terça-feira, 26 de maio de 2009

Poesia sobre o Espírito Santo de Santa Edith Stein


FOGO DE PENTECOSTES



Quem és tu, Luz que me inundas
E clareias o meu coração?
Tu me guias,
Qual mão carinhosa de mãe,
Se de Ti me desprendo,
Não saberia caminhar
Nem mais um passo.
Tu és o espaço,
Que cerca meu ser
E em si me acolhe.
Saindo de Ti,
Mergulho no abismo do nada,
De onde tu me tiraste.
Tu estás mais próximo a mim
Do que eu a mim mesmo,
E mais íntimo
Do que meu interior –
No entanto, continuas intocável
E incompreensível,
Arrebatando o que existe:
Santo Espírito – Eterno Amor.

Não és tu o maná,
Que passa do coração do Filho
Ao meu,
Comida dos anjos e dos santos?
Ele, que da morte
Para a vida se levantou,
Também a mim ressuscitou para a vida.

Arrancou-me do sono da morte,
E nova vida Ele me dá
De dia para dia.
Um dia sua plenitude
Inundar-me-á totalmente,
Vida de tua vida –
Sim, tu mesmo:
Santo Espírito – Eterna Vida.

És tu o raio
Que estala
Do trono do Juiz
E irrompe na noite da alma,
Que nunca se reconhece e si mesma.
Misericordioso – inexorável,
Penetra-lhe os abismos sombrios,
E ela, assustada com a visão de si mesma,
Cede-lhe confiante o lugar –
Santo temor,
Início daquela sabedoria,
Que vem das alturas
E nas alturas nos ancora fortemente - ,
Tua realidade nos cria de novo:
Santo espírito – Raio Penetrante.

És tu a canção do amor
E santo temor,
Que ecoa eternamente
Ao redor do trono de Deus,
Que une em si
O puro som de todas as criaturas?
A sintonia
Que une os membros com a cabeça,
Nela cada um
Encontra feliz
O sentido misterioso de seu ser
E flutua em júbilo,
Em tuas torrentes:
Santo Espírito - Eterno Júbilo.

És tu a plenitude,
A força do Espírito,
Pela qual o Cordeiro rompe os selos
do livro da vida
Por um eterno decreto de Deus.
Impelidos por Ti,
Os mensageiros do juízo
Galopam pelo mundo
E separam com espada afiada
O Reino do meio das trevas.
Então, tornar-se-ão novos
O céu e a terra,
E tudo aparecerá no devido lugar
Pelo teu sopro:
Santo Espírito – Força Vencedora.

(Pentecostes de 1942, últimos meses da vida de Edith Stein)

25 de maio- Santa Maria Madalena de Pazzi


Nasceu em Florença, Itália em 1566 de uma família distinta e foi batizada com o nome de Catherine. Foi educada no Convento de São João em Florença Ela foi compelida a casar-se pelo seu pai, mas recusou-se e com a idade de 16 anos ela entrou para a Ordem das Carmelitas Descalças no Convento de Santa Maria do Anjos, em Florença, em 1582. Quando ela recebeu o hábito ela escolheu o nome de Maria Madalena.
Ela ocupou vários cargos no convento e era extremamente capaz e eventualmente tornou-se a Madre Superiora. Seriamente doente, ela experimentou vários êxtases. Após recupera sua saúde ela praticava extrema mortificações e experimentou anos de forte consolação espiritual e suas irmãs copiavam o que ela dizia durante os êxtases e as Atas desses êxtases foram mais tarde publicados. Eles guardam o espirito da beleza de sua vida.
Maria Madalena encontrou sua vocação na reforma da de todos os estados da vida da Igreja para a conversão de todos os homens. Ela acreditava que o sofrimento levaria a um profundo plano espiritual e ajudaria a salvar uma alma. Maria Madalena tem a reputação de ter o dom da profecia, ler as mentes e fez varias curas milagrosas durante a sua vida. Morreu em 25 de maio de 1607.
Ela foi canonizada em 1669 pelo Papa Clemente IX.
Ela é mostrada na arte litúrgica da Igreja com os 1)Instrumentos da Paixão ajoelhada diante da Santa Trindade; 2)Cristo a coroando com três coroas de espinhos e a Virgem dando a ela rosas.
Ela é ainda é mostrada: 3) recebendo o Sagrado Sacramento de Jesus. 4)recebendo o véu branco da Virgem Maria 5)sendo presenteada com o anel por Jesus 6)coroada com espinhos e abraçando a cruz 7) com chamas saindo do seu peito.


MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
POR OCASIÃO DO IV CENTENÁRIO DA MORTE
DE SANTA MARIA MADALENA DE'PAZZI (1566-1607)

Ao Venerado Irmão Senhor Cardeal ENNIO ANTONELLI
Arcebispo de Florença

Por ocasião do IV centenário da morte de Santa Maria Madalena "de' Pazzi", sinto-me feliz por me unir à amada Igreja florentina, que deseja recordar esta sua filha ilustre, particularmente querida por ser figura emblemática de um amor vivo que remete para a dimensão mística essencial de cada vida cristã. Enquanto saúdo Vossa Eminência com afecto, Senhor Cardeal, e toda a Comunidade diocesana, dou graças a Deus pelo dom desta Santa, que todas as gerações descobrem singularmente próxima ao saber comunicar um fervoroso amor a Cristo e à Igreja.
Tendo nascido em Florença a 2 de Abril de 1566 e baptizada na fonte do "bom São João" com o nome de Catarina, santa Maria Madalena "de' Pazzi" desde a juventude mostrou uma particular sensibilidade em relação ao sobrenatural e sentiu-se atraída pelo diálogo íntimo com Deus. Como era costume para as jovens de família nobre, a sua educação foi confiada às Damas de Malta, em cujo mosteiro recebeu a primeira comunhão a 25 de Março de 1576 e alguns dias depois entregou-se para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade. Regressando em família, aprofundou o caminho da oração com a ajuda dos Padres Jesuítas, que frequentavam o palácio.
Habilmente, conseguia não se deixar condicionar pelas exigências mundanas de um ambiente que, mesmo sendo cristão, não lhe era suficiente no seu desejo de se tornar mais semelhante ao seu Esposo crucificado. Neste contexto amadureceu a decisão de deixar o mundo e de entrar no Carmelo de Santa Maria dos Anjos, no Bairro São Fernando, onde a 30 de Janeiro de 1583 recebeu o hábito do Carmelo e o nome de irmã Maria Madalena. Tendo adoecido gravemente em Março de 1584, pediu para poder emitir a profissão antes do tempo e, a 27 de Maio, festa da Trindade, levada em coro numa maca, pronunciou para sempre diante do Senhor os seus votos de castidade, pobreza e obediência.
A partir daquele momento teve início uma intensa estação mística da qual derivou para a Santa a fama de grande extática. São cinco os manuscritos nos quais as Carmelitas de Santa Maria dos Anjos escreveram as experiências extraordinárias da sua jovem irmã de hábito. Seguem-se "Os quarenta Dias" do Verão de 1584, "Os Diálogos" da primeira metade do ano seguinte. O ápice do conhecimento místico que Deus concedeu de si à irmã Maria Madalena encontra-se em "Revelationi e Intelligentie", oito dias de maravilhosas êxtases que vão da vigília de Pentecostes à festa da Trindade do ano de 1585. Uma intensa experiência que, com apenas 19 anos de idade, a tornava capaz de abraçar todo o mistério da salvação, da encarnação do Verbo no sentido de Maria até à descida do Espírito Santo no Pentecostes. Seguiram-se cinco longos anos de purificação interior Maria Madalena de' Pazzi fala deles no livro da "Probatione" nos quais o Verbo seu Esposo lhe subtraiu o sentimento da graça e a deixou como Daniel na fossa dos leões, entre muitas provações e grandes tentações. É neste contexto que se insere o seu fervoroso compromisso pela renovação da Igreja, depois de ter visto, no Verão de 1586, clarões de luz do alto que lhe mostraram o verdadeiro estado em que ela se encontrava na época pós-tridentina.
Como Catarina de Sena, sentiu-se "forçada" a escrever algumas cartas para solicitar, junto do Papa, dos Cardeais da Cúria, do seu Arcebispo e de outras personalidades eclesiásticas, um decidido compromisso pela "Renovação da Igreja", como diz o título do manuscrito que as contém. Trata-se de doze cartas ditadas em êxtase, talvez nunca enviadas, mas que permanecem como testemunho da sua paixão pela Sponsa Verbi.

Com o Pentecostes de 1590 teve fim a dura provação. Isto permitiu-lhe dedicar-se com todas as energias ao serviço da comunidade e em particular à formação das noviças. A Irmã Maria Madalena teve o dom de viver a comunhão com Deus duma forma cada vez mais interiorizada, de modo a tornar-se uma referência para toda a comunidade, que ainda hoje continua a considerá-la como "mãe". O amor purificado, que pulsava no seu coração, abria-lhe o desejo da plena conformidade com Cristo, seu Esposo, até partilhar com ele o "despojado partir" da cruz. Os últimos três anos da sua vida foram para ela um verdadeiro calvário de sofrimentos. A tuberculose começou a manifestar-se claramente: a Irmã Maria Madalena vê-se obrigada a retirar-se lentamente da vida activa da comunidade para se imergir cada vez mais no "partir despojadamente por amor de Deus". Encontrou-se oprimida por sofrimentos atrozes no físico e no espírito que duraram até à morte, que aconteceu a 25 de Maio de 1607. Faleceu por volta das três da tarde, enquanto uma alegria inusual invadia todo o mosteiro.
Não tinham transcorrido vinte anos da sua morte que já o Pontífice florentico Urbano VIII a proclamava beata. Depois foi o Papa Clemente IX que a inscreveu no Álbum dos Santos a 28 de Abril de 1669. O seu corpo permaneceu incorrupto e é meta de constantes peregrinações. O mosteiro no qual a Santa viveu hoje é sede do Seminário arquiepiscopal de Florença, que a venera como Padroeira, e a cela na qual faleceu tornou-se uma capela em cujo silêncio se sente ainda a sua presença.
Santa Maria Madalena de' Pazzi permaneceu uma espiritual presença inspiradora para as Carmelitas de Antiga Observância. Nela elas vêem a "irmã" que percorreu inteiramente o caminho da união transformadora com Deus e que indica em Maria a "estrela" do caminho rumo à perfeição. Para todos esta grande Santa tem o dom de ser mestra de espiritualidade, particularmente para os sacerdotes, para com os quais sempre sentiu uma verdadeira paixão.
Desejo sentidamente que as presentes celebrações jubilares da sua morte contribuam para fazer conhecer cada vez mais esta luminosa figura, que a todos manifesta a dignidade e a beleza da vocação cristã. Como, enquanto ainda viva, agarrando-se aos sinos solicitava as suas irmãs com o grito: "Vinde amar o Amor!", a grande Mística de Florença, do seu Seminário, pelos mosteiros carmelitas que nela se inspiram, possa ainda hoje fazer ouvir a sua voz em toda a Igreja, difundindo o anúncio do amor de Deus por todas as criaturas humanas.
Com estes votos, confio-o, Venerado Irmão, e à Igreja florentina à celeste protecção de Santa Maria Madalena de' Pazzi e de coração concedo a todos uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 29 de Abril de 2007.

BENEDICTUS PP. XVI

sábado, 16 de maio de 2009

O ESCAPULÁRIO DA VIRGEM DO CARMO


No dia 16 de julho, há 750 anos, o mais extraordinário penhor de salvação jamais dado ao homem — o Escapulário do Carmo — era entregue a São Simão Stock. Por isso, os carmelitanos declararam 2001 “Ano Mariano” para toda a Ordem.
Certo dia, que já vai longe, andando pelas ruas de Roma, encontraram-se três insignes homens de Deus. Um era Frei Domingos de Gusmão, que recrutava membros para a Ordem que fundara, a dos Pregadores, mais tarde conhecida como dos “dominicanos”. Outro era o Irmão Francisco de Assis, o Poverello, que havia pouco reunira alguns homens para servir ao que chamava a Dama Pobreza. O terceiro, Frei Ângelo, tinha vindo de longe, do Monte Carmelo, na Palestina, chamado a Roma como grande pregador que era.
Os três, iluminados pelo Divino Espírito Santo, reconheceram-se mutuamente, e no decurso da conversa fizeram muitas profecias. Santo Ângelo, por exemplo, predisse os estigmas que seriam concedidos por Deus a São Francisco. E São Domingos profetizou: “Um dia, Irmão Ângelo, a Santíssima Virgem dará à tua Ordem do Carmo uma devoção que será conhecida pelo nome de Escapulário Castanho, e dará à minha Ordem dos Pregadores uma devoção que se chamará Rosário. E um dia Ela salvará o mundo por meio do Rosário e do Escapulário”.
No lugar desse encontro construiu-se uma capela, que existe até hoje em Roma1. Em sua edição de maio último, Catolicismo já tratou extensamente da importância e dos benefícios do santo Rosário, tão insistentemente recomendado por Nossa Senhora em Fátima para a salvação do nosso mundo afundado no pecado. O tema do Escapulário foi também largamente exposto em nossa edição de fevereiro de 1999 — Escapulário do Carmo: tábua de salvação oferecida por Maria Santíssima. Porém, em virtude da grande data que agora comemoramos, e da suma importância do Escapulário, relembraremos alguns pontos básicos desse precioso e maternal dom da Virgem Santíssima, concedido à humanidade.

Mãe e esplendor do Carmelo

Foi no celebrado Monte Carmelo, no litoral palestino, que o Profeta de fogo, Santo Elias, viu a nuvenzinha que, num período de grande seca, prenunciava a chuva redentora que cairia sobre a terra ressequida. Por uma intuição sobrenatural, soube que essa simples nuvem, com forma de uma pegada humana, simbolizava aquela mulher bendita, predita depois pelo Profeta Isaías (“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”), que seria a Mãe do Redentor. Do seu seio virginal sairia Aquele que, lavando com seu sangue a terra ressequida pelo pecado, abriria aos homens a vida da graça.
Dos seguidores de Elias e seus continuadores, de acordo com a tradição, nasceu a Ordem do Carmo, da qual Maria Santíssima é a Mãe e esplendor, segundo as palavras também de Isaías “A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron” (Is 35, 2). Da Palestina, os eremitas do Monte Carmelo passaram para a Europa, radicando-se em vários países, entre eles a Inglaterra, onde vivia São Simão Stock.

São Simão Stock: nobre e santo

Simão nasceu no ano de 1165 no castelo de Harford, no condado de Kent, Inglaterra, em atenção às preces de seus piedosos pais, que uniam a mais alta nobreza à virtude. Alguns escritores julgam mesmo que tinham parentesco com a família real.
Sua mãe consagrou-o à Santíssima Virgem desde antes de nascer. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção para o filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Virgem, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Bela atitude de uma senhora altamente nobre!
O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério. Esse verdadeiro pequeno gênio, aos sete anos de idade iniciou o estudo das Belas Artes no Colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Foi também nessa época admitido à Mesa Eucarística, e consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.
Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno aos 12 anos, encontrando refúgio numa floresta onde viveu inteiramente isolado durante 20 anos, em oração e penitência.

A Ordem Carmelitana
Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam do Monte Carmelo, na Palestina, à Inglaterra, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Simão saiu de sua solidão e, obedecendo também a uma ordem do Céu, estudou teologia, recebendo as sagradas ordens. Dedicou-se à pregação, até que finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213. Ele pôde então receber o hábito da Ordem, em Aylesford.
Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias européias.
São Simão teve que enfrentar uma verdadeira tormenta contra os carmelitas na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja, os quais queriam a todo custo suprimir a Ordem sob vários pretextos. Mas o Sumo Pontífice, mediante uma bula, declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e a autorizou a continuar suas fundações na Europa.
São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Em um novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior-Geral dos Carmelitas.

A Grande Promessa: não irás para o fogo do inferno

Se a bula papal aplacara momentaneamente o furor dos inimigos do Carmelo, não o fizera cessar de todo. Depois de um período de calmaria, as perseguições recomeçaram com mais intensidade.
Carente de auxílio humano, São Simão recorria à Virgem Santíssima com toda a amargura de seu coração, pedindo-Lhe que fosse propícia à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal de sua aliança com ela.
Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta, Flos Carmeli2. Segundo ele próprio relatou ao Pe. Pedro Swayngton, seu secretário e confessor, de repente “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me:
“‘Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’” 3.

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida nos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.
São Simão atingiu extrema velhice e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas; entregou sua alma a Deus em 16 de maio de 1265.

Privilégio Sabatino: livre do Purgatório no primeiro sábado após a morte

Além dessa graça específica da salvação eterna, ligada ao Escapulário, Nossa Senhora concedeu outra, que ficou conhecida como privilégio sabatino. No século seguinte, apareceu Ela ao Papa João XXII, a 3 de março de 1322, comunicando àqueles que usarem seu Escapulário: “Eu, sua Mãe, baixarei graciosamente ao purgatório no sábado seguinte à sua morte, e os lavarei daquelas penas e os levarei ao monte santo da vida eterna” 4.

Quais são, então, as promessas específicas de Nossa Senhora?

1º. Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do inferno.

Que desejava Nossa Senhora dizer com estas palavras?— Em primeiro lugar, ao fazer a sua promessa, Maria não quer dizer que uma pessoa que morra em pecado mortal se salvará. A morte em pecado mortal e a condenação são uma e a mesma coisa. A promessa de Maria traduz-se, sem dúvida, por estas outras palavras: “Quem morrer revestido do Escapulário, não morrerá em pecado mortal”. Para tornar isto claro, a Igreja insere, muitas vezes, a palavra “piamente” na promessa: “aquele que morrer piamente não padecerá do fogo do inferno” 5.

2º. Nossa Senhora livrará do Purgatório quem portar seu Escapulário, no primeiro sábado após sua morte.
Embora freqüentemente se interprete este privilégio ao pé da letra, isto é, que a pessoa será livre do Purgatório no primeiro sábado após sua morte, “tudo que a Igreja, para explicar estas palavras, tem dito oficialmente em várias ocasiões, é que aqueles que cumprem as condições do Privilégio Sabatino serão, por intercessão de Nossa Senhora, libertos do Purgatório pouco tempo depois da morte, e especialmente no sábado” 6.

De qualquer modo, se formos fiéis em observar as palavras da Virgem Santíssima, Ela será muito mais fiel em observar as suas, como nos mostra o seguinte exemplo:
Durante umas missões, tocado pela graça divina, certo jovem deixou a má vida e recebeu o Escapulário. Tempos depois recaiu nos costumes desregrados, e de mau tornou-se pior. Mas, apesar disso, conservou o santo Escapulário.
A Virgem Santíssima, sempre Mãe, atingiu-o com grave enfermidade. Durante ela, o jovem viu-se em sonhos diante do justíssimo tribunal de Deus, que devido às suas perfídias e má vida, o condenou à eterna danação.
Em vão o infeliz alegou ao Sumo Juiz que portava o Escapulário de sua Mãe Santíssima.
— E onde estão os costumes que correspondem a esse Escapulário? — perguntou-lhe Este.

Sem saber o que responder, o desditoso voltou-se então para Nossa Senhora.

— Eu não posso desfazer o que meu Filho já fez — respondeu-lhe Ela.

— Mas, Senhora! — exclamou o jovem— Serei outro.

— Tu me prometes?

— Sim.

— Pois então vive.

Nesse momento o doente despertou, apavorado com o que vira e ouvira, fazendo votos de portar doravante mais seriamente o Escapulário de Maria. Com efeito, sarou e entrou para a Ordem dos Premonstratenses. Depois de vida edificante, entregou sua alma a Deus. Assim narram as crônicas dessa Ordem7.

16 DE MAIO - SÃO SIMÃO STOCK


Simão nasceu em 1165, no castelo de Harford, condado de Kent, na Inglaterra, do qual seu pai era governador. Os pais do Santo uniam a virtude à mais alta nobreza. Alguns escritores julgam mesmo que tinham eles parentesco com a família real inglesa.
Sua mãe consagrou-o, antes de nascer, à Santíssima Virgem. Em reconhecimento a Ela pelo feliz parto, e para pedir sua especial proteção em relação ao filhinho, a jovem mãe, antes de o amamentar, oferecia-o à Mãe de Deus, rezando de joelhos uma Ave-Maria. Se, por distração, esquecia-se disso, encontrava uma resistência da parte do pequenino Simão, que recusava alimentar-se até que ela rezasse essa oração. Quando o bebê, devido a algum mal-estar próprio à idade, começava a chorar, bastava que a mãe lhe mostrasse uma estampa da Virgem para que ele se acalmasse.
O menino aprendeu a ler com pouquíssima idade. A exemplo de seus pais, começou a rezar o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem, e logo também o Saltério em latim. Embora não conhecesse ainda a língua latina, encontrava tanto prazer nisso, que ficava extasiado.
Essa precoce criança iniciou aos sete anos o estudo das Belas Artes no colégio de Oxford, com tanto sucesso que surpreendeu os professores. Isso fez com que fosse admitido à Mesa Eucarística, num tempo em que o costume era receber a Sagrada Hóstia muito mais tarde. Foi então que consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.

Eremita aos 12 anos de idade

Perseguido pela inveja do irmão mais velho, e atendendo a uma voz interior que lhe inspirava o desejo de abandonar o mundo, deixou o lar paterno na idade de 12 anos, encontrando refúgio numa floresta isolada. Preferiu seguir o chamado de Deus a permanecer no aconchego do lar.
Um enorme carvalho, cujo tronco apodrecido formara uma cavidade suficiente para nela colocar uma cruz, uma imagem de Nossa Senhora e recostar-se, serviu-lhe de oratório e habitação. Empregava o tempo na contemplação das coisas divinas, oração e austeridades. Bebia água de uma fonte nas proximidades e alimentava-se de ervas, raízes e frutos silvestres. De vez em quando, porém, um misterioso cão levava-lhe um pedaço de pão. Evidentemente, como outrora aos solitários do deserto, o demônio não o deixava em paz. “Simão é entregue pelo inimigo da salvação a penas de espírito, a violentos escrúpulos, a cruéis remorsos sobre os perigos dessa via extraordinária que ele percorre, privado como estava da graça dos sacramentos, desprovido de todos os meios que a Igreja concede sem cessar aos fiéis, todos os dias exposto a morrer nessa terrível solidão, sem socorro nem consolações. O exemplo de tantos solitários que Deus conduziu na mesma via reanimava sua confiança; a lembrança das graças com as quais o Céu o tinha favorecido, para o confirmar em sua resolução, o reassegurava”.1

E sobretudo a proteção de Nossa Senhora, a quem ele foi consagrado desde o ventre materno, vinha trazer-lhe a paz. Por outro lado, também os anjos vinham fazer-lhe companhia e o entretinham na solidão em que vivia. Assim viveu cerca de 20 anos.

Ordem para que se juntasse aos carmelitas

Nossa Senhora revelou-lhe então seu desejo de que ele se juntasse a certos monges que viriam à Inglaterra, provenientes do Monte Carmelo, na Palestina, “sobretudo porque aqueles religiosos estavam consagrados de um modo especial à Mãe de Deus”. Apesar do grande atrativo que tinha pela solidão, Simão voltou para a casa de seus pais e retomou o curso de seus estudos. Formou-se em teologia e recebeu as sagradas ordens. Enquanto aguardava a chegada dos monges preditos, o Pe. Simão Stock dedicou-se à pregação.

Como Vigário Geral da Ordem, enfrenta perseguição

Finalmente chegaram dois frades carmelitas no ano de 1213, e ele pôde receber o hábito da Ordem em Aylesford.
Em 1215, tendo chegado aos ouvidos de São Brocardo, segundo Geral latino do Carmo, a fama das virtudes de Simão, quis tê-lo como coadjutor na direção da Ordem; em 1226, nomeou-o Vigário-Geral de todas as províncias européias.
São Simão teve que fazer frente, nessa ocasião, a uma verdadeira tormenta contra os carmelitas, na Europa, suscitada pelo demônio através de homens ditos zelosos pelas leis da Igreja. Estes queriam, a todo custo, suprimir a Ordem, sob pretexto de ser ela nova, instituída sem aprovação da Igreja, contrariamente ao que dispunha o IV Concílio de Latrão.
Simão enviou delegados ao Papa Honório III, para informá-lo da perseguição de que estavam sendo vítimas os carmelitas e pedir sua proteção. O Soberano Pontífice delegou dois comissários para examinarem a questão. Estes, ganhos pelos adversários, opinaram pela supressão dos carmelitas. Mas a Santíssima Virgem apareceu a Honório III, ordenando-lhe que aprovasse as Regras do Carmo, confirmasse a Ordem e a protegesse contra seus adversários.(2) O Sumo Pontífice o fez mediante uma bula, na qual declarou legítima e conforme aos decretos de Latrão a existência legal da Ordem dos Carmelitas, e autorizou-a a continuar suas fundações na Europa.

Eremita no Oriente e Prior Geral

São Simão participou do Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, em 1237. Nesse Capítulo, tratava-se de decidir, devido às contínuas perseguições movidas pelos mouros, se era o caso de manterem ainda os conventos da Terra Santa. Uma ala pretendia permanecer, mesmo sob o risco de se enfrentar o martírio. Outros, alegando a frase de Nosso Senhor — “quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra” — eram partidários da trasladação total para a Europa. São Simão Stock era desta segunda opinião, alegando, ademais, que não se podia tentar a Deus nessa situação. Mas ele mesmo não pôde voltar imediatamente para a Europa, porque os sarracenos dominavam os mares. Com isso, prazerosamente isolou-se numa gruta do Monte Carmelo, onde passou mais seis anos de inteira solidão, até que, sabendo que alguns cruzados ingleses preparavam-se para voltar à sua terra, julgou seu dever partir com eles.
Num novo Capítulo, em 1245, foi eleito 6° Prior Geral da Ordem carmelita.
Se a bula papal aplacara momentaneamente o furor dos inimigos do Carmelo, não o fizera cessar de todo. Depois de um período de calmaria, as perseguições recomeçaram com mais intensidade.

Nossa Senhora concede-lhe o Escapulário da Ordem

Abandonado de auxílio humano, São Simão recorria à Virgem, com toda a amargura de seu coração, pedindo-Lhe que fosse propícia à sua Ordem, tão provada, e que desse um sinal de sua aliança com ela.
Na manhã do dia 16 de julho de 1251, suplicava com maior empenho à Mãe do Carmelo sua proteção, recitando a bela oração por ele composta, Flos Carmeli. Segundo ele próprio relatou ao Pe. Pedro Swayngton, seu secretário e confessor, de repente “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me: “‘Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno’”.
“Disse-me Ela [...] que bastava enviar uma delegação ao Papa Inocêncio, Vigário de seu Filho, que ele não deixaria de me mandar remédio para nossos males”.

A expansão da Ordem do Carmo

Essa graça especialíssima foi imediatamente difundida pelos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos, e autenticada por muitos milagres que, ocorrendo por toda parte, fizeram calar os adversários dos Irmãos da Santíssima Virgem do Monte Carmelo.
“A Ordem do Carmo multiplicou-se tão prodigiosamente, sob a direção do nosso Santo, que poucos anos depois de sua morte, cerca do fim do século XIII, segundo a observação de Guilherme, Arcebispo de Tiro, essa Ordem contava já com mais de 500 mosteiros ou eremitérios, povoados por um grande número de religiosos, que o mesmo autor eleva ao número de 120 mil”.5
Como Geral, São Simão procurou propagar de todas as formas a Ordem pela Europa, preferindo fundar casas em cidades onde havia universidades. Foi o que realizou em Cambridge (1249), Oxford (1253), Paris (1254) e Bolonha (1260).
São Simão atingiu extrema velhice e altíssima santidade, operando inúmeros milagres, tendo também obtido o dom das línguas.
Apesar da idade, viajou pela Europa erigindo inúmeros mosteiros, e atribui-se-lhe também a fundação das Confrarias do Santo Escapulário.
Enfim, já centenário, chegando a Bordeaux, na França, quando se dirigia a Tolouse para o Capítulo Geral da Ordem, entregou sua alma a Deus, a 16 de maio de 1265.
De sua tumba saíram raios de luz durante 15 dias depois de sepultado, o que levou os religiosos a comunicarem o portento ao Bispo. Este chegou ao túmulo, acompanhado do clero e de muito povo. Tendo constatado o fenômeno, mandou que se abrisse o sepulcro, aparecendo o corpo do santo emitindo raios de luz e exalando delicada fragrância.
Por volta do ano 1276, o culto a Simão Stock foi confirmado para o convento de Bordeaux, pela autoridade da Santa Sé, e mais tarde para os de toda a Ordem carmelitana.

SÃO SIMÃO STOCK, ROGAI POR NÓS

terça-feira, 12 de maio de 2009






Em uma Noite ditosa,
tão em segredo que ninguém me via,
nem eu nenhuma cousa,
sem outra luz e guia
senão aquela que em meu seio ardia.
Só ela me guiava,
mais certa do que a luz do meio-dia,
adonde me esperava
quem eu mui bem sabia,
em parte onde ninguém aparecia.

Ó Noite que guiaste!,
ó Noite amável mais do que a alvorada!,
ó Noite que juntaste
Amado com amada,
amada nesse Amado transformada!

No meu peito florido,
que inteiro para ele se guardava,
quedou adormecido
do prazer que eu lhe dava,
e a brisa no alto cedro suspirava.

Da torre a brisa amena,
quando eu a seus cabelos revolvia,
com fina mão serena
a meu colo feria,
e todos meus sentidos suspendia.

Quedei-me e me olvidei,
e o rosto reclinei sobre o do Amado:
tudo cessou, me dei,
deixando meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.

São João da Cruz

Primeira Beata Paraguaia


MARIA FELÍCIA nasceu no Paraguai e faleceu em odor de santidade aos 34 anos...

Nascimento: 12 de Janeiro de 1925 no Paraguai

Baptizada: 28 de Fevereiro de 1928


Dois fatores foram determinantes para Maria Felícia: a família com os seus valores humanos[1] e o Colégio Católico das Filhas de Maria Auxiliadora, com a sua formação solidamente religiosa. No contacto com a exposição elementar do mistério Cristão juntamente com os relatos dos santos jovens Laura Vicuña e Domingos Sávio, despertaram em Felícia o «amor cristão» a Jesus e fizeram dela uma pequena heroína da caridade. Podemos narrar apenas um caso: «Certa vez, o pai ofereceu a Felícia e à sua irmãzinha mais pequena umas capinhas muito bonitas que estriaram num dia frio. Mª Felícia regressou do Colégio regelada...que tinha acontecido? Naquele dia Felícia viu que uma das suas coleguitas tremia de frio pelo pouco agasalho que tinha...não pensou duas vezes e desprendeu-se da capa e cobriu a outra criança. Depois em casa diante da advertência paterna, Felícia respondeu ao pai: «Já vês paizinho, que não sinto frio... – repetis ela (ante a advertência do pai), passando las mãozinhas pelos braços descobertos......Numa outra ocasião aconteceu algo semelhante com os seus sapatos: «Certo dia ela chegou a casa muito feliz com as sandálias de uma criança a quem havia oferecido os seus sapatos. Então já teria os seus 6 anos» – recorda pensativa a sua mãe...

Contudo, não se pense que era um anjinho... não! Era muito viva e brincalhona...um diabinho. Certo dia – já tinha 8 anos, estando na escola e desde o seu lugar que ficava junto à janela que dava para a rua, para tentar a Religiosa, pôs-se a fazer gestos como quem estava a falar com alguém escondido na parte de fora. A Irmã saiu intrigada e... não havia ninguém!!!»

1ª Comunhão: 8 de Dezembro de 1933. Escreve ela alguns anos mais tarde: «Nunca se apagará do meu pensamento a recordação do dia mais feliz da minha vida, o dia da minha primeira União com o meu Deus e este dia é o ponto de partida da minha resolução de ser cada dia melhor ». Sabemos que a Serva de Deus desde esse dia começou a aproximar-se muito frequentemente da Eucaristia , incluso diariamente e isto apesar da resistência do pai que não lhe agradava que ela fosse à Missa todos os dias.

Aos 16 anos ingressa na Acção Católica. A Acção Católica foi a grande escola de santidade e apostolado de Felícia, conhecida pelo nome familiar de «Chiquitunga». Nela se formou como cristã e nela aprendeu a ser apóstolo. Os 9 anos de Acção Católica em Villarrica, foram os de maior actividade na sua formação pessoal espiritual, teológica e apostólica. Alguns temas desenvolvidos nessas reuniões (vida interior, apostolado, sacerdócio) tiveram grande influência poderosa no crescimento espiritual da Serva de Deus como leiga. Foi formada na Acção Católica... e foi formadora na mesma.

IDEAL: O ideal que polarizava o ser inteiro da Serva de Deus aos seus 16 anos não era uma ideia, nem um programa, mas uma Pessoa: JESUS CRISTO . Isto é já bem evidente. A sua relação com ELE, desde a 1ª Comunhão era alimentada pela oração e especialmente junto do Sacrário. O «exercício» desse Amor era o que constituía a sua Vida espiritual. O seu centro vital era a Eucaristia diária. Diariamente rezava os 15 Mistérios do Rosário....

ANOS DÍFÍCEIS: (1947-1949) – a cruenta guerra civil teve como epílogo a repressão e o exílio da oposição. Um dos exilados foi o Pai de Felícia. Maria Felícia, durante o exílio do pai «fez o papel de pai para nós – recordam os seus irmãos – suprindo – o e comunicando-se com ele através de cartas...» Aos seus 22 anos Mª Felícia já tinha assumido todos os assuntos da casa, como uma mulher madura. Hipotecaram a casa familiar e tanto ela como sua mãe trabalharam no duro para conseguirem arranjar o dinheiro necessário para levantar a hipoteca. E conseguiram-no!

Felícia, para com esses contrários políticos que tanto perseguiam o seu apelido (Guggiari) “liberal” só tinha palavras de perdão. E para inculcá-lo aos demais compõe umas poesias que diziam claramente:

«Estendei a mão ao vosso adversário

O vosso adversário tradicional»

Jesus é o centro do seu amor. Todavia não havia experimentado o atractivo poderoso de um “enamoramento humano”. Na verdade ela dizia muitas vezes: «Que bom seria ter um amor humano, renunciar a ele e, juntos imolá-lo ao Senhor pelo IDEAL!» Um dia isto foi realidade...

O Pai de Maria Felícia seguia opondo-se às lides apostólicas da filha...e isto chegou a manifestações de atitudes violentas por parte do mesmo, assim como de outras pouco compreensivas por parte dos restantes familiares. Isto só não quebrou a boa harmonia familiar pela bondade, humildade e paciência infinita da Serva de Deus

Dizem testemunhas de Maria Felícia nesta época: Chiquitunga era a amiga e companheira ideal... expansiva, generosa e sabia divertir-se e divertir os outros, sem perder de vista a sua renuncia às vaidades nem a sua entrega radical a Jesus e ao apostolado.»

AMOR HUMANO: Numa assembleia de estudantes da Acção Católica, teve o encontro ocasional com um jovem estudante de medicina. Este jovem deu uma conferência, e num intervalo, a jovem Felícia, famosa em toda a Acção Católica do Paraguai, foi-lhe apresentada. Felícia sentiu uma viva sintonia com ele. Esta comunhão profunda de ideais produziu uma profunda empatia entre os dois e um grande afecto e amizade. Os dois começaram a sair juntos para as lides apostólicas e isto alegrou o pai dela. Os dois estavam enamorados.

Ante este fenómeno inesperado, ela perguntava-se: «que significará este amor humano?» e recordando o compromisso com Jesus um dia disse ao jovem: «olha...vamos ser dois grandes amigos...mais do que isso não!»...pois era necessário discernir a vontade de Deus e em consequência havia que esperar...

Eis que em Maio de 1951, o jovem – Ângelo – confiou-lhe o segredo do seu desejo em tornar-se Sacerdote...

A amizade entre ambos orientou-se decididamente para Cristo. Um dia em que os dois doaram sangue a um doente terminal, Maria Felícia diz a Ângelo: «O nosso sangue que deveria misturar-se nas veias de um filho, misturou-se no coração de um pobre!...». Um dia Felícia escreveu: «Foi o dia da nossa feliz decisão – o dia da partida de Ângelo para o estrangeiro com vistas ao Sacerdócio - aceitando o chamamento de Deus. Deus elegeu-me a mim, o mais insignificante membro do Seu Corpo Místico para esta obra maravilhosa: ter um irmão, sacerdote do Senhor e oferecido, por mim, com todas as potencias do meu ser...»

O desejo que ela tinha manifestado tantas vezes: «Que bom seria ter um amor humano, renunciar a ele e, juntos, imolá-lo ao Senhor pelo IDEAL!» ... e isto cumpriu-se à letra...

Depois deste profundo golpe afectivo, Maria Felícia volta-se com todas as forças para o ideal de se entregar completamente ao Senhor. Cada vez mais deseja Deus e chega a dizer-LHE: «Senhor, acalma a minha ânsia de amar-Te, amar-Te até ao delírio, amar-te até morrer...!»

Só depois de fazer os Exercícios espirituais de Stº Inácio de Loiola é que Maria Felícia sabe que a Vontade de Deus é que ingresse no Carmelo. A decisão estava tomada!

Podemos referir aqui um facto que mostra a fortaleza e coragem de Maria Felícia em todas as circunstâncias: Conta uma das suas amigas: «Um dia, passando eu pela Praça Uruguaia da nossa capital, de regresso ao local da Acção Católica, encontrei-me com Felícia, que trazia, debaixo do braço vários rolos de cartolina. Quando lhe perguntei o que era aquilo, ela respondeu-me como quem traz um troféu depois do triunfo, que eram os calendários pornográficos que tinha conseguido arrancar das paredes, e posto outros de paisagens e flores, de oficinas de carros, ferragens, arranjo de sapatos e outras coisas semelhantes.... tais calendários pornográficos estavam a cargo de homens rudes e até violentos às vezes. Quando escutei semelhante coisa, perguntei-lhe como é que ela se animava a tal coisa e como é que não tinha medo daqueles homens....em seguida acrescentei: «eu não me animava a fazê-lo!» ao que ela respondeu: Se eu me animo, porque é que não te ias animar tu?»

ENTRADA NO CARMELO: O seu pai permanece inflexível, só em Dezembro de 1954 é que cedeu... ao receber o «sim» tão desejado de seu pai, Maria Felícia «expressou o seu contentamento com delirante alegria» conta o seu irmão - e correu a anunciar às Madres Carmelitas a boa notícia. Felícia cumpria 30 anos no dia 12 de Janeiro de 1955, dia em que fez a despedida da sua família já que a sua entrada no Carmelo havia ficado marcada para o dia 2 de Fevereiro..

A sua felicidade era imensa ao sentir-se mergulhada no silencio contemplativo do Amor. Ao aproximar-se a Tomada de Hábito, Felícia entra numa noite escura espessa que a crucifica sem piedade... e perguntava-se: «será que Deus me quer no Carmelo quando há tanto, tanto que evangelizar no mundo?» Sentia a angústia de se estar a atraiçoar a si mesma, convencida de que não tinha vocação. Deveria sair, mas se não sai é por cobardia - pensava ela.

Diante desta insegurança prolongada o confessor exigiu-lhe uma decisão final. Ela então sugeriu «deitar à sorte» e o confessor aceitou. A Prioresa submeteu-se ao procedimento. Escreveram 2 papeis. Oraram as duas: Prioresa e Postulante, diante do Sacrário e logo Maria Felícia, aos pés da imagem de Maria tirou um dos papeis e levou-o ao confessor. Dizia: «Quero morrer no Carmelo» ... assim triunfou e sossegou Felícia confiando-se à Vontade de Deus. No dia 13 de Agosto, sem sair da noite escura, mas já fortalecida e pacificada manifesta «desejos grandíssimos de fazer a Vontade de Deus e nada mais!» . Comenta uma das Irmãs: «O 1º milagre de Maria Felícia foi o seu pai confessar-se e comungar quando ela entrou no Carmelo!» Sabemos bem as ideias políticas que ele tinha...e a indiferença e frialdade em relação a tudo quanto se referia a Religião.

Maria Felícia sempre tão alegre e pacificada, assumiu a sua vida como uma missa oferecida pelo seu amigo sacerdote e por todos os sacerdotes do mundo inteiro. Era uma verdadeira enamorada de Jesus Eucaristia!

Em Janeiro de 1959 foi atacada pela hepatite. A sua doença foi ocasião propícia para mostrar a sua íntima adesão à Vontade do pai, a sua alegria em configurar-se com Jesus. Uma das suas companheiras recorda o momento da sua partida para o Hospital: A serva de Deus, sorridente - como sempre - e serena «parecia estar consciente de que estava nos seus últimos momentos; via-se que estava em posse da paz, tranquila e feliz.»

Ao ver-se desterrada do seu querido Carmelo, escreveu 8 cartas à sua Prioresa. Preciosas pelo seu conteúdo!!!

Dia 4 visita-a o Padre Provincial....e ao sair este declara: «É outra Teresinha».

A reacção de Maria Felícia ante as notícias do seu estado cada vez mais grave eram sempre: « Obrigada Jesus...tudo isto pelos Teus Sacerdotes!»

Desabafava ela: «Tenho sede do Seu Amor! Possuo um desejo estranho de entrega total, de imolação silenciosa e escondida: Sofro - como não sei dar a entender - este desterro. Cada dia me parece mais verdadeira a minha vocação e amo-a como só Deus pode saber!!!»

Na noite da sua partida entrou em coma várias vezes... e numa das vezes Felícia, ao vir a si, exclamou sorridente: «Jesus está a jogar comigo!!»

Finalmente chegou o momento... seu irmão médico afirma que já morreu. Começam a desligá-la dos aparelhos quando sucedeu o imprevisto: Conta a própria Prioresa: « De repente iluminou-se o rosto de Maria Felícia com um sorriso inexprimível; levantou as mãos que tinha unidas apertando o Crucifixo da Profissão e com voz clara e forte disse: Paizinho querido, sou a pessoa mais feliz do mundo... se soubesses o que é na verdade a Religião Católica! E terminou dizendo estas palavras: «Jesus..amo-Te! Que doce encontro! Virgem Maria!!!» e placidamente partiu, ficando estampado no seu rosto o seu sorriso característico.



Felícia tinha um temperamento expansivo, cheio de ardor apostólico, tinha humor e ocorrências graciosas mas o que atraía o olhar dos que a rodeavam era um grande Amor a Jesus. Uma verdadeira enamorada que transbordava alegria a tempo inteiro...

Até chegar a pacificação...travou lutas titânicas contra si mesma, contra a sua sensibilidade e vontade própria...afinal é igual a nós, com um percurso necessário, porque ninguém nasce santo...

Þ 30.05.1997 o Arcebispo de Asunción, solicita a introdução da Causa

Þ 13.12.1997 abertura do Processo Diocesano em Asunción- Paraguai

Þ 28.04.2000: Clausura do Processo Diocesano em Asunción

Þ 08.05.2000: O Processo Diocesano é enviado a Roma

Þ 10.05.2000: O Processo é entregue à Congregação para a Causa dos Santos

Þ 22.02.2002 Roma emite o Decreto da validade do Processo Diocesano e nomeia-se o Postulador da Causa

Þ 24.06.2004. A entrega da «Positio»


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[1] Felícia pertence a uma família tipicamente liberal, ( um tio é deputado pelo partido liberal e um primo carnal de seu pai ao figurar nas primeiras filas do Partido Liberal, é eleito mais tarde Presidente da República) com os consequentes aspectos negativos:certa frialdade religiosa. A pouca que havia era sustentada pela sua mãe. E positivos: a valorização da liberdade, dos direitos humanos e da justiça que foram , para Mª Felícia, excelente base para compreender e viver comprometidamente esse aspecto fundamental do Sermão da Montanha.

Mensagem do 90.º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços

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Queridos Irmãos, Irmãs Carmelitas Descalças, membros do Carmelo Secular, membros associados na Família Carmelitana e todos os Amigos do Carmelo:

1. Nós, os participantes no 90.º Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços, aproveitando a fraterna hospitalidade da Domus Carmeli, saudamo-vos calorosamente desde Portugal, «Terra de Santa Maria», próximo do Santuário a ela consagrado em Fátima. E vos enviamos uma calorosa saudação: «Que o Deus da esperança vos encha plenamente de alegria e de paz na vossa crença, para que abundeis na esperança pela virtude do espírito Santo (Rom 15:13)

2. A experiência destas três semanas fez-nos experimentar a fraternidade que a todos nos une na vocação e na missão do Carmelo. Rezámos juntos e juntos partilhámos o pão da vida. Prestámos atenção aos dossiês do Prepósito Geral e do Ecónomo Geral. Assim, depois de ter referido as linhas principais da acção do Definitório Geral e sublinhado as novidades do sexénio de 2003-2009, o Padre Geral sublinhou a actualidade e a vitalidade do carisma teresiano. Depois recordou o desafio sempre actual da formação inicial e da formação permanente, a fim de se tornar mais profunda a nossa vida espiritual, maior a nossa comunhão, mais autêntico o nosso espírito missionário. Tendo em vista tudo isto, reservamos o tempo necessário para avaliar a situação presente das nossas instituições: o Teresianum de Roma; o CITES de Ávila e a origem da Ordem, o Monte Carmelo.

3. Escolhemos uma equipa de governo renovada, liderada pelo novo Prepósito Geral P. Saverio Cannistrà, da Província toscana. Escutámos as informações e as expectativas do Carmelo Secular cujo esforço se centra sobretudo na formação. No encontro com as nossas irmãs Carmelitas — vieram ao Capítulo as presidentes de onze Federações de todo o mundo — fez-nos sentir o espírito de família que nos une, de tal modo que não nos podemos definir uns sem as outras e vice-versa. O que Teresa de Jesus ensinou a João da Cruz foi precisamente o estilo de fraternidade, e o nosso diálogo foi disso sinal vivo. É essa orientação que nós queremos seguir. Outro sinal de fraternidade foi a presença neste capítulo dos nossos religiosos irmãos; eles recordam-nos a beleza da sua própria vocação, o seu lugar insubstituível na nossa história, a sua participação diferenciada no apostolado da espiritualidade, o apoio da sua oração e os seus conselhos. Juntos, Irmãos e Sacerdotes, havemos de construir o nosso testemunho carmelitano.
Em resumo: nós reflectimos, tomamos decisões e votamos. Estes são os actos próprios dum capítulo. E agora, o que vamos fazer? Que queremos viver?

Um olhar virado para o V Centenário do nascimento de Teresa de Jesus

4. O Carmelo necessita de «fogo no coração, palavras nos lábios, f«profecia no olhar» (Paulo VI, Audiência geral de 29 de Novembro de 1972) para permanecer fiel à sua triple vocação mística, profética e missionária. No nosso mundo em mudança é necessário sermos sólidos e solidários, e trabalhar na direcção que é nossa desde a origem, a de «irmos começando sempre» (Cfr F 29:32) em fidelidade criativa ao Espírito Santo. O novo sexénio de 2009-2025 seguirá o dinamismo da esperança iniciado em 2003: «A caminho com Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz: voltar ao essencial». E é assim que nos orientaremos para a celebração do V Centenário do nascimento de Teresa de Ahumada (28 de Março de 1515), aquela a quem chamamos a nossa Santa Madre: Teresa de Jesus. O documento capitular «Para vós nasci» será o guia que orientará o novo sexénio.
Ler, meditar e deixar-se renovar pelos escritos da nossa Santa Madre Teresa

5. Desejamos para todos os membros da nossa Ordem uma nova primavera na nossa vida de seguimento de Jesus. A nossa formação permanente deve ser uma autêntica educação, maturação e crescimento na vida religiosa, na vida comum e na vida de oração. Para isso convidamos a todos e cada um e cada uma de vós para um encontro pessoal com Teresa, a entrar no diálogo que ela própria inicia nos seus escritos quando diz: «Irei falando com elas no que irei escrevendo» (Prólogo do Castelo Interior). Um contacto de pessoa a pessoa não é possível a não ser no mais profundo centro da alma na esteira do caminho de oração, da aventura de amizade com Jesus, o rosto humano de Deus e rosto divino do Homem.
Transformados pela experiência de Deus

6. O nosso desejo é o de constituir os escritos da Santa madre no pão nosso de cada dia. A sua palavra vive para nos transmitir o sabor de Deus: «A minha intenção é a de seduzir as almas para um bem tão alto» (V 18:8). Perguntemo-nos: o nosso modo de vida actual tem um real espaço contemplativo de Deus? Somos testemunhas da sua grande bondade, da sua mão generosa, da sua obra libertadora (Cfr V4:10; 23:1)? Eis, pois, o esforço verdadeiro e radical que temos de realizar por nós mesmos e pelos outros, a fim de voltarmos a dizer aos homens quem é deus na nossa vida. «Deus é amor», o seu amor é vivificante, transformante e libertador.

7. Teresa convida-nos a «caminhar na verdade diante de Deus e dos homens de todas as maneiras que pudermos» (6M 10:6). Como discípulos e servidores da Palavra de Deus nós buscamos a verdade, avançamos para a luz e alcançamos a liberdade. É a partir desta soberana liberdade que nos podemos constituir em anunciadores e testemunhas, entregando-nos inteiramente a Quem se entregou por nós em seu Filho, o verdadeiro Amigo.
Fiéis ao convite profético

8. Pela liberdade alcançada após a entrega ao Senhor Teresa pôde elevar a sua voz de mulher em tantas páginas críticas e valentes, onde ela denuncia as intrigas, vaidades e mentiras da sociedade do seu tempo. O seu amor à «santíssima Humanidade» de Cristo ressuscitado apurou o seu olhar e conferiu-lhe lucidez de verdadeira filha da Igreja, perante as condições injustas que alienam o homem de si mesmo e de Deus Teresa respondeu aos desafios do seu tempo preferindo a pobreza e o humanismo cristão para as suas fundações sustentadas numa sóbria e amigável vida comunitária e marcada pelas virtudes evangélicas da suavidade, da humildade e da alegria. Também para nós, hoje, a pobreza massiva e tudo que a provoca, isto é, as desigualdades crescentes e a injustiça em todas as suas formas, são para nós um desafio. A nossa vida contemplativa revela-nos o rosto sofredor de Cristo nos rostos doridos dos pobres.
Seguindo o impulso missionário da nossa Santa Madre

9. «A oração acesa pelo fogo do amor» é a alavanca que levanta o mundo, diz-nos Teresa do Menino Jesus, herdeira do espírito missionário da Santa Madre. O dinamismo missionário que nos anima alimenta e mantém viva a nossa paixão pela humanidade. No movimento de contínua saída de nós mesmos pomo-nos ao serviço do futuro da humanidade, desejamos suscitar novas formas de esperança concreta. A emergência da globalização, como nova ordem mundial, convida-nos à partilha dos nossos recursos humanos, espirituais e materiais através duma colaboração mais eficaz entre as várias circunscrições e o centro da Ordem, a fim de continuar e consolidar a expansão da Ordem no mundo. Nós tivemos a alegria de ver um sinal disso mesmo: a erecção da Coreia como nova província da Ordem. E ainda outro: a formação dum novo grupo capitular, o coetus africano constituído irmãos de África e Madagáscar; sinal de crescimento da nossa presença naquele continente.

10. Porém, a globalização também divide o mundo em fragmentos onde se multiplicam os refugiados e novas formas de miséria. É urgente devolver a dignidade ao homem e de restaurar uma sociedade estropiada. O nosso mundo caracteriza-se pela interconexão mais profunda e pela maior fragmentação de que há memória. Neste contexto podemos oferecer o testemunho e a hospitalidade da nossa vida fraterna sustentada na amizade com Jesus que «destruiu os muros de ódio que nos separavam», como nos diz a carta aos Efésios (2:14). A nossa Santa Madre Teresa de Jesus assumiu plenamente esta humanidade ferida e suportou a dor e a compaixão, sobretudo através da experiência espiritual do «inferno» (Cfr V 32). Este amor pela salvação e libertação total do homem anima a nossa vida e o nosso apostolado. O nosso desejo é o de nos convertermos em «servos do amor» (V 11:1) «verdadeiros espirituais», segundo a descrição que Teresa elaborou: «tornar-se escravos de Deus que marca com o ferro da cruz, porque a Ele é dada a sua liberdade a fim de que os possa vender como escravos de todo o mundo, tal como Ele o foi» (7M 4:8)
Sob a protecção de Nossa Senhora

11. Na história da nossa Santa madre Teresa de Jesus, como na história do Carmelo, a gloriosa Virgem Maria ocupa um lugar singular. Somos do Carmelo porque pertencemos a uma família consagrada à Virgem Maria. O nosso Capítulo, reunido em Fátima, foi eco desta realidade. A Irmã Lúcia e os dois outros Pastorinhos, os Bem-aventurados Francisco e Jacinta, contemplaram Nossa Senhora com o hábito do Carmo convidando-nos a todos a orar pelos pecadores e pela paz. A sua Mensagem alimenta também a nossa esperança: «O meu Coração Imaculado triunfará». Que quer isto dizer? Que o coração aberto de Deus, purificado pela contemplação divina, é mais forte que as espingardas ou qualquer tipo de arma. O fiat de Maria, a palavra do seu coração, mudou a história do mundo, porque graças a este «sim» Deus pôde fazer-se homem no nosso mundo e assim permanece agora e por todo o sempre (J. Ratzinger, A Mensagem de Fátima, Congregação para a Doutrina da Fé, 2000).
Recorrendo ao coração de Maria, à profundidade da sua fé, expressa nas palavras do Magnificat, renovamos cada vez melhor em nós a consciência de que não se pode separar a verdade sobre Deus que salva do Deus que é fonte de todos os dons, da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e pelos humildes, amor dito nas palavras e acções de Jesus (Cfr João Paulo II, Redemptoris Mater 37).

12. Ao longo destes dias nós fomos sentindo a oração das nossas Irmãs Carmelitas, a proximidade dos nossos frades doentes e velhinhos, e as expectativas cheias de esperança dos nossos jovens religiosos. Ler e meditar as obras da nossa Santa Madre, pessoalmente ou em comunidade, assimilar a sua doutrina que nos mostra o caminho da santidade, partilhá-la entre nós e ainda renovar a nossa maneira de falar. Eis o programa do sexénio «Para vós nasci», que desejamos ver concretizado cada ano através de fichas de leitura, como uma fonte de graça e de renovação para toda a Família do Carmo.
Da nossa Santa Madre Teresa de Jesus, mãe dos espirituais e primeira mulher doutora da Igreja, podemos dizer o que dela disse S. Teresa Benedita da Cruz: «A sua irradiação estende-se muito para além das fronteiras do seu povo, da sua Ordem e chega mesmo a alcançar aqueles que estão fora da Igreja. A força da sua linguagem, a sinceridade e a simplicidade de estilo dos seus escritos abrem os corações e depositam neles a vida divina. Só no dia do juízo final conheceremos o número dos que, graças a ela, encontraram o caminho da Luz» (Teresa Benedita da Cruz, Eine Meisterin der Erziehungs- und Bildungsarbeit: Teresia von Jesus, 1935).

Fátima, 7 de Maio de 2009

Santa Teresa de Jesus dos Andes e a Virgem Maria



“O meu espelho há de ser Maria.
Como sou sua filha devo assemelhar-me a ela
e assim assemelhar-me-ei a Jesus”. (Diário 15)

Na extirpe dos santos do Carmelo, Dom para a Igreja e para o mundo, temos em Santa Teresa de Jesus dos Andes um modelo cristão de engajamento, de prática das virtudes, ardor missionário e de um profundo e especial amor para com a Virgem Maria. Ela põe-nos diante dos olhos o testemunho vivo do Evangelho, assumido-o até às últimas conseqüências em sua própria vida.
A jovenzinha dos Andes, Juanita, viveu no seio de uma família normal que professava a fé cristã a qual procurava viver com firmeza e constância. È no seio desta família e na sua experiência de educação entre as irmãs do Sagrado Coração que ela aprende a amar Jesus e a Santíssima Virgem, em quem encontra uma mãe tão próxima e bondosa a quem não exitava em abrir-lhe inteiramente o coração para confidenciar-lhe seus anseios mais profundos.

"Todos os dias comungava e falava com Jesus longamente. Mas minha devoção especial era à Virgem; contava-lhe tudo".(Diário 6).

Ainda pequena, aos 7 anos de idade, juntamente com seu irmão Lucho, faz promessa de rezar todos os dias o rosário – promessa que cumpriu com fidelidade durante sua curta vida. Em sua pureza juvenil relata que assim o fez sempre, exceto uma vez por haver esquecido... (Diário 5).
Vemos que desde a tenra idade Maria já é presente em sua vida. Quando se prepara para a primeira comunhão já sente um ímpeto de encontro com Cristo, percebendo que daí para frente seria necessário mudar radicalmente seu caráter um tanto irascível. Vai dizer:


“Jesus começou a tomar meu coração para si. Em um ano me preparei para fazer a primeira Comunhão. A Virgem me ajudou a limpar meu coração de toda imperfeição”. (Diário 5).

Esta relação para com a Virgem está bem conforme o espírito do Carmelo Teresiano, onde Maria é tida e experienciada no decorrer da história como Mãe e Irmã, relação essa que conduz a uma maior intimidade a ponto de se focar antes de uma devoção desencarnada, a prerrogativa das virtudes da Virgem Maria, assim como percebemo-las no Evangelho: solícita à Palavra de Deus “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se” (Lc 1,38), como profundamente atenta às necessidades do próximo: “E Maria partiu apressadamente” (Lc 1,39).
Ela toma a Virgem por companhia em todos os momentos de sua vida, também durante as “noites escuras”, onde encontra sempre na mulher “mais santa” de todas, fortaleza e consolo.
Teresa dos Andes compreendeu desde a infância que o amor se mostra mais com as obras do que com as palavras, por isso, esforçou-se por apresentá-lo em todos os atos de sua vida, como motivação mais profunda e essencial. Em si mesma, na sinceridade de seu coração, percebeu que para poder entregar-se inteiramente a Deus teria que deixar morrer em si tudo o que não fosse Ele.
Cristo foi sempre o seu ideal. Amou-o apaixonadamente, crucificando-se em cada momento da vida só por Ele. Teve-lhe um amor esponsal e, por isso, o desejo de unir-se plenamente a Ele a invadiu por inteira. A santidade de sua vida se fez notar nas coisas mais corriqueiras a ponto de todos, fora e dentro do Carmelo, poderem perceber em seu rosto a alegria infinita e a bondade do Deus que ela irradiava.
Assim são os santos: atentos, abertos e zelosos; por isso Deus realiza neles os milagres de seu amor misericordioso. Motivemo-nos em lançarmo-nos também na busca de um encontro pessoal com Aquele que nos chama a cada dia. Eis uma tarefa pessoal, intransferível e irrenunciável.


ENTRE AS INVOCAÇÕES MARIANAS DE SANTA TERESA DOS ANDES, CABE RECORDAR:
Virgem do Rosário
Virgem do Carmo
Virgem de Lourdes
Imaculado Coração
Mater Admirabilis






Frei Ronan do Sagrado Coração de Jesus.

sábado, 2 de maio de 2009

NOSSA MISSÃO...

video

MENSAGEM DO SANTO PADRE pelo Dia Mundial de Oração pela Vocações

(3 DE MAIO DE 2009 - IV DOMINGO DE PÁSCOA)


Tema: «A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana»


Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do próximo Dia Mundial de Oração pelas Vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, dia 3 de Maio de 2009, desejo convidar todo o Povo de Deus a reflectir sobre o tema: A confiança na iniciativa de Deus e a resposta humana. Não cessa de ressoar na Igreja esta exortação de Jesus aos seus discípulos: «Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 38). Pedi! O premente apelo do Senhor põe em evidência que a oração pelas vocações deve ser contínua e confiante. De facto, só animada pela oração é que a comunidade cristã pode realmente «ter maior fé e esperança na iniciativa divina» (Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 26).

A vocação ao sacerdócio e à vida consagrada constitui um dom divino especial, que se insere no vasto projecto de amor e salvação que Deus tem para cada pessoa e para a humanidade inteira. O apóstolo Paulo – que recordamos de modo particular durante este Ano Paulino comemorativo dos dois mil anos do seu nascimento –, ao escrever aos Efésios, afirma: «Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, do alto dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que n’Ele nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos» (Ef 1, 3-4). Dentro da vocação universal à santidade, sobressai a peculiar iniciativa de Deus ter escolhido alguns para seguirem mais de perto o seu Filho Jesus Cristo tornando-se seus ministros e testemunhas privilegiadas. O divino Mestre chamou pessoalmente os Apóstolos «para andarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios» (Mc 3, 14-15); eles, por sua vez, agregaram a si mesmos outros discípulos, fiéis colaboradores no ministério missionário. E assim no decorrer dos séculos, respondendo à vocação do Senhor e dóceis à acção do Espírito Santo, fileiras inumeráveis de presbíteros e pessoas consagradas puseram-se ao serviço total do Evangelho na Igreja. Dêmos graças ao Senhor, que continua hoje também a convocar trabalhadores para a sua vinha. Se é verdade que, em algumas regiões, se regista uma preocupante carência de presbíteros e que não faltam dificuldades e obstáculos no caminho da Igreja, sustenta-nos a certeza inabalável de que esta é guiada firmemente nas sendas do tempo rumo à realização definitiva do Reino por Ele, o Senhor, que livremente escolhe e convida a segui-Lo pessoas de qualquer cultura e idade, segundo os insondáveis desígnios do seu amor misericordioso.

Por conseguinte o nosso primeiro dever é manter viva, através de uma oração incessante, esta invocação da iniciativa divina nas famílias e nas paróquias, nos movimentos e nas associações empenhados no apostolado, nas comunidades religiosas e em todas as articulações da vida diocesana. Devemos rezar para que todo o povo cristão cresça na confiança em Deus, sabendo que o «Senhor da messe» não cessa de pedir a alguns que livremente disponibilizem a sua existência para colaborar mais intimamente com Ele na obra da salvação. Entretanto, por parte daqueles que são chamados, exige-se-lhes escuta atenta e prudente discernimento, generosa e pronta adesão ao projecto divino, sério aprofundamento do que é próprio da vocação sacerdotal e religiosa para lhe corresponder de modo responsável e convicto. A propósito, o Catecismo da Igreja Católica recorda que a livre iniciativa de Deus requer a resposta livre do ser humano. Uma resposta positiva que sempre pressupõe a aceitação e partilha do projecto que Deus tem para cada um; uma resposta que acolhe a iniciativa amorosa do Senhor e se torna, para quem é chamado, exigência moral vinculativa, homenagem de gratidão a Deus e cooperação total no plano que Ele prossegue na história (cf. n. 2062).

Ao contemplar o mistério eucarístico – onde se exprime sumamente o dom concedido livremente pelo Pai na Pessoa do Filho Unigénito pela salvação dos homens, e a disponibilidade plena e dócil de Cristo para beber completamente o «cálice» da vontade de Deus (cf. Mt 26, 39) – compreendemos melhor como «a confiança na iniciativa de Deus» molde e dê valor à «resposta humana». Na Eucaristia, dom perfeito que realiza o amoroso projecto da redenção do mundo, Jesus imola-Se livremente pela salvação da humanidade. «A Igreja – escreveu o meu amado predecessor João Paulo II – recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação» (Carta enc. Ecclesia de Eucharistia, 11).

Quem está destinado a perpetuar este mistério salvífico ao longo dos séculos, até ao regresso glorioso do Senhor, são os presbíteros, que podem precisamente contemplar em Cristo eucarístico o modelo exímio de um «diálogo vocacional» entre a livre iniciativa do Pai e a resposta confiante de Cristo. Na celebração eucarística, é o próprio Cristo que age naqueles que Ele escolhe como seus ministros; sustenta-os para que a sua resposta cresça numa dimensão de confiança e de gratidão que dissipe todo o medo, mesmo quando se faz mais intensa a experiência da própria fraqueza (cf. Rm 8, 26-30), ou o ambiente se torna mais hirto de incompreensão ou até de perseguição (cf. Rm 8, 35-39).

A consciência de sermos salvos pelo amor de Cristo, que cada Eucaristia alimenta nos crentes e de modo especial nos sacerdotes, não pode deixar de suscitar neles um confiante abandono a Cristo que deu a vida por nós. Deste modo, acreditar no Senhor e aceitar o seu dom leva a entregar-se a Ele com ânimo agradecido aderindo ao seu projecto salvífico. Se tal acontecer, o «vocacionado» de bom grado abandona tudo e entra na escola do divino Mestre; inicia-se então um fecundo diálogo entre Deus e a pessoa, um misterioso encontro entre o amor do Senhor que chama e a liberdade do ser humano que Lhe responde no amor, sentindo ressoar no seu espírito as palavras de Jesus: «Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos nomeei para irdes e dardes fruto, e o vosso fruto permanecer» (Jo 15, 16).

Este amoroso enlace entre a iniciativa divina e a resposta humana está presente também, de forma admirável, na vocação à vida consagrada. Recorda o Concílio Vaticano II: «Os conselhos evangélicos de castidade consagrada a Deus, de pobreza e de obediência, visto que fundados sobre a palavra e o exemplo de Cristo e recomendados pelos Apóstolos, pelos Padres, Doutores e Pastores da Igreja, são um dom divino, que a mesma Igreja recebeu do seu Senhor e com a sua graça sempre conserva» (Const. dogm. Lumen gentium, 43). Temos de novo aqui Jesus como o modelo exemplar de total e confiante adesão à vontade do Pai para onde deve olhar a pessoa consagrada. Atraídos por Ele muitos homens e mulheres, desde os primeiros séculos do cristianismo, abandonaram a família, os haveres, as riquezas materiais e tudo aquilo que humanamente é desejável, para seguir generosamente a Cristo e viver sem reservas o seu Evangelho, que se tornou para eles escola de radical santidade. Ainda hoje são muitos os que percorrem este itinerário exigente de perfeição evangélica, e realizam a sua vocação na profissão dos conselhos evangélicos. O testemunho destes nossos irmãos e irmãs, tanto nos mosteiros de vida contemplativa como nos institutos e nas congregações de vida apostólica, recorda ao povo de Deus «aquele mistério do Reino de Deus que já actua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus» (Exort. ap. pós-sinodal Vita consecrata, 1).

Quem pode considerar-se digno de ingressar no ministério sacerdotal? Quem pode abraçar a vida consagrada contando apenas com os seus recursos humanos? Mais uma vez convém reafirmar que a resposta da pessoa à vocação divina – sempre que se esteja consciente de que é Deus a tomar a iniciativa e é Ele também a levar a bom termo o seu projecto salvífico – não se reveste jamais do cálculo medroso do servo preguiçoso, que por medo escondeu na terra o talento que lhe fora confiado (cf. Mt 25, 14-30), mas exprime-se numa pronta adesão ao convite do Senhor, como fez Pedro quando, apesar de ter trabalhado toda a noite sem nada apanhar, não hesitou em lançar novamente as redes confiando na palavra d’Ele (cf. Lc 5, 5). Sem abdicar de forma alguma da responsabilidade pessoal, a resposta livre do homem a Deus torna-se assim «corresponsabilidade», responsabilidade em e com Cristo, em virtude da acção do seu Santo Espírito; faz-se comunhão com Aquele que nos torna capazes de dar muito fruto (cf. Jo 15, 5).

Emblemática resposta humana, repleta de confiança na iniciativa de Deus, é o «Amen» generoso e total da Virgem de Nazaré, pronunciado com humilde e decidida adesão aos desígnios do Altíssimo, que lhe foram comunicados pelo mensageiro celeste (cf. Lc 1, 38). O seu «sim» pronto permitiu-Lhe tornar-Se a Mãe de Deus, a Mãe do nosso Salvador. Maria, depois deste primeiro «fiat», teve de o repetir muitas outras vezes até ao momento culminante da crucifixão de Jesus, quando «estava junto à cruz», como refere o evangelista João, compartilhando o sofrimento atroz do seu Filho inocente. E foi precisamente da cruz que Jesus agonizante no-La deu como Mãe e a Ela nos entregou como filhos (cf. Jo 19, 26-27) – Mãe especialmente dos sacerdotes e das pessoas consagradas. A Ela quero confiar todos quantos sentem o chamamento de Deus para caminhar pela senda do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada.

Queridos amigos, não desanimeis perante as dificuldades e as dúvidas; confiai em Deus e segui fielmente Jesus e sereis as testemunhas da alegria que brota da união íntima com Ele. À imitação da Virgem Maria, que as gerações proclamam bem-aventurada porque acreditou (cf. Lc 1, 48), empenhai-vos com toda a energia espiritual na realização do projecto salvífico do Pai celeste, cultivando no vosso coração, como Ela, a capacidade de maravilhar-se e adorar Aquele que tem o poder de fazer «grandes coisas», porque Santo é o seu nome (cf. Lc 1, 49).

Vaticano, 20 de Janeiro de 2009.


BENEDICTUS PP. XVI

sexta-feira, 1 de maio de 2009

GUARDA FIEL E PREVIDENTE


Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero

(Sermo 2, de S, loseph: Opera 7,16.27-3)



É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.
Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis porque o Senhor lhe disse: Servo bom e fiel? Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).
Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem especial mente escolhido, por quem sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo; modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São José uma singular graça e reverência.
Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido.
E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou.
Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor referiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.
Lembrai-vos de nós. São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.

1º de maio dia de São José Operário



Celebre a José a corte celeste,
prossiga o louvor o povo cristão:
Só ele merece à Virgem se unir
em casta união.

Ao ver sua Esposa em Mãe transformar-se,
José quer deixar Maria em segredo.
Um anjo aparece: "E obra de Deus!"
Afasta-lhe o medo.

Nascido o Senhor, nos braços o estreitas.
A ti tem por guia, a Herodes fugindo.
Perdido no templo, és tu que o encontras,
chorando e sorrindo.

Convívio divino a outros, somente
após dura morte é dado gozar.
Mas tu, já em vida, abraças a Deus,
e o tens no teu lar!

O dai-nos, Trindade, o que hoje pedimos:
Um dia no céu, cantarmos também
o canto que canta o esposo da Virgem
sem mácula. Amém.


Hino das Vésperas de São José