quinta-feira, 24 de abril de 2008

Nossa História


Nossa História
Carmelo significa "jardim". Geograficamente, é uma cadeia de colinas, próximo à atual cidade de Haifa (antiga Porfíria), em Israel. Os fenícios haviam erguido ali um altar a Baal, invocando proteção para suas viagens. O culto a esse deus profanado pela ímpia Jesalém, esposa do Rei Acab, recebeu a forte oposição do profeta Elias.
Diz a tradição que Elias se estabeleceu em uma gruta, no Monte Carmelo. Tornou-se ele o grande solitário que, em espírito de penitência, combateu os profetas pagãos e defendeu o monoteísmo.
O Carmelo surgiu em plena Idade Média, época de renovação da Igreja e de busca da mais pura dimensão evangélica de vida religiosa. As Cruzadas e a conquista de Jerusalém, em 1099, abrem a rota das grandes comunicações entre a Europa e o Oriente. Estamos no fim do século XII. A humanidade vive a experiência de grandes alterações sociais e espirituais. Igrejas e mosteiros são reedificados. Príncipes e fiéis fazem doações financeiras generosas.
Homens e mulheres, inflamados pelo amor ao serviço divino, procuram novos rumos de vida. Atraídos pela fama dos Lugares Santos, afluem à Palestina, sob influência européia, peregrinos das mais diversas partes do mundo. Uns vão para o deserto, outros para as colinas, todos imbuídos do mesmo espírito de penitência e oração. A vida contemplativa e eremítica é escolhida, com singular empenho. Assim, também, chegam ao Monte Carmelo, por volta do ano 1190, os que desejam seguir o exemplo do homem santo e solitário que foi o profeta Elias.
Sabe-se que os primeiros ocidentais a se estabelecerem, como eremitas, no Monte Carmelo, tinham participado das Cruzadas. Eram nobres ou plebeus, cavaleiros ou soldados, todos leigos que haviam escolhido uma vida de "penitentes" ou "conversos". Uns se localizam próximo à gruta de Elias, outros perto da fonte de Elias.
Todos vivendo em cavernas, separados uns dos outros. Manuscritos da época referem-se a esses "monges latinos", também chamados Irmãos do Carmelo, os quais se estabelecem perto de uma capela de Nossa Senhora, não longe da Abadia de Santa Margarida na vertente do mesmo Monte Carmelo. Mais tarde, serão esses monges chamados de Irmãos da Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Regra primitiva dos Carmelitas
Os Carmelitas, que viviam no Monte Carmelo, pediram a Santo Alberto para fazer uma Regra, de acordo com o modo de vida que estavam levando. Santo Alberto foi nomeado Patriarca de Jerusalém, em 1214. Calcula-se ter sido a Regra entregue em 1209. Nessa época, o superior do Monte Carmelo era São Brocardo.
A Regra primitiva foi dada a eremitas, razão por que tem espírito eremítico. Pode-se dizer que ela se constitui numa perfeita codificação do tipo de vida que os Irmãos Carmelitas já levavam no Monte Carmelo: solidão, oração, obediência, castidade, jejum e abstinência de carnes. A Regra foi aprovada em 1226 pelo Papa Honório III.
O Carmelo no Ocidente
A partir de 1237, as condições políticas e religiosas, na Palestina, se tornam precárias, devido às investidas dos serracenos. Este fato fez com que os eremitas do Carmelo, pouco a pouco, devidamente autorizados, voltassem a seus países de origem. Os religiosos, que continuaram no Monte Carmelo, foram massacrados em 1291, quando se deu a destruição das últimas fortificações latinas na Terra Santa.
Surgem, na Europa, os primeiros conventos: Messina, HuIne, e Cambridge, todos verdadeiros eremitérios, constituídos segundo a regra de Santo Alberto, de vida soltaria e contemplativa. A evolução dos tempos, porém, faz com que a Ordem do Carmelo seja equiparada às Ordens Mendicantes.
A Regra é modificada. Seus membros são destinados à vida ativa de apostolado da Igreja, podendo cursar universidades e receber o sacerdócio. Em 1245, realiza-se em Aylesford, um dos primeiros conventos, o primeiro Capítulo Geral da Ordem, sendo eleito Superior Geral o inglês Simão Stock. Em 1247, Inocêncio IV aprova a Regra, revisada e adaptada às novas circunstâncias de existência da Ordem.
Postar um comentário