravilha-se em ver como o povo a ama. Ser a última para poder amar primeiro a Deus e aos outros: eis minha vocação:

“... padre Pichon ficou surpreso ao verificar o que o bom Deus operava em minha alma. Disse-me, que na véspera, me observou a rezar no coro, e achava meu fervor muito próprio de criança, e meu caminho muito suave. A conversa com o bom padre foi para mim um consolo muito grande, embora anuviado de lágrimas, por causa da dificuldade que sentia em abrir minha alma.
Sem embargo, fiz confissão geral, como nunca fizera anteriormente. Ao cabo, disse-me o padre estas palavras, as mais consoladoras que me vibraram os ouvidos da alma: ‘Na presença do bom Deus, da Santíssima Virgem e de todos os Santos, declaro que jamais cometestes um só pecado mortal’. Acrescentou em seguida: ’Agradecei ao bom Deus o que fez por vós, pois, se vos tivesse abandonado, em um lugar de ser um anjinho, seríeis um demoninho’.
Oh! Não tive dúvida em admiti-lo. Sentia que era frágil e imperfeita, mas a gratidão inundava minha alma. Tanto receava ter manchado a veste do meu batismo, que a declaração, saída da boca de um diretor como os que nossa santa madre Teresa desejava, isto é, os que unissem a ciência à virtude, me parecia proferida pela boca do próprio Jesus...
Disse-me ainda o bom padre as seguintes palavras, que ficaram carinhosamente gravadas em meu coração: ‘Minha filha, Nosso Senhor seja sempre vosso Superior e vosso Mestre de noviciado’. De fato, Ele o foi, e foi também ‘meu Diretor’. Não que dizer que minha alma se tenha fechado às minhas superioras...” (MA 196-197)


Peçamos, ao Senhor, para que desperte a sensibilidade de enxergarmos o invisível de todas as coisas. E diante disso, louvemos o Senhor por tudo que há.

Louvemos e rezemos:

Na dança das árvores,
No cantar da passarada,
Na melodia dos ventos.

Nas folhagens verdes,
Nas folhagens secas levadas pelo vento,
No suspirar gostoso das plantas.

Na instrumentação que há nas águas,
Com sua orquestra,
Com sua música.

No verde da natureza, esperança.
No azul do céu, Maria, mãe de salvação.
No branco das nuvens, pureza.
No colorido, arco-íris - o prometer de Deus.

Na natureza o valor da criação
Em harmonia ao amor-criador
Que nos remete a louvação
A descobrir a beleza do belo que é encantador.

Em cada ser descobrir,
Enxergar,
Sorrir, cantar e desabrochar
O ideal da beleza que há.



Por todas as intenções pessoais.



Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

5º Dia - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


Sem ilusões

Teresinha encontra o Carmelo, a vida comunitária, as irmãs,
como pensava. Não fica em nada decepcionada e desiludida,
Sua felicidade não era efêmera, passageira. Sua lua-de-mel
no Carmelo não conheceu ilusões:

"Quanto a ilusões, o bom Deus concedeu-me a graça de não
ter nenhuma quando entrei para o Carmelo.Encontrei a
vida religiosa tal qual a imaginara. Nenhum sacrifício me
espantou. No entanto, vós o sabeis, meus primeiros passos
toparam mais em espinhos do que em rosas!... Sim, o sofri-
mento estendeu-me os braços, e lançei-me neles com amor...
O que vinha fazer no Carmelo, declarei-o aos pés de Jesus-
-Hóstia no exame que precedeu minha profissão: "Vim para
salvar as almas e principalmente para rezar pelos sacerdo-
tes'. Quando se quer atingir um fim, é preciso aplicar os
respectivos meios. Jesus deu-me a entender que pela cruz
queria dar-me almas, e meu atrativo pelo sofrimento crescia
na proporção em que o sofrimento se avolumava. Durante
cinco anos, meu caminho foi esse. Nada, porém, traía exte-
riormente meu sofrimento, tanto mais doloroso quanto uni-
camente conhecido por mim. Oh! se tivermos lido a história
das almas, qual não será nossa surpresa no fim do mun-
do'.... Quantas pessoas não ficarão admiradas ao ver por
qual caminho foi levada a minha..." (MA 195)


Cada dia renovava seu ideal de imolar-me pelos sacerdotes,
e nisso encontrava uma força nova, um entusiasmo que não se
abalava pelas dificuldades que começavam a aparecer.

O inicio da vida carmelitana como postulante foi uma be-
leza: gostava imensamente da cela pobre, simples. Uma
cama, um banquinho, uma cruz sem crucifixo na parede, e nada
mais. Nessa pobreza, Cristo se tornava cada dia sua única
riqueza.

O trabalho que lhe foi confiado: ajudar na rouparia. Na sua casa, o que menos tinha usado era agulha e linha. Sabia brincar, fazer pequenos serviços, mas sempre encontrava dificulda-
de em costurar, bordar. Dava-se melhor com a pintura, a poesia,
a arte.

No noviciado, todos os dias tínhamos aulas práticas do estilo
de vida carmelitano. Tudo deve ser feito com amor e como nos
é pedido,

Demorou um pouco para saber usar os velhos livros da Li-
turgia das Horas. Eram muito pesados e lhe cansavam. Demorou
para conhecer todos os costumes próprios do Carmelo. Mas, na
verdade, o que encontrou foi muita compreensão e grandes deli-
cadezas. Era a "menina dos olhos" de todas as monjas. Era um
pouco o brinquedo do mosteiro. As dificuldades, as invejas e os ciúmes surgiram mais tarde.
Até ganhei um novo apelido. Quem lhe deu foi a priora
madre Gonzaga. Numa carta a seu tio, chamou-lhe de "Lulu".

Enfim, rezemos ao Senhor para tornar o nosso coração sempre aberto ao seu projeto.

Rezemos por todas as nossas intenções pessoais. Peçamos:

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

5º Dia - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


A beleza da viagem.
Minha vocação: amar os que anunciam o evangelho

Pode parecer estranho o que diz santa Teresinha. Foi numa viagem que ela descobriu sua vocação carmelitana. Entendeu a finalidade principal da reforma de S. Teresa.
Ela nunca tinha convivido com tantos sacerdotes. Mas com 75 deles na peregrinação, todos os dias tinha possibilidade de encontrar-se com testemunho de amor, mas havia quem deixasse a desejar por suas atitudes, palavras e gestos.
Desde então, toda sua vida, oração sacrifício foram para os sacerdotes. Ela ama todos, com o coração cheio de ternura. E diante de Deus continuo sendo a intercessora incansável de todos os sacerdotes e missionários.
Queria ser amiga, de verdade, de cada sacerdote, para que possam superar sempre as próprias solidões e estar prontos a anunciar o Evangelho, sendo o verdadeiro sal da terra e luz do mundo.

Testemunha ela mesma:

"(...) A experiência que colhi refere-se aos sacerdotes. Por não ter jamais vivido em contato mais próximo com eles, não dispunha de elementos para compreender a finalidade principal da reforma do Carmelo. Encantava-me o rezar pelos pecadores. Mas rezar pelas almas de sacerdotes, que julgava mais límpidas que o cristal, isso me parecia coisa de espantar!...
Oh! na Itália compreendi minha vocação, e não era longe demais para ir buscar tão útil conhecimento...
Pelo espaço de um mês, privei com muitos sacerdotes santos e verifiquei que, se sua sublime dignidade os coloca acima dos anjos, nem por isso deixam de ser humanos, fracos e defectíveis... Se sacerdotes santos, a quem Jesus em seu Evangelho chama 'o sal da terra', mostram por seu procedimento que têm extrema necessidade de orações, o que dizer dos entibiados? Foi Jesus quem declarou ainda: 'Se o sal se tornar sosso, com que recuperará sabor?
Ó minha mãe! como é linda a vocação que tenha por finalidade conservar o sal destinado às almas' Tal é a vocação do Carmelo, dado que o único fim de nossas orações e sacrifícios é o de sermos apóstolas dos apóstolos, orando por eles, enquanto evangelizam as almas com suas palavras e, principalmente, com seus exemplos. Força é que me detenha. Se continuasse a discorrer sobre o assunto, seria para mim um nunca acabar!”(MA 157)

Quando viajava, Teresinha, ia na janela do trem. Seus pensamentos corriam longe:

"Afigurava-me a vida religiosa tal qual ela é em si, com todas as suas sujeições, com seus pequenos sacrifícios, Jeitos na obscuridade. Compreendia como era fácil ensimesmar-se e esquecer a meta sublime de sua vocação. E dizia de mim para comigo: mais tarde, â hora da provação, quando já não puder, prisioneira que for do Carmelo, contemplar sendo uma pontinha do céu estrelado, lembrar-me-ei de tudo quanto estou vendo hoje. Tal pensamento me dará coragem, e facilmente esquecerei meus pobres e mesquinhos interesses, considerando a grandeza e o poder de Deus, a quem quero unicamente amar Não terei a desgraça de apegar-me a ninharias, agora que meu coração pressentiu o que Jesus reserva aos que o amam!" (MA 161)


-Sintamos impelidos e comprometidos a rezar pelos anunciadores do evangelho.

Elevemos nossos clamores ao da vida:

Por todos os sacerdotes, para que encontre em Jesus Cristo refúgio e fortaleza;

Por todos os que anunciam o evangelho;

Por todos os promotores da vida;

Por todos os servidores da mesa do evangelho;

Por todos os que fazem de sua vida um evangelho vivo;

Por todos os clamores pessoais.

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

4º Dia - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


É para sempre, para sempre que estou aqui!...(Ms A, 69v)

Teresinha sempre foi decidida em suas ações. Tomada uma resolução, não era fácil voltar atrás. Depois da sua conversão de Natal, algo novo havia acontecido. Nem ela sabia com certeza o que era. Ela sentia como que um fogo queimando por dentro. Parecia que ela ouvia uma voz que falava alto ao meu coração: Seja carmelita de Lisieux. Era necessário fazer um discernimento espiritual, ver se as motivações que a levavam para o Carmelo eram verdadeiramente sinceras e retas. Não era por motivos humanos, nem para ficar com suas irmãs que desejava ser carmelita. Era unicamente por amor a Jesus e pela salvação das almas. Começa a ter um grande desejo de ler livros espirituais e de santos. Suas irmãs do Carmelo enviavam livros e ricos de conteúdos, para seu pai.

“Essa leitura foi também uma das maiores graças de minha vida. Eu a fazia junto à janela do meu quarto de estudos, afetuosa, para que a possa externar...
Todas as verdades fundamentais da religião, os mistérios da eternidade mergulhavam minha alma numa bem-aventurança que não é desta terra... Já pressentia (não com a vista corpórea, mas com a do coração) aquilo que Deus reserva aos que O amam, e, vendo que as eternas recompensas não estão em nenhuma proporção com os leves sacrifícios da vida, queria amar, amar a Jesus apaixonadamente, dar-lhe mil sinais de amor, enquanto ainda o pudesse... ”(MA 138).

“Obtido o consentimento de papai, julgava poder sem receio convolar ao Carmelo, mas provações bem dolorosas deviam ainda apurar minha vocação” (MA 143).
A santa vencera, lutara com denodo, cheia de confiança em Deus e atraída pela sua vocação carmelitana. Nunca titubeou, nem fraquejou. Rezou, confiou, lutou e venceu.

Dirijamos ao bom Deus as nossas preces:

Por todos aqueles que, vivendo o processo de discernimento vocacional, disponham a dar seu SIM a Deus;

Para que Deus nos conceda a graça da “determinada determinação” recomendada por Santa Teresa e profundamente encarnada por Santa Teresinha.

Por nossas intenções pessoais.

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

3ª Dia - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


Ajudar as almas

No dia 17 de março de 1887 todos os jornais noticiaram um fato que abalou a França. O povo ficou apavorado diante de um crime tão cruel: um certo Henrique Pranzini degola duas mulheres e uma menina, para assaltá-las. Poucos delitos suscitaram tanta comoção como este.
Esse fato marcou profundamente a vida de Santa Teresinha, porque despertou nela o desejo imenso de ajudar a salvar vidas.
Teresinha consegue pegar o jornal de seu pai e ler notícia desse condenado à morte. Sente imediatamente grande compaixão por ele, um desejo imenso de vê-lo salvo e tê-lo um dia como irmão, no Paraíso, bem junto de Deus. O Senhor colocou em seu coração a dedicação apostólica desde início da sua vida. Não foi feita para ser feliz sozinha, nem na terra nem no Céu. Precisa repartir com os outros a verdadeira alegria que sente de pertencer a Jesus.

“Com o fito de incitar meu zelo, o bom Deus mostrou-me que meus desejos lhe eram agradáveis. Ouvira falar de um grande facínora que acabava de ser condenado à morte por crimes horrendos. Tudo levava a crer que morreria impenitente. A todo custo, queria eu impedi-lo de cair no inferno. Para conseguir, aplicava todos os meios imagináveis. Sentindo que nada poderia por mim mesma, ofereci ao bom Deus todos os infinitos méritos de Nosso Senhor, os tesouros da Igreja. Pedi afinal a Celina que mandasse celebrar uma missa em minha intenção, não me animando a fazê-lo pessoalmente pelo receio de ser obrigada a declarar que era por Pranzini, um grande criminoso. Não queria também declará-lo à Celina, mas ela me fez perguntas tão carinhosas e insistentes, que lhe confiei meu segredo. Longe de Zombar de mim, pediu para me ajudar na conversão do meu pecador. Aceitei-o reconhecida, pois queria que todas as criaturas se unissem a mim, para implorarmos o perdão do culpado. Sentia, no fundo do coração, a certeza de que nossos desejos seriam atendidos”.

Sintamos o mesmo desejo de fazer o que Santa Teresinha fez. Oremos pela humanidade.

Peçamos e roguemos:
Por todos aqueles que, de algum modo, se sentem presos;
Por todos os encarcerados;
Por todos os que são escravizados em vícios;
Por todos os oprimidos de nosso país;
Pela opressão que gera violência, desigualdade, injustiças;
E pelas necessidades que trazemos no silêncio de nosso coração. Peçamos.

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Primeiro encontro de catequizandos no convento Elisabete da Trindade











No último dia 19, iniciamos aqui no galpão do convento Elisabete da
Trindade o primeiro grupo de crianças e adultos em preparação aos
sacramentos. Aqui no núcleo rural Colombo Cerqueira, algumas pessoas
não têm ainda uma formação nem sólida e sequer básica, e prontamente
se propuseram a aprender e refletir sobre ensinamentos da Bíblia e
assim crescer na fé cristã.
A ideia de se criar grupos de catequese partiu de um casal que há
muitos anos tem uma chácara próxima da nossa, Sr. Oswaldo e D. Aurora,
que ao conversar com fr. Cléber, falou que uma parcela de moradores
(em sua maioria, pessoas que trabalham em outras chácaras, famílias de
caseiros etc.) que, mesmo com a catequese na paróquia, não
participavam lá devido à distância e a incompatibilidade de horários
com os afazeres dos caseiros. Com isso, divulgou-se a possibilidade de
missas aos sábados às 17hs, melhor horário encontrado para que eles
pudessem participar. Nas primeiras missas percebeu-se a motivação
daqueles que queriam participar dos encontros e a promessa de
divulgação a outros que também poderiam participar, combinados para
realizarem-se às 15h30min no mesmo dia, um pouco antes da Celebração
Eucarística.
De início já temos três turmas, de faixas etárias distintas, num total
de 27 pessoas. Contamos com a ajuda de Débora e Cleide, catequistas da
paróquia Santa Maria dos Pobres na região administrativa do Paranoá,
que assumiram os grupos dos menores e fr. Deneval com os adultos.
É um bom começo para podermos ajudar, tanto os frades quanto
postulantes e leigos, no processo pastoral do Colombo Cerqueira e ser
presença constante, não somente agora, mas no futuro quando se Deus
quiser, tivermos consolidada a comunidade de leigos desta região do
Paranoá.

fr. Hudson

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

2º Dia - Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


Passa a ser grande em tamanho e, sobretudo, em graça (47 v)

Para cada pessoa há um momento para a autêntica conversão.
Os grandes baluartes da Igreja passaram por isso. É só lembrar-se de São Vicente de Paulo, de São Francisco de Assis, de Santo Agostinho e, até mesmo, Nossa Santa Madre Teresa de Jesus (Teresa de Ávila) que decidiu se converter e é tida como referência na Igreja.
O mesmo aconteceu com Santa Teresinha:
“Em 25 de dezembro de 1886, a graça de minha conversão completa. Voltávamos da missa da meia – noite, na qual tive a ventura de receber o Deus forte e poderoso...
Jesus, porém, querendo mostrar-me que devia livrar-me dos defeitos da infância, subtraiu-me também inócuas alegrias dessa idade.
(...) Felizmente, era uma doce realidade. Teresinha tinha reavido a força e ânimo que perdera aos 4 anos e meio, e conservá-la-ia para sempre!...
(...) A tarefa que em dez anos não me foi possível desempenhar, Jesus a executou num ápice, contentando-se com minha boa vontade, quer nunca me faltou. Como seus Apóstolos, poderia dizer-lhe: ‘Senhor, pesquei toda a noite, e nada apanhei’. Para comigo, mais misericordioso ainda do que para com seus discípulos, o próprio Jesus tomou a rede, lançou-a e recolheu-a cheia de peixes... Fez-me pescadora de almas. Senti, numa palavra, a caridade penetrar-me no coração, a necessidade de esquecer-me a mim mesma, para ser obsequiosa, e desde então fui feliz!”(MA 133-134)

Ela já não foi mais a mesma de antes, pois a partir daí deseja agradar a Deus; quer também dedicar-se com toda força, radicalidade, empenho e perseverança ao serviço do Senhor. Deus permitiu que isso acontecesse com Santa Teresinha para que ela se tornasse uma pessoa com boas intenções.
Todos nós somos chamados a dar testemunhos de amor. O amor é um sinal ou coisa que perpassa a nossa vontade. Tudo isso é fato e vem a servir de exemplo para cada um de nós, ajudando-nos nesse processo de conversão. Deus permite que sejamos provados para ver até aonde vai a nossa fé Nele. O livro de Jó é bastante rico quando se fala em provação, pois, mesmo em meio a tribulações, perdendo tudo, menos a vida, ele, Jó, permaneceu fiel e ganhou tudo em dobro.
“Viver é saber que tudo nesse mundo só tem valor quando conquistado entre dores e sofrimentos, quando a vitória é consequência da luta, da garra, quando o sabor da conquista teve minha participação plena e direta. Aí, sim, vale a pena viver”, dizia André Marmilicz.

Rezemos e supliquemos:
Por todos aqueles que não creem;
Por todos aqueles que não adoram;
Por todos aqueles que não esperam;
Por todos aqueles que não amam;
Por cada pessoa humana, para que tenha sua experiência autêntica com Deus;
Por todas as que trazemos no nosso coração, rezemos e supliquemos.

Escutai, Senhor, nosso clamor, pela intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus, que no curto espaço de vossa existência fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na Divina Providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

domingo, 20 de setembro de 2009

1º DIA- Novena de Santa Teresinha do Menino Jesus


Nessa novena rezaremos acompanhando os passos de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face ou, como é mais conhecida, “Teresinha das Rosas”.

Hoje, primeiro dia de nossa novena, rezaremos meditando na sua infância: “uma vida tranqüila e feliz (Ms A, 22f)”.

Santa Teresa do Menino Jesus tem facilidade para conquistar, seduzir, encantar todas as pessoas, até mesmo as de coração duro, pois o seu modo de agir, sua beleza, sua simplicidade, sua humildade são as palavras que se tornam testemunho e vida em plenitude.
Essa Santinha foi e é uma palavra profundamente encarnada no projeto salvífico. Soube, com humildade, transmitir e traduzir o evangelho dos pequenos e dos pobres. E é isso que Jesus continua fazendo, pousando o seu olhar sobre os que não têm voz e vez, mas que têm a força que brota do coração de Deus, a força do amor. No amor, até os corações mais duros são atingidos.
Santa Teresinha foi uma criança normal que teve: alegrias, tristezas, certezas, dúvidas, perguntas, respostas e, enfim, coisas que são próprias da sua idade infantil.
Com sua chuva de rosas, Santa Teresinha, interceda por tudo que há na obra da criação, sobretudo, pela prática da criatura humana.
Clamemos e peçamos:
Pelas crianças que, antes de nascerem, já são excluídas da humanidade;
Pelos que lutam pela preservação da vida;
Pelos que buscam a paz;
Pelas crianças que morrem;
Pelas crianças que estão doentes;
Pelas crianças que sofrem;
Pelas crianças que são perseguidas;
Pelas crianças que perderam o sentido da vida;
Pelas crianças que estão desanimadas;
Pelas crianças que vivem;
Pelos que promovem a justiça;
Pelas feras e todos os animais;
Pelo dom da vida;
Pelo dom da criação...
Por tudo isso e pelas intenções que trazemos, nesse momento, no nosso íntimo, clamemos ao Senhor.
Escutai, Senhor, nosso clamor pela intercessão de Santa Teresinha do menino Jesus.

Oremos

Oh! Teresinha do Menino Jesus que no curto espaço de vossa existência, fostes um espelho de angelical pureza, de amor forte e do mais generoso abandono na divina providência, agora que estais gozando o prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre nós que confiamos plenamente em vós. Fazei vossas nossas aflições; dizei por nós uma palavra a esta Virgem Imaculada de quem fostes à flor privilegiada a Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Suplicai a ela, tão poderosa sobre o coração de Jesus, nos obter a graça que tanto desejamos neste momento, de acompanhá-la com uma bênção que nos alente durante a vida, nos fortifique na hora da morte, e nos conduza à bem aventurada eternidade.
Assim seja.

Rogai por nós, Santa Teresinha.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

sábado, 19 de setembro de 2009

NOVENA DE SANTA TERESINHA - por Frei Carlos


Esteremos nos preparando para a solenidade de Santa Teresinha do Menino Jesus rezando juntos por toda a Igreja, pelo Carmelo Descalço e por todos aqueles que confiam na intercessão desta grande Santa.
ACOMPANHE!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

CONGRESSO DE MISTICA 2009

ESTAREMOS DISPONIBILIZANDO ALGUNS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMAS QUE SERÃO TRATADOS NO CONGRESSO DE MÍSTICA NA COLÔMBIA NESTE ANO DE 2009. ACOMPANHE!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Aprovada programação para o Centenário da Província

A equipe preparatória das celebrações do Centenário da chegada dos primeiros frades no Sudeste do Brasil apresentou ao Conselho Provincial a proposta das atividades celebrativas. O Conselho aprovou as propostas e a equipe começa a trabalhar para colocar em prática a programação.
Programa para a Celebração do Centenário da chegada dos frades carmelitas descalços no Sudeste do Brasil:

1. Dia 17 de maio de 2010

Celebração do início do centenário nas comunidades com Missa de Ação de Graças com textos preparados pela equipe do centenário.

2. Durante o ano de 2010

Exposição itinerante sobre a história da chegada dos primeiros frades, que deve percorrer todos os conventos durante do ano.

3. 19 a 22 de julho de 2010

Peregrinação, encontro e passeio dos frades e estudantes no sul de Minas, região de S. Bento do Sapucaí. Este encontro será organizado pela equipe de preparação do centenário em contato com os párocos e comunidades locais e deverá constar de Celebrações nos locais por onde os frades se instalaram e trabalharam; passeios e momentos de confraternização; missões.


4. 19 de março de 2011

Celebração Eucarística da Província em S. Paulo em comemoração dos 100 anos da chegada dos frades descalços no Sudeste do Brasil e encerramento das atividades.

Pela equipe

Fr. Rubens Sevilha, ocd

Notícias da Holanda....



Recebemos do nosso jovem Fr. Luciano um sinal de vida do nosso convento da holanda. Nesta mensagem ele fala da esperança da vida religiosa holandesa a partir do encontro de jovens religiosos que ocorreu perto de Handel.


Deus continua chamando para O seguirmos e estar em intimidade com Ele! A Vida Religiosa Consagrada como um desejo de resposta a uma busca de Deus de forma mais intensa também continua presente e a fascinar pessoas, de forma particular os jovens, de todas as partes, até mesmo aqui nos Países Baixos.
Um dos grandes testemunhos da Vida Religiosa Consagrada hoje consiste em ser luz. Não uma luz qualquer e isolada, mas uma luz que é reflexo da “grande Luz” que é Deus. Somos chamados a iluminar os ambientes, sermos luz de Deus, mostrar no mundo a sua presença, seu amor, seu rosto misericordioso. Trilhando essa linha de pensamento o Papa Bento XVI vai afirmar que “Os consagrados e as consagradas têm hoje a tarefa de ser testemunhas da transfiguradora presença de Deus em um mundo cada vez mais desorientado e confuso, um mundo no qual os matizes substituíram as cores sumamente claras e destacadas”.
Resolvi escrever este, após experienciar e ler sobre a Vida Religiosa Consagrada em terras holandesas hoje. A Vida Religiosa na Holanda passa por uma mudança. E não é para “a extinção”, mas, para um novo reflorescer. Um novo renascimento! Claro! Não nos moldes antigos em que a quantidade era um marco. Seminários e conventos cheios, missionários sendo enviados para todas as partes do mundo, principalmente Indonésia, Suriname, Congo, Brasil, etc. Hoje, diferentemente do passado remoto acontece um fenômeno mais discreto, poucas pessoas, mas é algo real.
Aqui existem jovens religiosos! E jovens que dizem com convicção: “Ja, we zijn er nog” que seria “Sim, ainda estamos” ou numa tradução mais completa poderia ser: “Sim, nós ainda estamos aqui”. Deu para perceber isto de forma mais clara nos “ecos” do IV Jonge Religieuzendag, isto é, o IV Encontro de Religiosos Jovens que aconteceu dia 08 de julho no convento dos frades carmelitas na cidade de Nijmegen, não muito distante de Handel. Um encontro para religiosos de no máximo 35 anos que partilharam suas vidas, trocaram experiências, rezaram, celebraram a Eucaristia e refletiram sobre o tema: Vida Religiosa Consagrada e comunicação, ministrado por frei Fer van der Reijken, ofm. Tipo de encontro que traz esperança mesmo quando sabemos sobre a realidade e os desafios da Vida Religiosa no continente europeu. Uma Vida Religiosa marcada praticamente pelos mesmos problemas. ‘A idade média dos religiosos e religiosas que se cifra num escalão bem alto, a escassez de vocações, a pouca atração de um estilo de vida diferente, entre outros que muitas vezes se procuram encontrar’.

Contudo, tratando-se da Holanda, constata-se agora uma maior procura pela Vida Religiosa Consagrada. Algo que a mais ou menos 20 anos não acontecia. Para termos uma idéia, a secretaria da Conferência do Religiosos da Holanda com sede na Diocese de Den Bosch recebeu no ano de 2008 a visita de 40 pessoas interessadas em conhecer mais a Vida Religiosa. Não saberia dizer aqui quantos efetivamente entraram.
É certo dizer: “vivem-se tempos difíceis” na Europa, mas os religiosos não devem perder a esperança. Também acredito que a Vida Religiosa hoje é chamada a voltar a ter coragem de estar no seu lugar, e de testemunhar de modo alegre que somos filhos de Deus, sem esquecer da responsabilidade histórica de desempenhar, hoje, um papel semelhante ao que, no seu tempo, desempenharam grandes personalidades como “Bento, Bernardo, Cirilo e Metódio, Norberto, Brígida, Francisco, Domingos, Teresa,” e muitos outros fundadores de famílias religiosas.
Vale ressaltar que quando tantas vezes “levantei a bandeira” da esparança em todo o percurso do texto, me referi não a uma esperança sonhadora e ilusória, mas, a uma esperança realista. Já conheço inúmeros religiosos jovens que acreditam na Vida Religiosa Consagrada, no seu valor, testemunho, mensagem e missão profética. Fica então para nós o convite à sermos homens e mulheres mais esperançosos. Vivendo e caminhando com mais otimismo e ânimo.
Estejamos unidos em oração pedindo ao Senhor da messe que continue enviando operários para a sua messe, pois a messe é grande! (Mt. 9,38)

Abraço Fraterno,
Frei Luciano Henrique, ocd
Handel/Holanda

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mês da Bìblia com os Carmelitas Descalços


Neste mês da Bíblia vamos estar disponibilizando textos reflexivos sobre como os Carmelitas leem a Bíblia. Para ter acesso aos textos basta clicar no link FALANDO DE ESPIRITUALIDADE. Lá todos aqueles que desejam ter um maior contato com a Palavra de Deus por meio da espiritualidade carmelitana poderá encontrar algumas pistas.