quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Virgem Maria em nossa vida




Incluídos por graça de Deus entre os “irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria”, pertencemos a uma família que se consagra ao seu amor e culto e que caminha para a plenitude da caridade sob o influxo vital de uma íntima comunhão com a Mãe de Deus. Esta comunhão penetra a vida comum e marca com peculiar cunho mariano o espírito de oração e contemplação, o apostolado em todas as suas manifestações e a própria abnegação evangélica.
Constituições 47


O Carmelo é todo mariano. Em Maria, cada membro da Ordem encontra o modelo de escuta filial do Pai por meio de Cristo, no Espírito Santo. Aprende a viver a dimensão contemplativa que deve desenvolver como sentido da própria vida: encontrar Deus presente na realidade, renovando continuamente a aliança com Ele e vivendo à sua luz.



Santa Teresinha

Estava profundamente enraizada em sua vida a devoção a Maria, por isso, a amava com grande ternura.
Diz: “... A Santíssima Virgem deu-me a perceber que foi ela realmente que sorria para mim, e quem me curara. Compreendi que velava por mim, e que eu era sua filha, e por isso já não podia dar outro nome a não ser o de Mamã, que me parecia mais afetuoso do que o de Mãe...” (Ma 158).
Todo seu amor pela Virgem se acha resumido em sua composição poética entitulada ‘Porque te amo, ó Maria’.

Quisera cantar, Maria, porque te amo.
Porque, ao teu nome, exulta meu coração
E porque, ao pensar em tua glória suprema,
Minha alma não sente temor algum...

Tu me fazes sentir que não é impossível
Os teus passos seguir, Rainha dos eleitos,
Pois o trilho do céu nos tornaste visível,
Vivendo cada dia as mais simples virtudes.

(Poesia 54,1.6)



Beata Elisabete da Trindade

Na Virgem do Carmo via e venerava de a Virgem da Encarnação, toda recolhida em seu mistério. Daí extraía estímulo e exemplo para sua vida carmelitana. Neste sentido o Carmelo pode ser designado com totus marianus – que irradia uma luz mariana com caráter místico, profético e apostólico.

Em louvor à Rainha do Carmelo

Tuas duas filhas contigo,
boa Madre,
Queriam festejar a Rainha do Carmelo,
Devotando-lhe a nossa vida inteira,
De nossa Rainha Imaculada
Seremos louvores de amor.
Ó nossa Mãe Bem-amada,
Guardai-nos fiéis sempre.
Logo na Pátria,
Ó Mãe, acolhei-nos,
Na eterna vida
Colocai-nos perto de vós.

(Poesia 103)

Teresa de Jesus dos Andes

A presença da Virgem Maria na vida de Teresa dos Andes se dá desde sua tenra idade. Maria vai lhe fazer companhia durante toda sua vida. Na primeira etapa de sua vida compreendida desde seu nascimento até a sua Primeira Comunhão em 1910 ela mesma resume sua devoção à Virgem da seguinte forma: “Desde os sete anos, mais ou menos, nasceu em minha alma uma grande devoção à minha Mãe, a Santíssima Virgem. Lucho me deu esta devoção, com a qual estive e estarei, como espero, até minha morte”.(Diário 5).
Ela toma a Virgem por companhia em todos os momentos de sua vida, também durante as “noites escuras”, onde encontra sempre na mulher “mais santa” de todas, fortaleza e consolo.
Esta relação para com a Virgem está bem conforme o espírito do Carmelo Teresiano, onde Maria é tida e experienciada no decorrer da história como Mãe e Irmã, relação essa que conduz a uma maior intimidade com Deus.

“Meu espelho há de ser Maria, sendo que sou sua filha devo assemelhar-me a ela
e assim assemelhar-me-ei a Jesus”.
(Diário 15)

Madre Teresa de Jesus

A alma profundamente mariana de Teresa de Jesus se forja de forma progressiva, já desde os primeiros anos da infância, no seio familiar. Ela mesma nos diz que com a idade de seis anos sua mãe já tinha o cuidado especial de que fosse devota da Virgem. Também nos conta como desde muito menina procurava a solidão para praticar suas devoções, “que eram muitas, em especial o rosário, de quem minha mãe era muito devota, e assim nos fazia sê-lo” (V 1,6).
Quando lhe morre a mãe, Dona Beatriz de Ahumada, cai em conta do que havia perdido e acorre à Virgem da Caridade na Ermida de São Lázaro para pedir-lhe que seja ela sua Mãe. Esta estreita relação com a Virgem se manifesta durante toda sua vida espiritual. Já no Carmelo, Teresa se destacou como uma carmelita, entre muitas outras coisas espirituais, por seu amor filial à Virgem Mãe de Deus, de Cristo, da Igreja e do Carmelo.
O Marianismo de Teresa de Jesus é tradicional, familiar, novo por seu caráter pessoal, perene e sempre atual, por estar baseado nos princípios essenciais da Mariologia, como a Maternidade Divina e Virginal, a presença de Cristo e do Espírito Santo, a maternidade espiritual de todos os homens, a mediação e co-redenção.

“E nós nos alegramos de poder em algo servir à nossa Mãe, Senhora e Patrona... E pouco a pouco se vão fazendo coisas em honra desta gloriosa Virgem e seu Filho. Seja para sempre louvado,
amém, amém!”.

(Fundações 29,28)


Padre João da Cruz

São João da Cruz, já desde criança, recebeu na família, sobretudo por parte de sua mãe Catalina Alvarez, uma formação profundamente religiosa em torno de Maria. Era o mais comum naquele tempo, dentro da piedade cristã, a devoção à Virgem.Tudo o que viveu e praticou desde a tenra idade passa a ser para o Santo uma experiência de vida espiritual extraordinária em seu caminho. Sua devoção intensa, sincera e profunda a Maria desemboca numa vivência espiritual que, ao seu modo, o Místico Doutor transmite em seu estilo de vida.
As reflexões que faz sobre alguns temas marianos nascem de sua singular vivência espiritual, e dos conhecimentos bíblicos e teológicos acumulados em seus estudos na Universidade de Salamanca.



Oração da Alma enamorada

“Meus sãos os céus e minha é a terra, minhas são as gentes, os justos são meus e meus os pecadores; os anjos sãos meus e a Mãe de Deus e todas as coisas sãos minhas, e Deus mesmo é meu e para mim, porque Cristo é meu e todo para mim”. (Ditos 26)


Sobre a Encarnação

Então chamou-se um arcanjo
Que São Gabriel se dizia,
Enviou-o a uma donzela
Que se chamava Maria
De cujo consentimento
O mistério dependia

E ficou o Verbo Encarnado
Nas entranhas de Maria
E o que então só tinha Pai,
Já Mãe também teria,
Embora não como outra
Que de varão concebia,
Porque das entranhas dela
Sua carne recebia;
Pelo qual Filho de Deus
E do Homem se dizia.

(Romance 8)
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