terça-feira, 14 de abril de 2009

MENSAGEIROS DO RESSUSCITADO



TERÇA-FEIRA DE PÁSCOA

Suspira minha alma pelo Senhor, meu escudo e meu socorro (Sl 33,20)

1. Na semana da Páscoa, recolhe a Liturgia da Palavra os principais testemunhos da Ressurreição e os oferece à meditação dos fiéis para que lhes robusteça a fé. Retoma hoje a Liturgia a narração da Madalena, "Maria de Magdala, da qual expulsara (Jesus) sete demônios" (Mc 16,9), c que se destaca no grupo das piedosas mulheres pelo amor ardente e a solicitude em procurar o Senhor.
Depois de ter sido a primeira a correr para avisar a Pedro do sepulcro vazio, volta e, enquanto os discípulos, verificado o fato, regressam à casa, continua "junto ao sepulcro, fora, chorando" (Jo 20,11), Não sossega, quer encontrar, a todo custo, o Corpo bendito. Está de tal modo tomada pela dor e com o pensamento em Cristo, que à visão dos anjos não se admira nem se assusta. À pergunta deles, diz o motivo de suas lágrimas: "Tiraram o meu Senhor, e não sei onde o puseram" (ibidem, 13). E quando Jesus fala, não o reconhece, mas tomando-o pelo jardineiro, diz-lhe: "Senhor, se o tiraste, dize-me onde o colocaste e irei buscá-lo" (ibidem, 15). Não pensa Maria na ressurreição! Tão comovida está que nem os linhos colocados com tanto cuidado no túmulo vazio a fazem refletir. E não reflete também que lhe seria impossível a ela, mulher fraca, transportar o Corpo. A intensidade da dor impede-a de raciocinar. Procura Jesus morto; tem-no vivo diante de si e não o reconhece. Mas ei-lo que a chama pelo nome; "Maria!". Basta aquela voz para fazê-la compreender tudo: "Mestre!" (ibidem,16). É o grito de seu amor e de sua fé. Quereria ficar aos pés do Senhor finalmente encontrado, mas recebe, também ela, a missão: "Vai dizer aos meus irmãos" (ibidem,17).
A boa nova da ressurreição não é só para ela, mas deve propagar-se quanto antes para alcançar todos os homens, todos "irmãos" do Ressuscitado. Como a Madalena, deve todo cristão ser mensageiro da Ressurreição e não tanto por palavras, mas trazendo em si seus sinais. A fidelidade, o amor, a solicitude de Maria de Magdala e sua prontidão em ir aos "irmãos" podem sugerir alguma coisa.
2. O primeiro discurso de Pedro ao povo, culminando no testemunho da ressurreição do Senhor e da sua glorificação — "Deus constituiu Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes!" (At 2, 36) —, conclui-se com um convite premente: "Convertei-vos... e batize-se cada um de vós no nome de Jesus Cristo, em remissão dos vossos pecados" (ibidem, 38). Conversão e batismo imergem o homem no mistério pascal de Cristo, envolvem-no na sua morte e ressurreição. A Páscoa quer renascidos, ressurgidos! O batismo não só inicia este renascimento e ressurreição, mas nos oferece também a graça para sua realização progressiva e completa.
O cristão jamais acaba de converter-se, de renascer, de ressurgir: a condição de sua vida terrena deve ser a preocupação de um contínuo regenerar-se em Cristo, configurando-se sempre mais à morte e ressurreição dele. O cristão nunca está realizado completamente: "Também nós — diz o Apóstolo — que possuímos as primícias do Espírito, nós também, interiormente, gememos à espera da redenção" (Rm 8,23). A redenção plena e definitiva só se realizará na vida eterna, só então o homem será assimilado, de modo estável, ao mistério pascal de Cristo, estará morto "uma vez para sempre ao pecado" e "eternamente vivo para Deus, em Cristo Jesus" (Rm 6,10-11). Entretanto, enquanto vive peregrino na terra, deve o cristão trazer em si os sinais da morte e da ressurreição do Senhor. Os sinais da morte com a rejeição do pecado, o domínio das paixões, a renúncia e a mortificação generosa que o configura ao Crucificado; os sinais da ressurreição com uma vida resplandecente de pureza e de amor. Precisa cada cristão dar lugar ao Senhor, para que possa ressuscitar e reviver nele, para que nele continue a passar entre os homens fazendo o bem, consolando os aflitos, sustentando os fracos, iluminando os cegos, socorrendo os pobres, ajudando os humildes, dando a todos amor e verdade. Eis a que visava o Apóstolo, ao dizer: "Por toda a parte levamos sempre no corpo os sofrimentos de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo" (2Cor 4, 10).
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