domingo, 18 de janeiro de 2009

" O homem continua sedento de Deus, apesar de todos os avanços tecnológicos... - por Frei Julierme



ENCONTRO DE ESTUDANTES
3° E 4° DIAS (15 e 16/01)
Tema: “Pastoral Urbana” – Pe. Leomar

Em que tempos vivemos? Há lugar para a religião na situação atual? Qual nossa compreensão de Igreja? Quais os desafios e as perspectivas para a ação pastoral eclesial no meio de uma cultura urbana? E para o carmelita no século XXI? Questionamentos como estes nos provocam. Pedem de nós uma postura frente a um mundo que cada vez mais manifesta uma complexidade da qual, como um pedido de socorro, emerge no homem sua ânsia pelo transcendente, algo que lhe é tão próprio e necessário a sua humanização.
Quem nos conduziu nestes dias (15 e 16) foi o Pe. Leomar, da Diocese de Caxias do Sul. Pós-graduado na área de dogmática, professor de doutrina social da Igreja na PUC-RS e pároco da paróquia de Santa Teresa em Caxias do Sul, mostrou-se muito competente, dinâmico e experimentado na exposição do tema “Pastoral urbana”.
Dentre os muitos desafios apresentados, pudemos perceber, como grupo, um campo no qual podemos inserir cada vez mais: o homem continua sedento de Deus, apesar de todos os avanços tecnológicos na cultura urbana. As estruturas mais antigas da Igreja e a compreensão eclesiológica tem mudado, novas necessidades na evangelização vão surgindo. É premente o apelo da Igreja por mistagogos, pessoas capazes de introduzir outras no mistério de Deus, pois, no dizer do grande teólogo Karl Rahner “o cristão do século XXI ou será místico, ou não será cristão”. Este dado novo nos abriu as perspectivas pastorais enquanto carmelitas representantes de uma nova geração, como uma baliza de auxílio para nossa esperança. Pudemos, nas nossas discussões em grupo, colocar as experiências positivas e negativas das duas províncias seja no campo pastoral ou da formação, procurando estimular-nos no crescimento de nossa missão apostólica na Igreja.
A sensação geral destes dois dias foi que o mundo hodierno nos interpela como carmelitas. Questiona nosso modo de ser e agir na Igreja e enquanto Igreja. Foram muitas perguntas suscitadas e poucas soluções práticas, o que significa um necessidade de continuarmos aprofundando cada vez mais o tema, sensíveis às inspirações do Espírito Santo na prática da evangelização. Como constatou o próprio palestrante, meio que fazendo-nos um sutil convite, há muita gente trabalhando nas universidades de teologia e filosofia empenhados em problematizar a situação atual do mundo e da Igreja. No entanto, são poucos os que conseguem ou se aventuram a buscar soluções e respostas. Oxalá possamos pertencer a esses últimos. Sem a pretensão de querermos resolver todos os problemas do mundo que estejamos dispostos a dar nossa colaboração para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, animados pela mesma esperança que levou Santa Edith Stein a dizer: “não sabemos para onde Deus nos conduz; sabemos que Ele nos conduz”.
Assim, ao encerrar este comentário, convido-o a participar um pouco dos nossos anseios enquanto cristãos, chamados por Deus e enviados ao mundo, ao encontro do outro através desta pequena oração:

“Dá-nos, Jesus, tua esperança.
Dá-nos um coração como o teu
e ensina-nos a compadecer-nos da ‘multidão cansada e abatida
como ovelhas sem pastor’.
Une-nos a ti, Jesus.
Que saibamos viver a Boa Nova entre os nossos irmãos
antes de anunciá-la.
Que eles nos vejam proclamá-la e que, ao olhar-nos, eles te vejam,
e ao te ver, dêem ouvidos ao nosso anúncio.
Que saibamos ver os outros ao teu modo: não o pecado ou a miséria,
Mas a fé de cada filho do Pai Celestial.
Faze-nos compreender
Que as pessoas não são receptáculos da nossa evangelização,
Mas buscadores sedentos do Evangelho;
Não objeto da nossa ação pastoral,
Mas pessoas humanas,
cada uma com a semente do divino em seu coração.
Dá-nos humildade para entendermos que falamos e agimos em teu Nome.
E que importa que tu cresças, e nós, diminuamos.
Que não nos falte a luz e consolo do Espírito Santo em nosso caminho.
Amém.”

Em Jesus e Maria,
Frei Julierme da Redenção, ocd
1° ano de Filosofia - BH
Província São José
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