domingo, 14 de setembro de 2008

Ave Crucis

...contitui o "Evangelium Pauli", a mensagem que anucia aos judeus e gentios. É uma mensagem sensível, sem adornos, sem pretenção alguma de persuadir com argumentos racionais. Retira toda a sua força do testemunho mesmo que anuncia e este é a Cruz de Cristo, quer dizer a morte e ressurreição de Cristo na Cruz e o mesmo Crucificado.

E é a morte de Cruz o meio de salvação escolhido pela infinita sabedoria. E para demonstrar que a força e a sabedoria humana são incapazes de conseguir a Redenção, foi dada a força Salvadora àquele que, segundo as medidas humanas, parece débil e louco: o que não quer ser nada por si mesmo, senão que deixar que a força de Deus se faça nEle, Ele que despojou de si mesmo e " se fez obediente até a morte e morte de Cruz" ( Fl 2,7-8).

A força salvadora , quer dizer, o poder de ressucitar para a vida aqueles que estavam mortos para a vida divina por causa do pecado. Esta força salvadora da Cruz passou para a palavra da Cruz, através desta palavra, se comunica a todos que a recebem e se abrem a ela sem pretender milagres nem fundamentos da sabedoria humana: neles se convertem para esta força vivificadora e formadora que chamam Ciência da Cruz.

O mesmo São Paulo cumpriu esta perfeição: " Mas eu, pela mesma lei morri à lei, para viver para Deus; estou crucificado com Cristo, e já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim. E ainda que vivo na carne, vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim" (Gl 2,19-20).

(...) Porque todos que foram batizados em Cristo foram batizados em sua morte ( Rom. 6,3ss). Foram submergidos em sua vida para se tornarem membros de seu corpo e, como tais padecer e morrer com Ele, mas também ressuscitar com Ele para a vida eterna e divina.

Esta vida chegará para todos plenamente no dia de sua glória. Sem empedimentos, já agora- "na carne"- tomamos parte dEle quando cremos: cremos que Cristo morreu por nós para dar-nos a vida. Esta fé é que nos permite ser uma só coisa com Ele na unidade que possuem os membros com a cabeça e abre para nós a torrente de sua vida. Tal é a fé no Crucificado, a fé viva que, unida a um abandono amoroso se constitue para nós a entrada para a vida e o princípio da futura glorificação: que aqui é a Cruz nosso único título de glória:

"Quanto a mim, não queira Deus que eu me glorie e não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gl. 6,17).

Aquele que se deidiu pelo Cristo, esta morto para o mundo e o mundo para ele. (...) A Cruz não é um fim em si mesma. Ela se eleva e se coloca no alto. Por esta razão, não é somente um símbolo, mas uma arma poderosa de Cristo, o cajado do pastor, com o qual o divino David saiu à combater contra o Golias infernal e com a qual chama, com autoridade, à porta do Céu e ela se abre. Desde então fluem torrentes de luz divina que envolvem a todos que seguem o Crucificado".

A Ciência da Cruz, Santa Teresa Benedita da Cruz.
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