domingo, 18 de janeiro de 2009

Parece-me que ninguém nos pode afastar d'Ele - por Frei Guilherme

Caríssimos,
no dia 12 de janeiro teve início mais um encontro de estudantes carmelitas na cidade de Londrina-PR. O encontro reúne os frades estudantes de Filosofia e Teologia das Províncias Sul e Sudeste do Carmelo Descalço brasileiro. O objetivo principal desse encontro é atender ao pedido que Jesus sussurrou “aos ouvidos do Pai” pouco antes de sua dolorosa Paixão: que todos sejam um (Jo 17, 21). Dessa forma, como o Filho está no Pai, ansiamos estar no Filho para que Ele se encontre sempre no meio de nós como elo insubstituível da nossa caridade fraterna. O mesmo carisma e a alegria de estarmos juntos nos move a buscar viver com perfeição a união que Jesus deseja para os seus discípulos e a exclamar como o discípulo no monte Tabor: “É bom estarmos juntos!”
Segundo a beata Ana de São Bartolomeu, carmelita descalça e fundadora do Carmelo francês, amiga e companheira de santa Teresa d´Ávila, o maior desejo que santa Teresa tinha nos últimos anos de sua vida era o de que os frades se constituíssem Província. A vivência exigida pela reforma teresiana só seria possível caso os frades descalços obtivessem maior autonomia diante dos irmãos da antiga observância. Quando isso aconteceu, pouco antes de sua morte, Teresa teria ficado muito satisfeita. Ainda de acordo com a beata Ana de São Bartolomeu, teria até mesmo citado o cântico de Simeão: “Deixai agora vossa serva ir em paz!”
Que o diálogo e a convivência desse encontro de estudantes nos ajudem a diminuir cada vez mais as distâncias e a ampliar os horizontes de ação do Carmelo Descalço teresiano, amém!

“Parece-me que ninguém nos pode afastar d’Ele, se agimos só por Ele, vivendo sempre na sua sagrada presença e sob esse olhar divino que tudo penetra até o mais profundo da alma. Inclusive no meio do mundo podemos escutá-Lo no silêncio de um coração que se quer somente Seu”.

Elisabete da Trindade

Os dois primeiros dias do nosso encontro de estudantes foram reservados para o estudo e a meditação do itinerário espiritual e dos escritos da beata Elisabete da Trindade. As reuniões foram preparadas pelo frei José Cláudio da Província do Sudeste do Brasil. Estudamos as origens (a família da beata, o ambiente militar onde nasceu, os primeiros anos de vida e seu gênio irascível constantemente corrigido pela mãe), sua infância (as aulas de piano e as suas elogiadas apresentações e a graça da primeira comunhão ao ser morada de Deus pela primeira vez através do sacramento, o que implicou a vontade de crescer em sua vida humana e espiritual), os anos de sua juventude (o relacionamento com a mãe e a irmã, as amizades, o meio social e as diversas festas, a vocação carmelitana e as dificuldades vocacionais que enfrentou) e, por fim, seus últimos anos de vida após a entrada no Carmelo de Dijon (as provações de fé, a infecção crônica nas glândulas renais e a missão no céu de atrair as almas ao recolhimento interior).
Um fato curioso na vida vocacional de Elisabete da Trindade era a proximidade que a casa onde morava possuía do Carmelo de Dijon. Da janela do seu quarto, Elisabete podia contemplar o Carmelo que tanto sonhava, ainda que impossibilitada pela mãe de lá entrar antes de completar 21 anos. Em uma de suas 123 poesias, a jovem Elisabete reunia as fantasias que a sua imaginação formava acerca do Carmelo e, em uma nota íntima, nos dá um exemplo da profundidade que a sua vocação carmelitana tinha para ela: “A carmelita é o sacramento de Cristo” (Nota íntima 14). Anos antes, fora o sacramento da Eucaristia que a despertara, desejaria agora ser um sacramento de Cristo para aqueles que com ela se relacionassem? Hoje, a própria Elisabete é uma janela e um sacramento do Senhor para todos aqueles que buscam viver uma verdadeira história de amor e amizade com “Aquele que sabemos que nos ama” (santa Teresa). Sua abertura à Palavra de Deus permite que toda luz que vem do alto penetre e dê vida ao seu ser e ao de todos quantos dela se aproximam no mais profundo centro de suas almas, onde habita Aquele que constantemente nos convida a fazer n’Ele a nossa morada.

Frei Guilherme, OCD
3°ano de Filosofia - BH
Província São José
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